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Erechim

Erechim: povoamento não foi pacífico, mas marcado por muitas lutas e conflitos

O Grande Erechim foi originariamente habitat dos índios coroados, que os guaranis dos Sete Povos das Missões Orientais chamavam de bugres por considerá-los ferozes, nômades, hostis e irredutíveis à civilização jesuítica. Erechim nos dias atuais

Crédito: Eagle Tech Filmagens Aéreas/Bernardo Taglietti
Por Da Redação
Foto Divulgação

O nome Erechim é de origem Caingangue e significa Campo Pequeno. Uma das explicações é que aqui, provavelmente, os campos eram cercados por florestas. O município foi, inicialmente, chamado de Paiol Grande e, depois, sucessivamente, de Boa Vista, Boa Vista do Erechim, José Bonifácio e, finalmente. Erechim.

Como muitos outros povoados do Brasil, Erechim surgiu à margem da estrada de ferro. No caso, a ferrovia que ligava o Rio Grande do Sul a São Paulo. Colonizado basicamente por imigrantes de origem polonesa, italiana e alemã, o povoado formou-se em 1908 às margens e arredores da estrada de ferro. Foi neste ano que 36 pioneiros, entre imigrantes europeus e outros vindos das terras velhas (Caxias do Sul), vieram pela estrada de ferro e habitaram o lugar, que logo tornou-se um Distrito de Passo Fundo.

Com o crescimento do povoado e de sua economia – agricultura, pecuária, comércio e serviços, o município de Erechim foi criado no dia 30 de abril de 1918, através do Decreto nº 2343, de 30 de abril, assinado por Borges de Medeiros, então governador do Estado do RS. O município já foi conhecido como a Capital do Trigo, devido ao alto volume de grãos produzidos na agricultura, hoje Erechim é tida como a Capital da Amizade. A origem do nome de Erechim, remete aos antigos indígenas da região.

Grande Erechim

O Grande Erechim foi constituído pelos territórios dos municípios de Erechim, Getúlio Vargas, Marcelino Ramos, Gaurama, Aratiba, Viadutos, Campinas do Sul, São Valentim, Herval Grande, Severiano de Almeida, Jacutinga, Barão de Cotegipe, Itatiba do Sul e Mariano Moro.

Esse território foi originariamente habitat dos índios Coroados, que os guaranis dos Sete Povos das Missões Orientais chamavam de bugres por considerá-los ferozes, nômades, hostis e irredutíveis à civilização jesuítica. A extensa gleba integrou, sucessivamente, os municípios de Rio Pardo, São Borja, Cruz Alta e Passo Fundo, segundo o IBGE.

Primeiros povoadores

Os primeiros povoadores brancos foram paulistas, descendentes de bandeirantes, que, instalando-se dispersivamente no território, obtiveram a concessão de tratos de terra, requeridos ao Governo do Estado. Não foi pacífica, inicialmente, a posse das terras por esses primeiros povoadores, que tiveram de sustentar, durante muito tempo, luta tenaz contra os primitivos habitantes, os Coroados.

Firmaram-se, porém, na terra, os poucos posseiros que povoaram o território inculto, de natureza exuberante, clima temperado e pleno de riquezas naturais, encobertas pela floresta imensa e apreciáveis faixas de campo, sulcadas pela abundante rede da bacia hidrográfica ocidental dos rios Pelotas-Uruguai.

Exploração

Em fins de 1887, Augusto de Oliveira Penteado conhecido por Augusto César, tendo como companheiros João Placidino Machado e Antônio Ferreira de Albuquerque, empreenderam ousada exploração fluvial, da qual elaboraram circunstanciado relatório, que foi enviado à Câmara Municipal de Passo Fundo, em fins de 1888, contendo as denominações dadas por eles a vários acidentes geográficos. Augusto César foi o descobridor do famoso estreito do Uruguai.

Colônia Erechim

Por proposta do engenheiro, Torres Gonçalves, diretor-chefe da Diretoria de Terras e Colonização, o presidente do Estado, Carlos Barbosa Gonçalves criou a 6 de outubro de 1908 a Colônia Erechim, cujo topônimo, no dialeto Caingangue (Coroado), quer dizer Campo Pequeno.

Divisão

Foi o engenheiro Severiano de Souza Almeida o chefe da delegação encarregada de efetuar a divisão em lotes coloniais da grande gleba devoluta e de dirigir os trabalhos de instalação da colônia. Em fevereiro de 1910 teve início a construção de casas da sede provisória denominada Povoado Erechim, hoje Getúlio Vargas. Aportaram a sede da colônia a primeira leva de imigrantes, composta de quatro famílias, com 28 pessoas, e mais oito imigrantes isolados, totalizando 36 almas.

