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“Ser pai é o meu projeto de vida”

Excesso de informação, nos dias de hoje, atrapalha a educação dos filhos, afirma o caminhoneiro, Juliano Ferreira

O excesso de informação é um ponto que dificulta a educação dos filhos
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

O caminhoneiro, Juliano Ferreira, 42 anos, há dois anos e meio decidiu mudar de profissão e encarar os desafios da estrada para proporcionar mais qualidade de vida e bem-estar para sua família.

“Ser pai é o meu projeto de vida, e eu faço tudo pelos meus filhos. Ser pai é sinônimo de respeito, carinho, mesmo que eu não conviva muito com eles, pai é pai”, afirma.

Juliano tem dois filhos, um de 7 anos e outro de 12 anos, Rafael e Arthur. Ele afirma que é difícil ser pai hoje em dia, e um dos motivos se deve ao excesso de informação que os filhos têm acesso.

“A comunicação está muito rápida, principalmente pela Internet. Ninguém mais vive como nós vivíamos antigamente, que tinha que buscar a informação, hoje ela vem e de maneira muito rápida”, comenta.  

Ele afirma que todas as crianças e pré-adolescente estão ligadas 24 horas na comunicação e isso traz dificuldades. “Porque como pai é difícil manter os valores de família que a gente tenta repassar aos filhos”, diz.

E um dos efeitos disso é a falta de respeito com os mais velhos. “Se está perdendo o respeito pelas pessoas antigas, a gente nasceu naquele sistema em que precisava dizer obrigado, pedir licença, por favor. Essas palavras básicas não existem mais, a disciplina não se desenvolve mais nas crianças porque a comunicação estraga, por mais que se coloque limites”, observa.

Segundo Juliano, o excesso de informação é um ponto que dificulta a educação dos filhos e concorre diretamente com os valores da família criando uma linha paralela, gerando muita autonomia, conflitos emocionais. “A índole da criança muda porque ela vê uma informação e acha que aquilo está correto e na verdade não é. Não dá para acreditar em tudo que se ouve e escuta, então, dá minha época para cá é muito diferente”, diz.

Ele conta que em função da sua profissão de caminhoneiro chega a passar meses fora de casa, mas sempre pensando nos filhos. “Abandonei a minha carreira para dar uma vida melhor para eles. Eu era comprador, sou graduado e pós-graduado em engenharia de produção. Mas gosto também de estar em cima do caminhão, e Erechim não te dá espaço para desenvolver o que se sabe”, afirma.  

Conforme Juliano, neste momento de pandemia do coronavírus tudo gera medo, desconfiança e incerteza. “Mas não dá para parar porque as contas continuam, a vida continua, tem que pagar colégio, água, luz, telefone, normalmente, e não se tem segurança do que se está fazendo”, afirma.

De modo geral, conta ele, o caminhoneiro sai e não sabe se volta, passa 24 horas correndo risco de assalto, acidente, tudo. E acrescenta, “a pandemia trouxe muita insegurança, quando volta para casa é um alivio, mas ao mesmo tempo se tem medo, a gente entra na tua casa, mas não sabe se está com o vírus”, diz.

Ele explica que ser caminhoneiro, ter o próprio caminhão, tem um custo alto hoje em dia. “O caminhoneiro não vive mais do caminhão, se mantém, paga as contas de casa e só. Não gera lucro, não consegue almejar crescer mais, fica estabilizado num patamar”, diz.

“Feliz Dia dos Pais e, neste momento, é importante pensar nos pequenos, não adianta deixar as crianças dentro de casa só na Internet, porque aí está o mal que a gente está gerando futuramente. Tem que investir na educação dos filhos, é isso que vai proporcionar uma vida melhor para eles no futuro”, diz.

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