Em coletiva de imprensa na capital, a Polícia Civil falou sobre o sequestro da médica Tamires Gemelli da Silva Mignoni, 30 anos, que foi libertada em ação conjunta do DEIC (Departamento Estadual de Investigações Criminais) do Rio Grande do Sul e do Grupo TIGRE (Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial) do Paraná, na noite de quarta-feira (21).
Segundo o delegado Sander Cajal, diretor do Departamento Especial de Investigações Criminais (Deic), esta foi a extorsão mediante sequestro mais longa dos últimos cinco anos. “Deu tudo certo. O nosso foco principal sempre foi salvar a vítima, garantir que ela saísse ilesa, e deu tudo certo. O resgate não foi efetuado, foram três presos, em um trabalho que não é de um departamento ou de uma polícia de um estado. Tivemos a participação de várias instituições, Brigada Militar, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil do Rio Grande do Sul, apoio muito importante da Polícia Civil de Santa Catarina e principalmente da Polícia Civil do Paraná”.
De acordo com a Chefe de Polícia Civil do RS, delegada Nadine Farias Anflor, os presos teriam ligação direta com o sequestro e pediram R$ 2 milhões de resgate. Ela disse ainda que até o momento, não há indícios de que o caso tenha motivação política.
O sequestro
A médica havia sido sequestrada no final da manhã de sexta-feira (16), após sair da Unidade Básica de Saúde do bairro Aldo Arioli, em Erechim, e levada em seu carro, um Chevrolet Equinox, pelos criminosos.
Mais tarde o veículo foi localizado abandonado no bairro Copas Verdes, a cerca de seis quilômetros da UBS, e a polícia iniciou as buscas pela ginecologista.
Itinerário
Iniciou-se as investigações e tudo levava a crer que a vítima não estava mais no Rio Grande do Sul. Ela saiu de Erechim, foi levada para o município de Itá, onde haviam alugado uma casa, posteriormente foram de carro para Chapecó e finalmente, provavelmente na segunda-feira, para o cativeiro, em um município muito próximo de Laranjeiras do Sul, que é o município de Cantagalo, onde ela foi libertada ontem.
Pedido de resgate
Houve sim pedido de resgate de R$ 2 milhões pela liberdade da doutora Tamires. Desde o início do sequestro foram três contatos com a família. Não há até o momento nenhum indicativo de que se tenha um viés político, mas também não se descarta, e as investigações continuam.
Os presos
São três presos. Um deles, o principal alvo, era vigilante de um banco de Laranjeiras do Sul, estava em licença saúde desde a quarta-feira da semana passada. Uma mulher, dona de casa, que era quem cuidava do cativeiro e possivelmente, este homem e esta mulher foram as pessoas que arrebataram Tamires em Erechim. Preliminarmente, ela receberia em torno de R$ 5 mil para cuidar do cativeiro e a gente ainda não sabe a vinculação afetiva que ela possa ter com este vigilante. O terceiro preso, um taxista que ajudou nos deslocamentos, fazia toda a circulação com ela para não levantar suspeitas. Todos são moradores daquela região do Paraná e possivelmente nas próximas horas haverá a prisão de um quarto envolvido.
Cativeiro
O cativeiro não tinha nenhuma característica específica. Era uma casa que não trazia nenhum indicativo de que ali fosse um cativeiro, com bons carros, inclusive. A visualização do local não chamava atenção.
O cativeiro onde a ginecologista estava sendo mantida seria no centro de Cantagalo, município com pouco mais de 13 mil habitantes e a 400 quilômetros de Erechim.
Volta para casa
Tamires chegou a casa do pai por volta de 0h30min desta quinta-feira (22), onde era aguardada pelos familiares, vizinhos e amigos. Assim que desembarcou da viatura, ela e os policiais foram recebidos com uma emocionada e forte salva de palmas. Pouco depois, por recomendação da polícia, Tamires foi para dentro de casa.
A edição impressa do jornal Bom Dia de amanhã trará mais detalhes sobre o caso.