21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Ensino

Professora inova e ensina matemática, estimulando a inclusão, com o Cartola FC

Segundo ela, ao educador inclusivo cabe avaliar cada estudante observando o seu aprendizado, apoiando e incentivando a autonomia

teste
Na foto, Cadmiel e a professora Joana, durante visita da educadora à casa do estudante
Por Salus Loch
Foto Divulgação

Não é de hoje que a professora licenciada em Matemática, Joana Antonia Stolarski Openkoski, acredita que as inovações lúdicas são uma excelente forma de facilitar a transmissão de conhecimento aos estudantes. Prova disso é que sua monografia de pós-graduação pela IBPEX, em 2003, já tratava do tema.

O contexto da pandemia, contudo, deu à educadora a oportunidade de levar adiante sua metodologia, aplicando em sala de aula elementos inovadores, que, por meio do jogo on-line Cartola FC, estimulam o aprendizado e a inclusão dos alunos.

A seguir, em entrevista ao jornal Bom Dia, ela explica como desenvolve o projeto junto à turma de 1º ano do Ensino Médio Regular da Escola Estadual Érico Veríssimo, de Erechim, e chama a atenção para o desempenho do jovem Cadmiel, estudante de Atendimento Educacional Especializado (AEE), que tem paralisia cerebral. Confira:

Como surgiu a ideia de ensinar matemática utilizando o Cartola FC?

Acredito nas inovações lúdicas, no acesso às tecnologias que facilitam a aprendizagem, no trabalhar o conteúdo relacionado ao cotidiano tratando todos os estudantes de forma igual, respeitando as diversidades, o tempo do aprendizado e avaliando cada um em suas especificidades. Desta maneira, é possível promover a inclusão de forma efetiva e verdadeira. Sobre a ideia de implantar o projeto, foi algo que aconteceu ao natural. Ao iniciarmos o ano letivo de 2021, com o Ensino Hibrido, a partir de aulas remotas através da Plataforma Google Classroom, na turma 1C, do 1º ano do Ensino Médio Regular da Escola Érico Veríssimo, entrei na sala de aula online e me deparei com um menino, o Cadmiel – estudante de AEE (Atendimento Educacional Especializado, que tem paralisia cerebral). Ele traz em seu perfil online uma foto do ex-jogador do Inter, Andrés D’Alessandro. A partir daí, começamos a falar de futebol. Eu sou gremista; ele, colorado. Surgiu, então, a ideia de trabalhar o conteúdo matemático interligado ao esporte. Assim, aula após aula, fomos nos questionando sobre o andamento dos jogos da dupla Grenal. Nesse meio tempo, os demais estudantes também foram se envolvendo, participando e interagindo. Quando retomamos as aulas presenciais, o Campeonato Brasileiro já estava em andamento e o Cartola FC em curso. Uma coisa levou a outra, sempre com a premissa de unir ensino e aprendizado.

Para quem não conhece o Cartola FC, no que ele consiste?

O Cartola é um jogo virtual fictício de futebol onde a pessoa pode gerenciar seu próprio clube, baseando suas escolhas no rendimento dos jogadores profissionais durante o Brasileirão, por meio de um sistema definido com base nas pontuações e resultados oficiais de cada partida do campeonato. Como muitos alunos jogam, comecei a ouvir as conversas entre eles, um questionando o outro: “Quantos pontos você fez?”. Um dia, enquanto falavam, me aproximei e disse: “Eu também jogo Cartola e fiz tantos pontos”. Alguns ficaram admirados: “Professora, a senhora? “Sim, por quê? - respondi-lhes. A partir deste momento, começamos a conversar a cada rodada. Contei a eles que eu participava de um grupo do Cartola com 45 membros e na 9º rodada tinha sido campeã. Eles ficaram bem interessados. Resolvi planejar uma aula com o tema: plano cartesiano, função constante, crescente e decrescente e o Cartola FC. Fiz, primeiramente, um apanhado sobre como funciona o sistema de pontuação e, após, expliquei o que é função constante, crescente e descrente e também revisei o jogo dos sinais que aprenderam no Ensino Fundamental, utilizando dados reais do Cartola, representando e analisando esses dados no plano cartesiano. Ministrei essa aula através de um Meet no dia 12 de julho, quando os estudantes colocaram suas ideias e mostraram-se motivados para a realização das atividades. Muitos deles, que até então nunca haviam se manifestado e nem aberto a câmera online, começaram a participar, abrindo a câmera, opinando e mostrando-se satisfeitos. Aliás, um dos que mais chamou a atenção foi Cadmiel, tendo sido um dos primeiros a entregar os exercícios propostos, dizendo: “Eu entendo de futebol e fica mais fácil compreender o conteúdo assim.”

É possível mensurar o resultado alcançado pela atividade?

Considerando o retorno obtido junto aos estudantes e a correção dos trabalhos, posso dizer que é possível, sim, trabalhar o Cartola FC e outros temas do nosso dia a dia nas aulas de matemática, destacando a inclusão – aqui compreendida não como pedir que o estudante realize atividades adaptadas, mas mostrando que ele é capaz de fazer a mesma atividade que os demais. Ao professor inclusivo cabe avaliar esse estudante observando o seu aprendizado e apoiando e incentivando sua autonomia, trabalhando conteúdos de forma inovadora, levando em conta seu interesse, instigando-o e assim aprimorando seus conhecimentos.

 

Quem é a professora Joana

Joana Antonia Stolarski Openkoski trabalha nas redes municipal e estadual de ensino. No município, ela ministra aulas de Informática Educativa e Alfabetização Matemática para os primeiros anos. Já no estado, na Escola Érico Veríssimo, atua com turmas do Ensino Médio Regular e Ensino Médio Modalidade EJA – Educação de Jovens e Adultos.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;