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“Racismo existe e faz parte do sistema gerador de desigualdade”

Afirmação é da fundadora e presidente do MENE, Monique Maína Milkiewicz Rosset. Entidade promove ação no Dia Nacional da Consciência Negra

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“É nosso papel, enquanto movimento, trazer pautas para a sociedade fazer essa reflexão, em busca da
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

"Não dá para falar em consciência humana enquanto pessoas negras não tiverem direitos iguais e sequer forem tratadas como humanas", afirma a filósofa e escritora, Djamila Ribeiro. Tendo isso em vista, o Movimento Étnico-Cultural dos Negros de Erechim (MENE) vai realizar uma marcha antirracista, neste sábado (20), no Dia Nacional da Consciência Negra, às 18h30, com saída da Praça Boleslau Skorupski (do tanque de guerra) até a Praça da Bandeira.   

Segundo a fundadora e presidente do MENE, Monique Maína Milkiewicz Rosset, que é psicóloga, neuropsicopedagoga, presidente do MDB Diversidade e Inclusão de Erechim e colaboradora da Comissão de Relações Étnico Raciais do CRP-RS, o MENE está promovendo essa ação de conscientização, a marcha é um ato político e pacífico.

Mobilização

“Organizamos a marcha como culminância dos vários eventos e mobilização dos grupos e coletivos afro ao longo da semana, fechando com esse momento de conscientização da sociedade, acerca do reconhecimento das atitudes racistas, e das consequências geradas pelo racismo na população preta, em todos os contextos, na subjetividade, ambiente de trabalho e relações interpessoais”, explica.

Refletir e mudar

E, acrescenta, “é nosso papel, enquanto movimento, trazer pautas para a sociedade fazer essa reflexão, em busca da mudança. Não há mais espaço para mentes do tempo colonial, e nós pessoas pretas e pardas não nos calaremos mais diante da desigualdade e do abismo que existe ‘ainda’ nos dias atuais”. 

Avanços

Monique explica que, de certa forma, houveram avanços, como leis que favorecem a população negra na busca pelas mudanças, como a lei 10.639/03, que é de extrema importância para a valorização da identidade e da trajetória do povo, trazendo a luta e o papel do negro na formação da sociedade brasileira. “Isso faz muita diferença na formação das subjetividades e na desestruturação do racismo. Saindo somente da lógica da escravidão, onde as crianças crescem sabendo, somente, que o negro chegou ao Brasil para servir o branco como cativo”, afirma.

Criminalização do racismo

Ela ressalta que a criminalização do racismo (lei 7.716 / 1989 inciso XLII do artigo 5º) contribuiu para que as pessoas repensassem o tratamento dado aos pretos e pardos na sociedade. “Não só pela punição, mas pelo ‘porquê’, faz pensar nas atitudes racistas enraizadas ao longo do tempo”, comenta.

Monique cita também outras políticas públicas, afirmativas, que também são fundamentais para a redução das desigualdades e na busca por equidade. “Mas, infelizmente, ainda recebemos relatos e vivenciamos, ainda hoje, o racismo estrutural de uma sociedade que reflete as marcas da escravidão”, afirma.

Primeira antirracista

A presidente do MENE lembra que já houveram outras caminhadas que marcaram o Dia Nacional da Consciência Negra, organizadas por outros coletivos. “Porém, com o Movimento Étnico-Cultural dos Negros de Erechim – MENE, à frente, é a primeira, e com a temática antirracista também”, observa.

Avaliação

“Infelizmente, estamos em um cenário onde as pessoas se sentem ‘autorizadas’ a externalizar suas opiniões e preconceitos com mais liberdade, e, em contrapartida, temos as tecnologias que ajudam promover ou repudiar essas ações”, comenta.

Negacionismo

Segundo Monique, se vivencia inúmeras situações todos os dias, por isso a importância de usar essa data como marco de reflexão, mudança, nos discursos, atitudes, raciocínios, posturas, e no modo de tratamento das pessoas. “A diversidade é o nosso maior valor social, e sim, vamos sair dos negacionismos, racismo existe e faz parte do sistema gerador de desigualdade”, ressalta.

Pertença social

Também serão feitas homenagens na Câmara de Vereadores de Erechim, conforme a presidente do MENE, “para pessoas da nossa terra, do nosso dia a dia, que fizeram e ainda fazem a diferença nas suas comunidades e sociedade erechinense, como forma de valorização das pessoas que ocuparam seus espaços e fizeram a diferença”. Com isso, acrescenta, o objetivo “é criar o sentimento de pertença social, identificação positiva, representatividade e valorização das trajetórias e identidades”.

Luta de todos

Segundo Monique, é importante destacar o papel das pessoas brancas na luta antirracista. “O debate racial não é só focado na negritude, é preciso discutir a branquitude, reconhecer o racismo, reconhecer os privilégios. Questionar por que no meu ambiente de trabalho, na minha escola, nos altos cargos há poucos ou nenhum negro? Num país em que 56% da população é preta ou parda, é preciso questionar. Não se pode naturalizar as desigualdades. Ou achar que tudo é esforço próprio. O branco precisa ter atitudes antirracistas. O silêncio é cúmplice da violência. Essa é uma luta de todos nós enquanto sociedade”, esclarece.

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