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Rural

“Seria uma supersafra”

Afirma produtor de laranja de Marcelino Ramos, Cleovane Mazutti, que investiu para colher bem, mas teve quebra de produção em função da seca que afetou o Alto Uruguai

“Minha adubação era para ter uma produtividade de mais de 60 toneladas por hectare, vou chegar numa
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Com uma produção realizada, basicamente, pela agricultura familiar, a colheita da safra da laranja está iniciando no Alto Uruguai. A citricultura se destaca como sendo um dos setores agrícolas mais importantes da região, o carro-chefe dos produtores de fruta. Atualmente, são 1700 produtores e cerca de 2884 hectares de pomares, sendo 80% dessa área cultivada com a variedade valência, com mais de 60% da produtividade comercializada para a indústria.

Segundo o produtor de cítricos, Cleovane Mazutti, de Marcelino Ramos, que cultiva sete hectares de pomar de laranja, a produção poderia ter sido muito maior se não fosse a seca que atingiu toda a região e trouxe perdas para o campo. “Seria uma supersafra”, afirma.

Ele explica que a produtividade varia muito conforme o investimento que se faz na cultura com adubação e tratamentos, o que acaba, também, refletindo nos custos de produção. “Minha adubação era para ter uma produtividade de mais de 60 toneladas por hectare, vou chegar numa média de 40 toneladas por hectare”, diz. 

E, acrescenta, a produção de laranja movimenta uma cadeia de serviços e produtos. “Os resíduos da laranja, o bagaço, voltam da indústria para alimentar o gado de leite. Então, é uma corrente. Além disso, a cultura da laranja gera retorno de ICMS para o município”, afirma.   

Cleovane comenta que o preço hoje varia entre R$ 300 e R$ 350 a tonelada. “Nós fizemos um grupo de venda direto com a indústria e conseguimos R$ 350 a tonelada, mas foi um contrato de mil toneladas”, explica.

No entanto, diz ele, se comparar o preço pago aos produtores com os valores comercializados em São Paulo, o valor está bem abaixo. “Dá uns R$ 100 a menos a tonelada, já que mercado de suco está aquecido pela covid-19”, afirma.

Por outro lado, Cleovane comenta que o mercado da fruta in natura está bem travado, porque os consumidores estão segurando para comprar outras frutas. “O que está girando bem é a bergamota, que fica em torno de R$ 1,20 a R$ 1,50 o quilo, mas é mais comercializada no estado do Paraná”, diz.

A colheita

Conforme o citricultor, a colheita da safra está em andamento e vai terminar depois da florada, por causa do clima que não esfria e antecipa a chegada da flor.

Fruticultura

Segundo engenheiro agrônomo, Luiz Angelo Poletto, assistente técnico regional em Sistemas de Produção Vegetal da Emater/RS-Ascar, a fruticultura está crescendo na região e só nos últimos três anos ampliou em 500 hectares a área plantada com frutas. Entre os segmentos que se destacam está a produção de morango, noz-pecã, e, principalmente a citricultura, que é o carro-chefe da região.  

Poletto afirma que neste ano a previsão de novas áreas cultivadas de cítricos chega a 100 hectares, o que representa menos do que os produtores implantaram no ano passado e retrasado. Hoje, o Alto Uruguai tem 2884 hectares plantados de laranja.

Segundo o agrônomo da Emater, neste período, tem muitos produtores colhendo de forma adiantada, uma a fruta com baixo grau brix já que não está totalmente madura, e uma das razões pode ser as dificuldades financeiras. O preço que está sendo comercializado na propriedade de R$ 0,30 o quilo e no comércio R$ 0,34, é baixo. A fruta in natura está em torno de R$ 0,50 por quilo, de boa qualidade. “Hoje, só temos para ser vendida a laranja valência”, diz.

Ele acrescenta que as condições meteorológicas têm acelerado a floração, que está mais precoce do que em outros anos. E, isso preocupa, porque pode ocorrer algumas geadas tardias.

Retorno

Conforme Poletto, se um hectare produzir, em média, 30 toneladas sendo comercializado o quilo a R$ 0,30, isso daria R$ 9 mil de rendimento por hectare. Desse valor, cerca de 3% retorna para o município, R$ 270. Se multiplicar por 2884 hectares dá R$ 778.680 em retorno de ICMS para os municípios produtores da região, se os agricultores tirarem nota.

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