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Alto Uruguai tem mais de 4,2 mil eleitores analfabetos

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Analfabetismo atinge 13 milhões de brasileiros
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Por Najaska Martins - najaska@jornalbomdia.com.br
Foto EBC

Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que das 120.545 pessoas aptas a votar nos 32 municípios da região, 4.274 não sabem ler ou escrever

Ler um livro, pesquisar um endereço na internet, escrever um recado ou simplesmente ler as notícias das páginas deste jornal. Embora sejam tarefas cotidianas, pelo menos 4,2 mil pessoas do Alto Uruguai não conseguem efetuá-las. Elas fazem parte do contingente de 13 milhões de brasileiros com mais de 15 anos considerados analfabetos, conforme o último levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada em 2015.

Conforme as estatísticas do eleitorado desenvolvidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), até dezembro do ano passado, no Alto Uruguai, das 120.545 pessoas aptas a votar, 4.274 pessoas constavam como analfabetas, o equivalente a 3,5%. Se considerar a população total de cada um dos 32 municípios da região, o número tende ser ainda maior, já que no levantamento constam apenas os eleitores.

Em Erechim, por exemplo, num universo de 76.352 eleitores, 1306 são analfabetos, o que corresponde a 1,7% do total. Já em Benjamin Constant do Sul, quase 10% dos eleitores também não sabem ler ou escrever, ou seja, dos 1.731 aptos a votar, 166 (9,5%) não leem ou escrevem. O município com menor índice de analfabetismo, conforme as estatísticas é Carlos Gomes, sendo que apenas 10 (0,7%), entre os 1.396 eleitores não são alfabetizados.

Participação dos eleitores analfabetos nos pleitos municipais

O cientista político Douglas Santos Alves, que atua como professor do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), considera que os números não são tão altos. “Pelo grau de desenvolvimento desta região este deve ser um percentual baixo, se formos comparar com o restante do país”, analisa.

Questionado sobre o os prejuízos que este público pode vir a ter em um período marcado pela comunicação globalizada, ele avalia que o avanço da comunicação tende a diminuir os prejuízos e não aumentá-los quando se trata de informação política. “O fato é que essas pessoas não têm acesso ou têm muita dificuldade com as novas tecnologias, como a internet. Considerando que desde 2013 o processo político nacional ganha espaço nas redes sociais, isso poderia levar a um certo prejuízo sim, mas a cobertura midiática sobre o que tem ocorrido no país tende a compensar”, pontua. Quanto à capacidade do eleitor analfabeto interpretar e avaliar as possibilidades na hora de escolher seu voto no pleito municipal, o professor enfatiza que as eleições locais tendem a refletir o debate nacional.

Relação com as condições socioeconômicas

Para a coordenadora de educação da Federação dos Municípios do RS (Famurs), Marlise Fernandes, os dados são considerados alarmantes. “Infelizmente uma parcela da população ainda não sabe ler e escrever, o que as impossibilita de efetuar tarefas simples do cotidiano. Os maiores índices de analfabetismo estão relacionados também às condições socioeconômicas dos municípios. Quanto menos desenvolvidos, menores são as iniciativas que fomentem o aprendizado, o que perpassa também pela questão da alfabetização”, declara.

Neste contexto, Marlise projeta que os índices podem vir a ter mudanças a longo prazo a partir do que foi definido dos planos municipais de educação. “Estes planos são feitos com base nas diretrizes do Plano Nacional de Educação (PNE) e neles constam diretrizes que apontam para a erradicação do analfabetismo. A longo prazo, com a força-tarefa na busca por cumprir estes planos, acredito que teremos mudanças”, ressalta.

Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa

A coordenadora de educação da Famurs cita ainda como uma das iniciativas para reverter o quadro do analfabetismo o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic). Conforme explica na página do Pacto, no site do Ministério da Educação, a iniciativa é um compromisso formal assumido pelos governos federal, dos estados e municípios de assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas até os oito anos de idade, ao final do 3º ano do ensino fundamental. Para este ano, o Pnaic apresenta três eixos que serão considerados ao longo do desenvolvimento do trabalho pedagógico: Fortalecimento das estruturas estaduais e regionais de gestão do programa, o monitoramento da execução e a avaliação periódica dos alunos.

A principal inovação no Programa é o fortalecimento das estruturas estaduais, regionais e locais de gestão de programas de apoio à alfabetização e ao letramento, com a alocação de novos perfis de coordenadores do Pacto nos estados e nas regionais de ensino, para que trabalhem junto aos coordenadores locais, já participantes do Pnaic. Neste caso, a intenção é promover o apoio à constituição dessas equipes de coordenadores vinculados às redes de ensino para que assegurem o acompanhamento das ações do programa e avaliem a aprendizagem dos estudantes, responsabilizando-se também pelos resultados da alfabetização em seus estados e municípios.

Analfabetismo no Alto Uruguai

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