As lavouras de canola impressionam pela beleza. Quem passa por uma plantação fica encantando com os lindos campos amarelos nas áreas floridas da oleaginosa nesta época do ano. Mas além disso, a cultura pode significar bons resultados ao agricultor, principalmente para aqueles que buscam alternativas para rotação, quebra de ciclo de algumas doenças e a melhoria na estrutura do solo. No Alto Uruguai ela também tem sido uma opção positiva de renda para os produtos rurais.
Uma década
O produtor Ezequiel Serafini, morador de Centenário, realiza a plantação de canola há mais de 10 anos, atividade que teve início com o pai, são mais 110 hectares plantados pela família neste ano. “Realizamos este cultivo principalmente por ser uma maneira de diversificar as culturas de inverno, assim rotacionar o sistema e não ficar sempre no trigo, aveia ou cevada, podendo gerar uma renda”, destaca.
Expectativa de produção
Segundo Serafini a expectativa de produção para 2021 é boa, tendo em vista que o frio até o momento não causou prejuízo na formação, porém explica que esta é uma cultura variável de risco. “É preciso ter um cuidado especial, desde a geada, chuva ou mesmo o vento, pois ela pode produzir bem, mas pode até mesmo não ter colheita. Mas no geral nossa expectativa é positiva para este ano”, pontua.
Período de Colheita
A janela de plantio vai de março a julho, onde a planta pode atingir até 1,80 metro de altura e seus grãos aumentam de tamanho até o período da colheita, o qual tem início em agosto e se estende até novembro.
Produção ainda pequena
De acordo com o engenheiro agrônomo da Ascar-Emater/RS, Valdir Pedro Zonin, a produção de canola no Alto Uruguai já ocorre há duas décadas, mas a produção ainda é pequena, cerca de mil hectares, sendo 40 mil em todo o Estado. “Devemos incentivar mais a cultura nãos só pelos ganhos econômicos, e sim pela expectativa de produtividade que é de 35 a 40 sacos por hectares a preço de soja. Além da rotação ela também proporciona a florada de inverno, o que é muito importante na apicultura. Então tem vários ganhos econômico, ambiental, social e de solos”, destaca.
Ciclo semelhante ao trigo e a cevada
Conforme Zonin na região a produção deverá ser colhida entre os meses de setembro e outubro. “A canola tem um ciclo semelhante ao do trigo e da cevada. Já foi encerrada a fase da floração e agora ocorre o enchimento de grãos”, explica.
Custo Benefício
A canola é uma planta da família das crucíferas (como o repolho e as couves). Os grãos da planta produzidos no Brasil possuem em torno de 24% a 27% de proteína e de 34% a 40% de óleo. A safra é utilizada principalmente para a produção de óleo e se colocada como uma alternativa para substituir o que tem base de soja aos consumidores, além da produção de biocombustível.
Limitações
Segundo Zonin a cultura ainda é pequena pois enfrenta algumas limitações, principalmente na hora de plantar ou colher. “São necessários equipamentos especiais dentro das plantadeiras. Chamamos de dosadores, por que fazem o controle e a regulagem exata de 2,7 kg de sementes por hectare, um volume bastante pequeno, que reduz o custo, mas precisa ser feito de forma correta.
O perigo da geada precoce
A outra limitação no plantio é o perigo da geada precoce no inverno. “O agricultor precisa de um pouco de sorte, pois não pode haver uma geada forte antecipada nos meses de maio e abril que pode danificar o período de germinação. Mas acredito que isso, deva ser superado nos próximos anos com o avanço da tecnologia na agricultura”, ressalta.
Produção no país
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) a área plantada de canola no Brasil, na safra 2021, foi de 34 mil hectares com uma produção de 47,5 mil toneladas.
Dados históricos
Historicamente a maior porcentagem registrada, na relação área X produção, ocorreu no Rio Grande do Sul, onde foram produzidas 62 mil toneladas em uma área de 41,2 mil hectares em 2016.