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Rural

Hortifrutigranjeiros: comercialização de frutas chega a reduzir em 50% na região

Fernando Lise comenta que a pandemia não trouxe alterações na rotina diária, contudo, diminuiu expre
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

A pandemia do coronavírus afetou de maneiras distintas o setor de hortifrutigranjeiros no país. Se por um lado o impacto foi menor na comercialização destes itens nas principais Centrais de Abastecimento (Ceasas), por outro, o segmento dos produtores e profissionais que atuam nas feiras, foi bastante atingido. É o que mostra o estudo Aspectos do Setor Hortigranjeiro durante a pandemia do covid-19, no período de março a maio de 2020, divulgado na semana passada, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

No caso dos produtores e comerciantes, diante deste novo cenário, muitos recorreram a formas alternativas de comercialização. Uma delas foi a tele-entrega, por meio de aplicativos e outras plataformas de comércio eletrônico. Elas ajudaram a manter os negócios e minimizaram os efeitos da retração na demanda.

Um comparativo feito no período dos cinco primeiros meses do ano mostrou que a comercialização total de hortaliças nas Ceasas caiu apenas 3% em relação ao mesmo período de 2018 e de 2019. Segundo o estudo, os diferentes segmentos do grupo das hortaliças foram influenciados de maneira pontual e diferenciada pela pandemia.

Frutas

Em relação às frutas, também não foi percebida uma queda significativa na comercialização nas Ceasas. A oferta nesses mercados, nos meses de março a maio, caiu 5% em relação a 2019 e 1% na comparação com 2018.

Com relação ao segmento varejista, a pesquisa apontou que o funcionamento aconteceu dentro da normalidade por se tratar de serviço essencial, adotando uma série de medidas sanitárias para o controle da disseminação do vírus. Já o funcionamento das feiras livres variou de estado para estado, sendo suspensas em algumas localidades e retomando o fluxo após a adoção das medidas de combate a covid-19. Se comparado ao momento anterior à pandemia, o fluxo de comercialização foi menor no período analisado. Com isso, os impactos foram mais sentidos junto aos produtores que tinham nestas feiras seu principal canal de comercialização.

Avaliação na categoria de produtores

O coordenador geral do Sindicato Unificado dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Alto Uruguai (Sutraf-AU), Douglas Cenci, comenta que o hortifrutigranjeiros é um setor que ainda sofre com a pandemia. “Há um conjunto de setores da alimentação que enfrenta dificuldades de manter seus atendimentos em razão das regras do distanciamento social. Em paralelo, há uma redução no consumo desses alimentos, pois muitas pessoas passaram a se alimentar mais em casa e nem sempre conseguem ter na mesa, todos os dias, as hortaliças e frutas”, comenta, citando que, do mesmo modo, a maioria dos consumidores não vai duas ou três vezes por semana na feira ou no mercado para adquirir esses itens.

Isso atingiu o mercado e, por outro lado, ampliou a demanda por alimentos. Tanto o Brasil como diversos outros países, tem se movimentado para enfrentar essa situação e até mesmo complicações no futuro. “A China tem adquirido muitos alimentos e isso tem feito com que os preços dos produtos e, inclusive, dos insumos, como a soja, aumentem.

No Brasil o cenário é complexo, pois tentamos viabilizar com o governo uma alternativa de suporte para os agricultores continuarem a produzir e até mesmo, ampliar o trabalho e garantir a soberania alimentar do nosso país, mas infelizmente não obtivemos êxito”, relatou, citando o projeto 735/20 - cria abono destinado a feirantes e agricultores familiares que se encontram em isolamento ou quarentena em razão da pandemia.  “Dialogamos mas houve veto do presidente. Isso gerou uma certa frustração pois havia recurso para auxiliar na comercialização de alimentos, na assistência técnica, renegociação de dívidas, financiamento para produção e as nossas demandas não foram atingidas, diferentes de outros setores”, questionou o coordenador do Sutraf.

Douglas reforçou, ainda, que: “a pandemia e o descaso do governo estadual e federal, permitem que os produtores continuem numa situação difícil. Houve melhorias mas ainda há desafios a serem superados”, afirmou.

Produtor calcula diminuição de 50% nas vendas

Fernando Lise é produtor de frutas e reside no interior de Erechim. Na avaliação de Fernando, a pandemia não trouxe alterações na rotina diária, contudo, em relação à venda de produtos, houve uma diminuição expressiva. “Seja na comercialização para merenda escolar, para o Programa de Aquisição de Alimentos e, ainda, na Feira do Bairro Três Vendas e nos pequenos mercados, onde também entrego os produtos. Calculamos uma redução de 50%”, relatou. Na propriedade a produção é diversificada e inclui frutas como laranja, bergamota, pêssego, ameixa, uva, caqui, além de raízes como batata doce, mandioca e grãos: feijão, pipoca e milho verde.

Conforme Fernando, a cada dia é um desafio diferente. “Tentamos reduzir custos. No caso da laranja, por exemplo, vamos vendê-la para suco em um valor 70% menor do que ganhávamos”, pontua.

O produtor salienta que havia uma esperança quanto a liberação de recursos para a agricultura familiar, por meio da abertura de programas voltados para quem adquire esses alimentos dos pequenos produtores, contudo, houve veto do governo federal. “Nos sentimos desamparados e sem perspectivas. O poder de compra das pessoas está diminuindo e o cenário é preocupante, tanto para o homem do campo, como da cidade.

A expectativa é que a pandemia amenize os efeitos e que, com a chegada do verão, a linha de produtos se amplie e os clientes sintam-se atraídos e procurem esses itens”, ressalta.

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