A história de um bairro, cidade, estado ou país, é escrita por aqueles que habitam e passam seus dias e momentos nestes lugares. Toda a trajetória de um local é construída com força, trabalho e persistência.
Cair de “paraquedas” em algo que está apenas começando, demanda esforço e empenho, vislumbrando colher os frutos a longo prazo. Esse foi o caso dos moradores do bairro Estevão Carraro de Erechim, onde dona Célia Piovesan nos conta com emoção, como tudo iniciou.
Início
“O bairro começou formando famílias, há 40 anos. A maioria do pessoal tinha idade entre 20 a 30 anos, com filhos pequenos, onde mulher e marido trabalhavam”, conta. Após perder o marido e passar por muitas dificuldades, a dona de casa deixa uma lição. “Tem um ditado que sigo, ‘nunca deixe a carroça despencar’. Quando estiver escorregando, coloque uma pedra, se você não conseguir ir para a frente. Quantas pedras precisei colocar na minha carroça, vivi esses 40 anos batalhando. Precisamos lembrar que sempre haverá um outro dia”, reflete.
Amor pelo bairro
Seu Valuir Kowalski que também mora há muito tempo no local, evidencia o quanto gosta de viver ali. “No início foi difícil, não conhecíamos muitas pessoas. Mas hoje, se tornou um lugar bom, calmo, pois as pessoas que ficaram são interessadas. Temos que agradecer, este bairro nos deu um teto quando não tínhamos condições de iniciar a vida”, aponta. Quem compartilha da opinião é o aposentado Hermes de Oliveira, também morador. “Gosto muito, são quase 40 anos. Amo minha residência, família e meus vizinhos”, diz.
Confraternização
Devido a união dos vizinhos e amor pelo bairro, algumas famílias se reuniram para promover uma confraternização, que acontece no próximo sábado (4). “Vamos confraternizar, ninguém vai visar lucro em nada. A ideia foi minha com o apoio de toda vizinhança. Já falamos com a prefeitura, vamos fechar a rua Antônio Lando e inicia às 17h. Cada um vai trazer um prato de comida, agradecer a Deus pelo lugar onde moramos, com música e celebrando o Natal”, explica Célia.
Bons momentos
Quando a reportagem do Grupo Bom Dia chegou até a casa da organizadora, encontrou ela e mais três amigas que moram na mesma rua, de avental, touca no cabelo, divididas em equipes confeccionando brindes, bolachas confeitadas de Natal e demais atividades, visando a comemoração do sábado.
Além de um delicioso suco de manga e bolachas caseiras, compartilhamos histórias, um bom papo e grandes expectativas para a iniciativa que com certeza servirá de modelo nos bairros de Erechim. “Esse tipo de proposta incentiva as pessoas a continuarem morando em nosso bairro e ‘calçando a roda da carroça’. Esperamos que todos se façam presentes, pois são mais de 33 famílias e 23 crianças e tudo está sendo preparado com um tempero especial: o amor”, conclui Célia.