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História: Clemente Pezzin completa 90 Anos

Sócio Fundador da Industria de Balas Peccin, relembra trajetória de sucesso

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Clemente Pezzin lembra que todo o trabalho era manual no início. “Ainda tenho dor nos braços, pois e
Por Leandro Zanotto
Foto Leandro Zanotto

Neto de imigrantes italianos e filho de pais agricultores, que deixaram a cidade de Veranópolis na serra gaúcha em busca de uma vida melhor na região do Alto Uruguai, o empresário, Clemente Pezzin, completa nesta terça-feira, 23 de novembro, 90 anos. Bem-humorado, ele aceitou conversar com o Bom Dia e relembrar um pouco de sua história que se confunde com a de uma das maiores indústrias do ramo de doces do país a Peccin, fundada pelos irmãos na década de 1950.

Chapadão Paulo Bento

Foi nas terras íngremes da comunidade de Chapadão, no interior do município de Paulo Bento, que a família Pezzin fixou sua primeira residência na região. “Eram tempos difíceis, eu e mais 09 irmãos trabalhávamos na roça. Nem gosto de lembrar muito, pois era bastante sofrido. Na minha família, três irmãs viraram freiras e um ficou um tempo como frei, mais depois desistiu”, explica seu Clemente.

A vinda para Erechim

Foi o pedido de um primo para o pai de Clemente que o fez vir para maior cidade da região, no fim da década de 1940. “Eu tinha 22 anos, um dia esse meu primo chegou na casa dos meus pais e perguntou como ele deixava eu e meus irmãos, jovens, viverem no interior. Ele trabalhava em uma empresa de embarcação e conhecia em Erechim um ex-militar da Marinha chamado Oscar Bruno Dutra, e disse para procuramos essa pessoa que ela teria um bom negócio para nós”, comentou.

A bicicleta e o café

Chegando em Erechim, Clemente e os irmãos Orélio e Rovilio, alugaram a pequena empresa por três meses para aprender o negócio. “Fazíamos de tudo para entender, tivemos sorte que contratamos um auxiliar chamado Jacó Smaniotto, que entendia tudo sobre café, e nos mostrou como fazer as coisas. Eu tinha uma bicicleta que levava couro ao curtume quando trabalhava na roça. Como não tinha carro, pegava uma lata de 10 kg de café, a granel, e saia vender com a bicicleta, onde tinha um armazém parava e vendia 200 gramas, pesava ali mesmo, era pouco, mas era o suficiente para as pessoas provar e ver que o café era bom, realmente”, ressalta. Os irmãos compraram a pequena fábrica de torrar café e fundaram o Café Peccin, na esquina da rua Santo Dal Bosco com a rua Polônia. “Cada vez os pedidos aumentavam, foi então que eu comprei uma caminhonete usada modelo Nash e comecei a viajar até cidades próximas, como Getúlio Vargas, Barão de Cotegipe, São Valentim, entre outras, para fazer as entregas. Foi neste período que eu e meus irmãos então decidimos investir no negócio de café. Eu lembro de dizer para meus irmãos, ‘Dio Cristo’, vendendo uma lata de café dava mais que um mês inteiro trabalhando na roça”, destacou.

Ampliação para outros estados

O negócio prosperou e na busca por ampliar os negócios, os irmãos Pezzin decidiram vender também para outros estados na região sul. “Logo mudei para outra caminhonete F-350, então decidimos ampliar e começar a vender em Santa Catarina e no Paraná. Foi uma aventura porque eu não conhecia nada e ninguém. Logo percebemos que precisávamos vender outros produtos junto com o café, então, eu comprava das indústrias de Erechim, açúcar, doces, balas e saía as três da madrugada para visitar os armazéns”

Do café para Bala

Clemente lembra que foi um pedido dos clientes que fez a empresa começar com o negócio de fabricar balas e doces. “Na década de 1950, além de mim e meu irmão, que viajávamos, já tínhamos outros vendedores. Junto com o café vários produtos eram vendidos para se sobressair, como mandolate, balas, etc. Foi assim que começamos a ver que o pessoal gostava de bala, e aí decidimos fabricar também doces. E deu muito certo”, ressalta.

Pezzin lembra que todo o trabalho era manual no início. “Ainda tenho dor nos braços, pois era preciso passar um cordão por uma esteira para fazer as balas, e isso era tudo manual. Meus irmãos e eu nos revezávamos para a indústria não parar”, salienta.

Nova geração

Seu Clemente conta que um de seus sobrinhos, atual diretor presidente da empresa, Dirceu Pezzin, se formou engenheiro na capital, Porto Alegre, mas o jovem tinha mesmo vocação para atuar na empresa da família. “Foi uma grande mudança, pois ele tinha uma visão que foi muito importante para o futuro da empresa”, pontuou.

Nova indústria

Com o crescimento, a empresa decidiu sair do centro de Erechim e seguir para uma área onde está seu parque industrial, atualmente, com mais de 23 mil metros quadrados, no bairro Copas Verdes. “Era para irmos para o Distrito Industrial, chegamos a construir um pequeno pavilhão bem em frente à Comil, mas um temporal derrubou. Foi um sinal que éramos realmente para ir para onde está a fábrica hoje”, destaca.

Um pedido para o futuro

O empresário enfatiza o grande orgulho que sente pela sua história, e deixa uma dica para os jovens empreendedores. “Quando eu passo na frente da fábrica e vejo vários caminhões que levam encomendas para todo o país e até fora dele, bate um grande orgulho, porque lembro de quando eu saía com caminhonete para vender os doces. Para os mais jovens eu digo que é preciso acreditar no negócio e fazer acontecê-lo, foi assim que eu saí de uma lata de 10 kg de café granulado para o que existe hoje. Eu acreditei em mim e nas pessoas que seguiram conosco”, finalizou.

 

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