O maior município do Alto Uruguai Gaúcho, Erechim, registrou no período de 2010 a 2019, 140 acidentes de trânsito fatais que resultaram em 148 mortes, os dados são do Detran/RS, CSI/Sistema de Consultas Integradas - SSP/RS e FEE. O Detran/RS considera vítimas fatais de trânsito aquelas que foram a óbito no local do acidente, em atendimento médico ou em até 30 dias após o acidente.
Anos violentos
Conforme o relatório, o ano mais violento no trânsito foi 2016, quando ocorreram 20 óbitos, enquanto os menores índices foram registrados em 2015 e 2019 com nove vítimas fatais cada. Em relação à natureza dos acidentes fatais, os maiores índices são das colisões (frontais e traseiras) e dos atropelamentos, que representaram 41% e 28% dos acidentes que resultaram em morte.
Distribuição
Quanto à distribuição dos acidentes fatais por tipo de via, estes ocorreram em vias municipais e em rodovias estaduais e federais. As rodovias que registram maior concentração dos acidentes são a BR 153 (30%) e RS 135 (13%), já as vias municipais registraram 52 acidentes fatais que corresponderam a 37% do total.
Vias municipais
No que se refere as vias municipais, as Avenidas Sete de Setembro, Caldas Júnior e Maurício Cardoso somam 8% do total de acidentes, concentrando 21% do total de acidentes fatais ocorridos somente nas vias urbanas. No período analisado, identificou-se 52 acidentes nas vias municipais que resultaram em 54 mortes, destes 31% foram atropelamentos e 29% foram colisões (frontais e traseiras), no entanto, os acidentes envolvendo apenas um veículo (tombamento, capotagem e choque em objeto fixo) representaram 23% do total.
Caminhões e motocicletas
Analisando os tipos de veículos envolvidos em acidentes fatais, identificou-se que 26% dos acidentes tiveram participação de caminhões e outros 32% envolveram motocicletas. Com relação à distribuição dos acidentes por dia da semana e turnos, os finais de semana correspondem a 35% dos acidentes fatais analisados, foram 49 acidentes que resultaram em 52 óbitos, sendo que 57% destes ocorreram nas noites e madrugadas de sábados e domingos (28 acidentes).
Acidentes à noite
No geral, identificou-se que 34% dos acidentes ocorreram durante a noite. Foram 47 acidentes no período que resultaram em 51 mortes. Outros dados a serem destacados são de que 46% dos atropelamentos ocorreram à noite e 85% dos choques em objeto fixo ocorreram nos turnos da noite e madrugada.
Homens lideram as mortes
Quanto ao perfil geral das vítimas fatais, em Erechim a maioria era do sexo masculino: morreram 121 homens (82%) e 27 mulheres. Identificou-se que 64% dos homens que tiveram óbito estavam conduzindo veículos (todos os tipos) no momento do acidente. Já as mulheres, 48% estavam na condição de passageiras de veículos e outras 37% eram pedestres.
No que se refere a faixa etária das vítimas fatais, destacam-se aqueles na faixa etária de 21 a 34 anos e os idosos com 60 anos ou mais, correspondendo a 35% e 15% dos óbitos, respectivamente.
Motociclistas jovens
Nos acidentes ocorridos em Erechim identificou-se que 42% dos óbitos foram de ocupantes de veículos quatro rodas: faleceram 43 condutores e 19 passageiros, sendo que os ocupantes de motocicletas (considerando motonetas e ciclomotores) concentraram 28% do total: foram 35 motociclistas e sete caronas. Dos motociclistas, 20% tinham idade entre 18 e 29 anos.
Perfil dos condutores
Quanto ao perfil dos condutores dos demais tipos veículos automotores, 42% tinham idade entre 25 e 39 anos, 21% eram adultos na faixa etária de 45 a 54 anos, enquanto os homens idosos com idade superior a 60 anos representaram 9% do total dos condutores falecidos. Outros partícipes com representatividade são os pedestres correspondem a 13% do total dos óbitos, destes 32,5% eram idosos com 60 anos ou mais.
Morte de ciclistas
Já quanto aos ciclistas falecidos, todos eram homens adultos. Ainda quanto a participação das vítimas fatais, identificou-se que 43% dos motociclistas não possuíam CNH ou estavam em condição irregular (CNH vencida, por exemplo) enquanto este índice foi de 38% nos demais condutores falecidos. Outro fato é que a maioria dos condutores e motociclistas falecidos eram homens (95% do total), destes, dois eram menores de idade.
Diminuição de acidentes
A educação é um pilar, a qual deve ser contemplada nas escolas em todos os anos de ensino. Conforme a chefe do setor de Administração, Ensino e Estatística, da Diretoria de Trânsito, Edilene Dall’Agnol Wilke, ensinando como devem ser obedecidas as regras de trânsito, consegue-se um condutor melhor, contribuindo com a diminuição de acidentes. Ela ressalta que não é apenas na direção do veículo que deve-se ensinar o comportamento, pois na situação de pedestre, você também se integra ao trânsito, como ciclista, ou em qualquer meio de locomoção que utilize a rua ou calçada. Portanto a educação é um dos principais meios para formarmos condutores melhores no futuro.
Escolinha de trânsito
A educação no trânsito é aplicada nas escolas, empresas, e eventos públicos por meio de palestras expositivas e também com o circuito, que faz parte da escolinha de trânsito, no qual as crianças utilizam bicicletas ou triciclos, e percorrem um circuito fechado, com semáforos, faixas de trânsitos e sinalização com placas. Tendo de cumprir as regras de trânsito, como as quais existem na vida real.
“Juntos salvamos vidas”
No ano de 2022 o CONTRAN definiu que o slogan da campanha de segurança pública é “Juntos salvamos vidas”. Nesse tema, segundo a chefe, irá se trabalhar o transporte seguro das crianças, travessia segura de pedestres, manutenção preventiva veicular, campanha referente ao álcool e trânsito, velocidade segura, uso de cinto e equipamentos obrigatórios, correta abertura de porta dos veículos, será trabalhado também direção defensiva, a não influencia de fortes emoções como raiva e medo na hora de agir e pensar, e focar nos cuidados da vida de quem está sobre duas rodas. Lembra ainda, que o trânsito é um espaço de convivência social.
Crianças no trânsito
O que mais se ouve das crianças são as infrações que os pais das mesmas cometem, pois quando se é explicado o correto, eles contam as infrações que percebem em relação que aos, como exemplo: uso do celular, o não uso do cinto de segurança, passagem no sinal vermelho, e a permanência das crianças no banco da frente, entre outras infrações. Com isso, se explica e sugere-se a orientarem aos pais para que estes não cometam mais essas infrações, pois em um acidente pode-se haver lesões e quem é o mais sensível, geralmente é a criança.
Trabalho na educação
O que mais preocupa nos acidentes, de acordo com Edilene, é a desatenção, falta de manutenção nos veículos, uso do aparelho celular na direção, desobediência às sinalizações. A maioria dos acidentes atendidos pela Diretoria de Trânsito são de danos materiais de pequena monta. “Trabalhando na educação para as crianças esperamos que elas colaborem com um trânsito melhor e mais seguro, pois com os adultos a educação é mais difícil, e para eles a fiscalização é o meio de tentar fazer que se tenha um trânsito mais seguro para todos”.