Luna foi uma doação do Canil Fortaleza do Mayer, de Erechim, retirada com 80 dias, em janeiro de 2022. A filhote ainda está no período de “estágio”, pois treina para se tornar um cão policial. Ao lado do cão de faro Hunter, ela é mais um reforço para ser o “terror” dos criminosos no Estado gaúcho.
Instrução
Ambos cães são treinados pelo Inspetor de Polícia Eduardo Boeing, de 29 anos, que ingressou na Polícia Civil do RS em 2019, e trabalha no setor de Investigação. Ele é e responsável pelo treinamento e condução dos cães, na 11ª Região Policial, de Erechim. Por segurança deles, não será divulgado o local onde ficam.
Cão de faro Hunter
O cão de faro Hunter possui dois anos e iniciou o treinamento da mesma forma que a Luna, com cerca de 60 dias, no ano de 2020. Dentre as operações em que participou, há duas buscas em específico que foram de maior destaque. Em uma delas, localizou dois quilos de maconha enterrados em uma extensa área de mata. Noutra busca, ocorrida em dezembro de 2021, também em uma área de mata, o Hunter encontrou enterradas, 300g de Maconha, 150g de Crack e uma arma de fogo (pistola).
Formação básica
Hunter é empregado rotineiramente em toda a região de Erechim, na 11ª Região Policial, assim como Luna será, em breve. Mas ambos poderão ser empregados, também, em todo o Estado do Rio Grande do Sul. A então “estagiária”, participará de operações assim que concluir sua formação básica.
Da brincadeira à coragem
Para um cão de faro entrar na polícia é feita uma seleção na ninhada, desde o nascimento. Analisa-se dentro da ninhada qual filhote possui maior predisposição ao trabalho pretendido, no caso, o faro. “O filhote deve possuir uma série de características, entre elas, ser corajoso, curioso, e ter forte estímulo para caça (que goste muito de brincar)”, explica Boeing. Durante os primeiros meses, Luna ficará junto com o condutor. Durante o dia no canil, para ambientar-se, e durante a noite e finais de semana vai pra casa junto com o Inspetor.
Socialização
Antes mesmo de se tornar um policial, o mais importante para o filhote em treinamento é a socialização. Deve conhecer e ter uma boa relação com tudo o que encontrará na vida adulta, durante seu trabalho. Por isso, durante as fases iniciais de treinamento, o filhote é apresentado a variedade de animais, pessoas, locais, barulhos e ambientes com as mais variadas dificuldades e estímulos, para que ele se acostume e não estranhe nada quando for adulto e estiver em trabalho.
“A vida toda em treinamento”
Além disso, durante a formação, são trabalhadas várias partes do comportamento do cão e o vínculo com o condutor, e, principalmente, é aguçado o estímulo de caça, que é o que fará o cão ter vontade de trabalhar. “O cão passa a vida toda em treinamento, costumamos dizer que nunca está pronto”. A periodicidade do treinamento varia durante as diferentes fases da formação, mas geralmente os treinamentos ocorrem todos os dias. O treinador e condutor também devem passar por treinamento constante, buscando sempre cursos e atualizações do conhecimento.
“Traficantes são criativos”
Para quem está todos os dias combatendo os atos ilícitos, sabe que a tarefa não é fácil, uma vez que os criminosos estão sempre evoluindo a maneira de cometer os crimes. “Traficantes são criativos e sempre pensam numa forma nova de esconder os ilícitos”, afirma Boeing.
A importância nas operações
Drogas enterradas, em grandes áreas de mata, escondidas em paredes, forro de residências, são alguns exemplos de locais onde agentes policiais, durante uma busca, não conseguem localizar os ilícitos. Dessa forma, torna-se crucial a utilização dos cães nas operações.
“O cão não é viciado em droga”
Durante todo o treinamento, o cão não tem contato nenhum com a droga, a não ser pelo olfato. Caso ocorra do cão ingerir alguma das substâncias, pode acontecer uma intoxicação e até mesmo a morte dele. Por isso, há um cuidado muito grande no treinamento, para que o cão realize uma indicação da substância encontrada, sem que ele coloque a boca no objeto. “Não podemos divulgar as técnicas utilizadas na apresentação do odor, mas afirmo que não há contato físico do cão com a droga. Tanto que, os cães podem ser treinados para encontrar qualquer tipo de objeto”, pontua, citando que, por exemplo, há cães que localizam pessoas, aparelhos celulares, armas, comida, e até mesmo doenças como o câncer.
Aposentadoria
A aposentadoria desses policiais de quatro patas varia muito. Mas, geralmente um cão mantém-se ativo por cerca de sete anos. Após a aposentadoria, preferencialmente o cão fica com o seu condutor, caso não seja possível, é procurado alguém que tenha interesse em adotar o cão e que se comprometa a cuidar bem do K9 aposentado.