A fonoaudióloga Paula Renata Berto, 39 anos, natural de Erechim, reside em Criciúma e conta um pouco do que foi a noite de terror, de segunda para terça-feira desta semana, onde homens fortemente armados sitiaram a cidade e assaltaram um banco, numa ação cinematográfica.
“Era possível ouvir a rajada de tiros e explosão”
Paula relata que mora numa região bem próxima de onde aconteceu o principal tiroteio e explosão no Banco do Brasil onde subtraíram o dinheiro: “dentro de casa era possível escutar as rajadas de tiros e a explosão no banco. Foi uma noite super tensa. Começou às 23 horas de segunda-feira, e em seguida já teve uma publicação aqui em Criciúma, em tempo real nas redes sociais. Tinha um jornalista gravando live (12 mil pessoas assistindo) com o celular dele, em ruas laterais, da ação dos bandidos, e ele correndo risco”
“Tiros atingiram as caixas de ar-condicionado dos apartamentos”
Afirma não ter conseguido dormir, apenas cochilar quando o dia já estava clareando: “Pelo que se via todos os moradores estavam acordados, na região central, bem próximo ao Banco do Brasil. Recebemos inúmeros vídeos de moradores, com imagens que só vemos em filmes. Simplesmente inacreditável que estava acontecendo isso ao nosso redor. Colegas que moram próximo ao banco ficaram dentro do banheiro, em corredores de seus apartamentos. Escutavam tiros que atingiam as caixas de ar condicionado”.
“Apaguei as luzes da casa e ficamos todos num quarto”
Conta que como os tiros não paravam, apagou todas as luzes da casa, juntamente com suas duas filhas – Luíza e Júlia – e seu marido Gustavo: “Sabíamos que estava acontecendo um grande assalto, mas não tínhamos a noção do tamanho. Estávamos com muito medo, e como moramos em casa, nos trancamos todos num quarto só. Ouvia o barulho de muitos carros passando numa velocidade acima da média. E íamos recebendo os vídeos, e ficávamos cada vez mais apavorados”.
“Vídeos com marcas de balas em quarto de bebê”
Um dos momentos que chocou Paula, foi quando recebeu um vídeo que mostrava marcas de balas em quarto de bebê de um edifício nas proximidades do assalto: “Tenho duas filhas pequenas. Comecei a tremer, abracei elas, coloquei embaixo dos meus braços e rezamos juntas”, conta.
“Muitas fakenews surgiram durante o assalto”
Durante o assalto que durou três horas, Paula comenta que as fakenews invadiram as redes sociais e várias versões começaram a aparecer sobre o episódio, que nunca mais sairá da memória dos moradores de Criciúma: “Uma delas que os bandidos estavam se dirigindo para o presídio onde iriam liberar todos os presos. Colegas minhas que moram próximo ao presídio começaram a se desesperar”.
“Graças a Deus eles estão indo embora”
Os moradores gravaram o comboio de carros pretos e de alto luxo e afirmavam: “graças a Deus eles estão indo embora”, diziam. Foi quando palpitou o coração de Paula: “Eu vi que a rua que eles passaram era perto da minha casa que serve como saída para Nova Veneza (onde encontraram os carros num milharal no dia seguinte). Para se ter uma deia como fosse do Banco do Brasil em Erechim até o Clube Caixeiral. Foram esses barulhos de carros potentes que tinha ouvido”.
“Um verdadeiro cenário de guerra”
No dia seguinte, terça-feira (1º), Paula foi dar uma volta pela cidade: “Fui para o centro e deu para ver o quanto estavam articulados. Colocaram explosivos em vários locais, fecharam entradas da cidade, monitoraram tudo muito bem, estudaram cada ação executada. A região central foi isolada, mas era possível ver os estragos deixados, um verdadeiro cenário de guerra”, finaliza.