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Rural

Aftosa: livre sem vacinação, mas cuidados devem ser redobrados

“A partir de agora é preciso muita atenção, em especial do produtor rural, para que qualquer sinal diferente de animal babando, mancando, com febre, aftas, avise a Inspetoria Veterinária”, diz fiscal

Produtor não vai mais precisar vacinar os animais
A estratégia mudou e o produtor tem que estar vigilante
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

O Rio Grande do Sul foi reconhecido como livre da febre aftosa sem vacinação. A confirmação veio depois da assinatura de uma instrução normativa pela ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, na noite de terça-feira (11). E, agora, o que muda com esse novo status?

Conquista

Conforme a fiscal estadual agropecuária, Michele Maroso, da Inspetoria de Defesa Agropecuária de Erechim, o novo status livre de febre aftosa sem vacinação é uma conquista. “A partir de agora não vacinamos mais”, diz.  

Ela explica que o Rio Grande do Sul está sem foco de febre aftosa desde 2001, ano em que registrou os últimos casos. “Os estudos feitos de sorologia e circulação viral mostram que não temos mais o vírus da febre aftosa circulando no Estado, então, isso nos dá uma segurança muito grande para retirar a vacina”.  

Efeitos

A fiscal estadual agropecuária observa que um estado que não tem febre aftosa significa que ele faz o seu papel e o serviço veterinário está bom. Agora, o estado que não tem febre aftosa, e não vacina, tem um serviço de saúde veterinária de excelência. “Isso porque essa é uma doença que mede como o serviço veterinário de modo geral está agindo, tanto oficial, privado e os produtores rurais”, afirma.

Mercados

Segundo Michele, esse status vai abrir novos mercados para venda, mas primeiro, será preciso pleitear na Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) esse reconhecimento, que deve vir até maio de 2021. “Temos um período de transição, e depois que tiver esse aval, ele vai nos abrir portas para mercados que pagam melhor”, afirma.  

Proteína animal

E, acrescenta, “ampliará o mercado da proteína animal em geral, carne bovina, suína, por exemplo”.

Setembro

Ela afirma que o produtor não vai mais precisar vacinar os animais.

Cuidados

No entanto, a fiscal estadual agropecuária enfatiza que a retirada da vacinação é um passo muito grande. “Nos tornamos um estado de excelência em sanidade, mas os cuidados terão que ser redobrados, porque a vacina era uma ferramenta que dava certa proteção. A partir de agora é preciso muita atenção, em especial, do produtor rural, para que qualquer sinal diferente, de animal babando, mancando, com febre, aftas, avise a Inspetoria Veterinária, e isso envolve produtores de leite, carne, suínos”, afirma.  

Além dos produtores aumentarem a vigilância, já que estão todo o dia com os animais, o serviço veterinário oficial, que se empenhava seis meses em fazer a vacinação, agora vai estar aberto, neste período, para ir as propriedades e verificar os animais. “Vamos mudar a vigilância e o trabalho vai aumentar. Antes fazíamos a vacinação, agora vamos fazer a inspeção clínica dos animais, e será importante o produtor nos receber e ter uma estrutura mínima para que se possa fazer a inspeção dos lotes. A colaboração do produtor é fundamental”, observa.

Setor privado

Os profissionais do setor privado também podem desempenhar um papel fundamental nesse processo. “Médicos veterinários, técnicos agrícolas, zootecnistas, que vão todos os dias na propriedade, também podem ter o olhar clínico, e qualquer situação diferente comunicar a Inspetoria Veterinária, pra que se possa agir o mais rápido possível”, explica.

Mudou a estratégia

Segundo Michele, a estratégia mudou e o produtor tem que estar vigilante e ser parceiro da Inspetoria Veterinária. “Para que se possa manter a conquista desse novo status”, diz. 

Desafio

“O grande gargalo, a partir de agora, será manter esse status, livre de aftosa sem vacinação. O Rio Grande do Sul não trabalha com o sistema de rastreabilidade como ocorre em Santa Catarina, então, nessa questão de trânsito e troca de animais tem que ser muito responsável. A rastreabilidade é por documentação, GTA, então, precisa ser bem-feita, porque se acontecer alguma coisa será fundamental para saber da onde veio o animal e pra onde foi”, ressalta.

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