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Ensino

Aula Inaugural do curso de Medicina da URI conta com palestra de J.J Camargo

O médico, pioneiro em transplantes de pulmão na América Latina, discursou sobre o humanismo na profissão

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Por Vicente Giesel Hollas [email protected]
Foto Vicente G. Hollas

Na noite da última sexta-feira, 13, no Salão de Atos da URI Erechim, foi realizada a quinta Aula Inaugural do curso de Medicina da universidade. Para receber os estudantes da turma de 2022, a coordenação convidou o professor e médico especialista em cirurgia torácica, Dr. José de Jesus Peixoto Camargo, conhecido como J.J Camargo, para discursar aos novos acadêmicos.

'Especialista em gente'

Com o tema “A essência humana: o amor e a vida, a arte e a medicina”, o profissional —pioneiro em transplantes de pulmão na América Latina (1989) — falou sobre a importância do humanismo na relação entre médico e paciente, mesmo após o desenvolvimento de tecnologias determinantes na qualificação da área. “O que a gente passa em um encontro com estudantes de medicina, é sobre o quanto é importante que se estabeleça uma relação afetiva com quem adoeceu”, reiterou Camargo.

O palestrante destacou a conexão genuína que se estabelece entre os profissionais e seus pacientes. “O médico tem que se tornar um especialista em gente, porque ele teve o privilégio de conviver com pessoas autênticas. [...] Ao procurarem o profissional, elas estão tão sensibilizadas, tão apavoradas e tão dependentes de afeto, de esperança e de parceria, que se entregam, se expõem com uma autenticidade que você não vê em outras pessoas”, pontuou o professor, ao defender que este cenário possibilita ao médico a rara oportunidade de conhecer indivíduos profundamente com apenas alguns dias de convívio.

Para Camargo, esta relação verdadeira tem o poder de fazer com que o médico se torne uma pessoa mais sensível e afeita à generosidade. “Quando você faz alguma coisa que gera nas pessoas a necessidade de agradecer, você está sendo bom para os dois lados”, salientou o profissional, que defende a teoria de que somos bons por natureza (salvo exceções) e por isso o ato de bondade gera recompensas, também, para o praticante.

Contrastes do tempo

Em relação ao progresso da medicina, o palestrante frisou que essa avançou mais nos últimos 50 anos do que em toda a sua história precedente. “A velocidade do conhecimento acelerado é tão impressionante que tem algumas especialidades que você perde metade do que aprendeu em um ano e meio. O que significa que um médico que não estuda pode se tornar um analfabeto funcional em 3 ou 4 anos”, enfatizou Camargo.

Entretanto, de acordo com o professor, em algumas circunstâncias o progresso exponencial do conhecimento médico teria ignorado o fato de que o sentimento do doente não é alterado. “Você se considera mais eficiente (e realmente é, do ponto de vista tecnológico), mas os pacientes não te percebem melhor do que os médicos do passado. Eu acho que a coisa mais constrangedora para o médico do presente e do futuro próximo é ele ter certeza que sabe mais do que seus antecessores, mas os pacientes falam com nostalgia dos médicos de antigamente”, frisou.

Além da capacitação técnica

O coordenador do curso, Dr. Sérgio Bigolin, se mostrou entusiasmado com o ingresso de mais uma turma de estudantes. “Hoje nós estamos com cinco turmas. Ano que vem formamos a primeira turma de nossa faculdade, nesta visão que temos de formar nossos alunos competentes, com conhecimento, habilidades, mas principalmente formar eles com muita atenção nas questões de humanismo dentro da medicina”, reiterou o coordenador.

O representante do curso também comentou sobre a importância do apoio de entidades e do Poder Público na sua criação e estruturação na cidade. “A gente começou com um grande desafio: o de implantar uma faculdade de Medicina em Erechim e região, mas fomos felizes com as parcerias que temos com a Secretaria Municipal de Saúde, com o Hospital Santa Terezinha e com todas as Unidades Básicas de Saúde. Eu acho que isso nos deu um respaldo na formação de nossos acadêmicos”, salientou.

Para Bigolin, a palestra da Aula Inaugural 2022 representou o esforço da coordenação e equipe de professores para proporcionar, aos futuros médicos, não apenas a capacitação técnica, mas também experiências que despertem o lado humano da profissão. “O professor Camargo representa isso de uma forma muito palpável para todos nós que exercemos esta profissão. Então, nada mais justo do que nesta aula inaugural, que representa o que nós queremos na formação dos nossos acadêmicos, ter ele pessoalmente passando esses ensinamentos. Esse foi um momento muito importante e feliz para a nossa faculdade de medicina. Esperamos que também para os nossos acadêmicos”, finalizou.

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