Garis, empresa contratada, Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários e Prefeitura se posicionam sobre os desdobramentos a partir da greve | Página 9
Na manhã de ontem (9), ocorreu mais uma manifestação em frente a Prefeitura de Erechim, por parte dos garis prestadores de serviço da empresa Engesa Engenharia e Saneamento Ambiental, contratada para a coleta de lixo no município.
Momento de negociações
Até o fim da tarde não havia uma definição confirmada sobre o rumo das negociações entre os trabalhadores e a empresa. “Estamos negociando o fim da paralisação e a possibilidade de reverter as demissões por justa causa. Pelo menos agora estamos dialogando, antes nem estávamos”, afirmou a gestora de contratos da Engesa, Jacqueline Rocha.
O princípio da paralisação
Segundo os trabalhadores, a paralisação ocorreu com o objetivo de buscar melhores condições de serviço. Conforme Leonardo Camargo, funcionário da empresa, a falta de suporte e diálogo com os responsáveis, teria sido a principal dificuldade. “Eles não nos ouvem, não trazem resoluções para os problemas enfrentados”, destacou. Leonardo também contou que as condições oferecidas pela empresa para o trabalho desenvolvido, são precárias. “Os caminhões não tem segurança e falta luva, botina, meia, sem contar que, a todo momento, somos ameaçados à demissão por justa causa, sem ter feito nada”, disse o gari.
Segundo os coletores, em conversa com o prefeito Paulo Pólis, na última segunda-feira (8), teria sido decidido retornar ao trabalho normal, já que a cidade ficou mais de 12 horas sem o suporte da coleta.
Demissões
Conforte relato dos coletores, o motivo pela paralização ter continuado ontem, teria relação com as demissões realizadas pela empresa.
A posição da prefeitura
O prefeito de Erechim, ouviu o porquê da paralisação do serviço de recolhimento de lixo. Logo após, notificou extrajudicialmente a empresa, em função da falta dos serviços prestados. Nesta terça-feira, como o fato se repetiu em frente ao órgão público, o vice-prefeito Flávio Tirello e o procurador geral do município, Daniel Grossi, receberam os representantes de funcionários da empresa contratada. O grupo apresentou demandas e pediu ajuda do Executivo, sobre questões que estão reivindicando junto a direção da empresa. “Os técnicos responsáveis pela gestão do contrato estão em constante contato e acompanhando a situação de perto. Sobre a solicitação da cópia do contrato, vamos encaminha-la ao setor competente”, destacou a assessoria de comunicação.
“A greve iniciou sem o consentimento do Sindicato”, afirma presidente
A reportagem do Jornal Bom Dia obteve informações de que uma reunião teria sido realizada ainda ontem, a fim de buscar uma negociação, por intermédio do Sindicato dos Rodoviários. Porém, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Erechim, José Celso Machado, afirmou que a entidade desconhece quaisquer desdobramentos sobre o caso. “A greve iniciou sem o consentimento do Sindicato. O protocolo para uma paralisação precisa ser feito por meio de atas e editais emitidos anteriormente ao ato, comunicando a prefeitura e a empresa. Se houve falha na participação do sindicato, é porque toda a movimentação foi equivocada, sem seguir normas. Se criou um movimento sem representante”, informou o presidente.
Ele também destacou que se sentiu prejudicado. “Um assunto bem delicado. Cumpri o expediente normal nestes últimos dois dias e quando vi, o movimento já estava acontecendo. O encaminhamento deveria ter sido de forma legal”, frisou Machado.
Engesa se posiciona em nota
No fim da tarde, a empresa Engesa Engenharia e Saneamento Ambiental, enviou uma nota ao Jornal Bom Dia, com o objetivo de esclarecer os fatos referentes a greve movida pelos trabalhadores: “A greve iniciada em 08/02/2021, que promoveu a paralisação total dos serviços de recolhimento de lixo da cidade, é ilegal, posto que não atende os requisitos legais para a paralisação. Não houve a realização de Assembleia Geral convocada pelo Sindicato dos trabalhadores, não houve instauração de comissão de negociação pelos trabalhadores, tampouco houve comunicação prévia à empresa sobre a greve ou fora mantida a prestação mínima dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade. A paralisação, inclusive, desrespeita ordem judicial obtida liminarmente, que determinou ao movimento paredista a manutenção dos serviços de coleta de lixo em no mínimo 60% do habitual, e proibiu a obstrução do acesso ao trabalho dos funcionários não grevistas. Quanto às reivindicações dos funcionários, convém contrapor as alegações feitas à imprensa. A empresa respeita e paga adequadamente o piso salarial da categoria e os salários são pagos em dia. Os EPIs são fornecidos corretamente, conforme legislação, além de terem sido novamente colocados à disposição dos trabalhadores em face das tratativas de negociação neste delicado momento. Desta forma, são inverídicos os fatos narrados pelos trabalhadores e divulgados pela imprensa local. Os grevistas, ainda, recusam-se a formar uma comissão de negociação, bem como recusam-se a receber o próprio sindicato, inviabilizando o diálogo e qualquer solução para o conflito. No que tange à exigência para aumento da frota de caminhões e de funcionários para a coleta do lixo, cabe esclarecer que não compete à empresa qualquer alteração, por tratar-se a Engesa de mera concessionária que presta serviços conforme os critérios estabelecidos exclusivamente pela Prefeitura de Erechim, sendo inviável que arque com custos excedentes não previstos no contrato administrativo. Com a intenção de esclarecer a todos, requer seja concedido o direito de resposta à empresa notificante, em face das informações imprecisas contidas nas notícias veiculadas, sob pena de infringência à Lei 13.188/2015, que dispõe sobre o direito de resposta ou retificação do ofendido em matéria divulgada, publicada ou transmitida por veículo de comunicação social. No mais, a Engesa Engenharia e Saneamento Ambiental LTDA – EPP informa que está buscando os meios mais céleres para garantir a efetivação do pleno serviço à comunidade e normalização da situação”, informou a empresa.