Em 1910, a sede da Colônia oferecia aspecto urbano com abertura de ruas e edificação de 50 casas e mais 22 em construção, todas de madeira, inclusive o chalé do escritório da Comissão, dois barracões para hospedagem dos imigrantes, enfermaria e depósito de materiais, nove casas comerciais, uma barbearia, uma alfaiataria, três sapatarias e um açougue. O desenvolvimento da zona rural também se fez rapidamente. Até 1914, a sede inicial da Colônia Erechim foi o povoado que mais prosperou. Em 20 de abril de 1916, o escritório da Comissão de Terras e Colonização foi transferido do Povoado Erechim para o de Paiol Grande (hoje Erechim), sede geral da Colônia anteriormente escolhida.

Oito anos após a instalação, a Colônia Erechim estava em condições de aspirar à emancipação política e administrativa, desmembrando-se do território e do governo de Passo Fundo.

Revoluções

A vida política do município de Erechim, especialmente nos primeiros anos, fora bastante agitada e seu território palco de intensa movimentação de tropas e de choques bélicos, em consequência das revoluções de 1923 e 1930.

Distritos

No Censo de 1920, o município se compunha dos distritos de Boa Vista do Erechim (sede), Erechim (ex-povoado Erechim), Marcelino Ramos, Erebango e Barro. Em razão do Decreto estadual n.° 7.210, de 5 de abril de 1938, o Município passou a chamar-se José Bonifácio. Com esse nome, constou no Censo de 1940 com 12 distritos.

Sofreu diversas reformulações administrativas e modificações toponímicas e perdeu território para o município de Marcelino Ramos (Decreto-lei estadual n.° 718, de 28 de dezembro de 1944). Pela Lei n.° 720 de 29 de dezembro do mesmo ano, voltou a denominar-se Erechim, chegando ao censo de 1950 com 11 distritos: Erechim, Aratiba, Áurea, Barão de Cotegipe, Carlos Gomes, Gaurama, Herval Grande, Nova Itália, Paulo Bento, Quatro Irmãos e São Valentim.

No censo de 1960 aparece sem os distritos de Aratiba, Áurea, Carlos Gomes, Gaurama, Herval Grande e São Valentim, desmembrados para formarem novos municípios, e acrescido dos de Capo-Erê, Itatiba, Mariano Moro e Três Arroios, resultantes de nova reformulação administrativa.

Pela Lei municipal n.° 1.035, de 14 de outubro de 1968, foi criado o distrito de Jaguaretê, instalado a 10 do mês seguinte. Composto dos seguintes distritos: Erechim (sede), Capo-Erê, Paulo Bento, Quatro Irmãos, Três Arroios e Jaguaretê.

População         

A população estimada de Erechim, dados de 2020, é de 106.633 pessoas, com uma densidade demográfica (2010) de 223,11 hab/km².

Trabalho e Rendimento

Segundo IBGE, em 2018, o salário médio mensal era de 2.5 salários mínimos. A proporção de pessoas ocupadas em relação à população total era de 40.7%. Considerando domicílios com rendimentos mensais de até meio salário mínimo por pessoa, tinha 23.6% da população nessas condições, o que o colocava na posição 391 de 497 dentre as cidades do estado e na posição 5377 de 5570 dentre as cidades do Brasil. 

Educação           

A taxa de escolarização de 6 a 14 anos de idade (2010) foi de 97,9%. O IDEB – anos iniciais do ensino fundamental (Rede pública), dados de 2017), foi de 6,5. O IDEB – anos finais do ensino fundamental (Rede pública), dados de 2017, foi de 5,0. Matrículas no ensino fundamental (2018): 10.953 matrículas. Matrículas no ensino médio (2018): 3.304 matrículas. Docentes no ensino fundamental (2018): 695 docentes. Docentes no ensino médio (2018): 302 docentes. Número de estabelecimentos de ensino fundamental (2018): 35 escolas. Número de estabelecimentos de ensino médio (2018): 14 escolas.

Economia           

Conforme o IBGE, o PIB per capita (2017) foi de R$ 43.354,43. O percentual das receitas oriundas de fontes externas (2015) foi de 60,8%. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), dados de 2010, foi de 0,776 o que situa o município na faixa de Desenvolvimento Humano Alto (IDHM entre 0,700 e 0,799). A dimensão que mais contribui para o IDHM do município é Longevidade, com índice de 0,833; seguida de Renda, com índice de 0,782; e de Educação, com índice de 0,716. 

O total de receitas realizadas (2017) foi de R$ 297.865,90 (×1000), e o total de despesas empenhadas (2017) foi de R$ 234.782,89 (×1000).

Saúde

A taxa de mortalidade infantil média em Erechim é de 7.46 para 1.000 nascidos vivos. As internações devido a diarreias são de 1 para cada 1.000 habitantes. Comparado com todos os municípios do estado, fica nas posições 223 de 497 e 199 de 497, respectivamente. Quando comparado a cidades do Brasil todo, essas posições são de 3650 de 5570 e 2419 de 5570, respectivamente.

Território e Ambiente

Erechim apresenta 90.2% de domicílios com esgotamento sanitário adequado, 78.4% de domicílios urbanos em vias públicas com arborização e 39.3% de domicílios urbanos em vias públicas com urbanização adequada (presença de bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio). O bioma é da mata atlântica e pampa.

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