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Rural

Lavouras de verão: prejuízos aumentam a cada dia que não chove

Perdas no milho já ultrapassam os 40% e na soja já chegam a 10%, na região. Em Erechim, município deve decretar Situação de Emergência Agrícola e perdas ultrapassam R$ 24 milhões

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Lavoura em Erechim
Espigam não se desenvolvam
Lavoura de milho
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Adriano Szynkaruk

A situação das lavouras de verão no Alto Uruguai está muito complicada, neste início de safra 2021/2022, em função da estiagem, e a tendência é que o quadro fique ainda pior. A região volta a viver as agruras e prejuízos da falta de água com perdas significativas na cultura do milho e, também, na soja. Em pleno festejos natalinos e de ano que se encerra, esse deveria ser um período de comemoração para o produtor, com o desenvolvimento das plantas, mas na realidade, o setor vai ter que juntar forças para contar os prejuízos, que aumentam a cada dia que não chove.      

Milho e soja

A região tem 48.700 hectares plantados de milho-grão e 15.840 de milho-silagem, sendo que neste ano houve aumento de 2 mil hectares na área do milho em relação à safra anterior. Contudo, o quadro geral é preocupante.  

“As perdas no milho ultrapassam os 40% na região, isso em todos os municípios, e na soja os prejuízos já chegam a 10%, podendo ser ainda maiores se não houver ocorrência de chuvas nos próximos dias”, afirma o engenheiro agrônomo, Luiz Ângelo Poletto, assistente técnico regional em Sistemas de Produção Vegetal da Emater/Ascar.  

Conforme Poletto, para onde se olha a situação é complicada, esse deveria ser momento de celebração, no campo, já que o setor agrícola havia investido e se preparado para colher a melhor safra de soja e milho. E a realidade é outra devido à seca, porque não tem muita expectativa de melhorar o tempo e as chuvas estão esparsas, o que resulta que alguns lugares vão ter alta produtividade e outros as perdas serão muito maiores que 40% na região. A soja no Alto Uruguai está com, praticamente, toda a área plantada em cerca de 234.300 hectares. A cultura se encontra em estado vegetativo.

Cruzaltense

O município de Cruzaltense, para citar um exemplo, está tendo problemas sérios com a falta de chuvas, que está afetando as lavouras de soja, milho, feijão, pastagens e a produção leiteira. Segundo o secretário de Agricultura, Daniel Kraemer, a situação está cada dia mais preocupante já que não choveu praticamente nada, somente houve precipitações em pontos isolados. “Chuva de 5 a 6 milímetros, e em alguns lugares nem uma gota. Cada dia pior, infelizmente”, observa.  

Erechim

“Se não chover logo a situação vai ficar ainda pior. Estamos esperando chuvas, nesta semana, mas o problema é que são esparsas, dá numa comunidade e noutra não. Então, há vários problemas por falta de chuva, principalmente, na cultura do milho, em que já são visíveis as perdas de produtividade, em áreas localizadas, que variam de 30% a 50% nas lavouras”, afirma o engenheiro agrônomo, chefe do escritório da Emater de Erechim, Adriano Szynkaruk.

Ele comenta que a soja já está com mais de 95% da área plantada. “E aqueles que estão plantando se arriscam com esperança que a chuva venha”, observa.

Conforme Adriano, o laudo técnico da Emater sobre os prejuízos decorrentes da estiagem, em Erechim, foi encaminhado, ontem (22), para a Secretaria de Agricultura e Defesa Civil, agora falta o município solicitar a situação de emergência.

Conselho de Agricultura

O coordenador do Sutraf Erechim, Adilson Szady, e vice-presidente do Conselho Municipal de Agricultura, Abastecimento e Segurança Alimentar de Erechim, afirma que teve precipitação em alguns pontos do município, mas em grande parte das propriedades choveu apenas 15 milímetros ao longo de todo o mês. O milho tem grande demanda de água, assim, a falta de chuvas prejudicou muito o desenvolvimento e floração da cultura, disse Adilson em reunião do conselho, na terça-feira (21).

Na ocasião, foram apresentados alguns números em função da seca, e que as perdas já chegam a 40% no milho, 15% da produção de leite e 10% da produção de soja, somando mais de R$ 24 milhões de prejuízos. O município de Erechim deve decretar Situação de Emergência Agrícola. O coordenador do Sutraf ressalta que o problema só se agrava a cada dia, e que não há previsão de chuvas significativas nos próximos dias. A preocupação dele, pra frente, é que não se tenha água para consumo humano e dos animais.

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