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Energia elétrica: com prejuízos no campo, lideranças cobram mais qualidade

Em reunião on-line na tarde de hoje (6), promovida pelo Sutraf com o apoio da Amau, gestores públicos e representantes de entidades debateram sobre a necessidade emergente de melhorias

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Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

O ciclone da semana passada ocasionou problemas sérios que ainda refletem no dia a dia de muitas propriedades rurais da região. Uma das principais complicações esteve relacionada a falta de energia elétrica e a demora pelo reestabelecimento do serviço. Preocupados com essa situação, representantes de entidades como o Sindicato Unificado dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do Alto Uruguai (Sutraf-AU), com o apoio da Associação de Municípios do Alto Uruguai (Amau), promoveram uma reunião on-line na tarde de hoje (6).

Na oportunidade, os gestores debateram sobre a necessidade emergente de melhorias no setor, para que seja possível a manutenção dos trabalhos, evitando agravantes que interfiram na geração de renda das famílias.

A Creral esteve representada no debate. A RGE não participou da reunião e afirmou que não teria condições, pois a prioridade são os consertos pela região.

Exposição de ideias

O presidente da Amau e prefeito de Ipiranga do Sul, Mário Ceron, afirmou que todos se sensibilizam com essa situação complicada que muitos produtores enfrentam. “São perdas materiais que se ampliam com o fato de muitos não conseguirem exercer as atividades por falta de energia elétrica e por consequência, de água”, comentou.

Segundo ele, seria fundamental um novo plano de ação para a prestadora de serviços e um monitoramento da sua aplicabilidade, solicitando mais rapidez nas resoluções.

O presidente da Sutraf, Douglas Cenci, afirmou que a reunião foi decidida pela manhã e segundo ele, o tempo é curto para tomar essas iniciativas que precisam ser imediatas. “Chegamos à conclusão de que é preciso tornar os debates mais abertos e públicos para buscarmos alternativas de resolução desse problema da energia elétrica. Em 2011 foi registrado algo parecido, contudo, atingiu todo o Estado. Desta vez, a problemática afetou mais a região e vários municípios, especialmente produtores, sofreram as consequências”, avaliou.

Para Douglas, a reunião foi fundamental, pois possibilita a organização das diversas entidades no sentido de unir forças para solucionar o problema. “Muitas questões já foram resolvidas depois de 2011, porém, o ciclone recoloca essa discussão. A partir de agora a ideia é acompanhar toda a situação, auxiliar a RGE para reestabelecermos a energia e na próxima semana o grupo volta a se reunir. O objetivo é encontrar uma forma de prevenir outros agravantes como esse”, reiterou.

O representante da Creral, João Alderi do Prado, comentou que a alteração nas condições do tempo foi muito complicada e surpreendeu a própria cooperativa. “Nunca havíamos visto algo parecido na nossa área de atuação e em todos os municípios ao mesmo tempo. Na terça-feira todas as linhas estavam fora, além da usina. Muitos cabos arrebentados  e árvores caídas. Todas as equipes foram à campo e atuaram até a madrugada”, afirmou.

O diretor do Procon, Márcio Mach, relatou que o órgão já vinha atuando na questão das faturas, em que consumidores questionaram muitos valores. “Nessa semana acredito que o trabalho pode se intensificar. Há muitos consumidores que não estão conseguindo encaminhar suas demandas pelos canais digitais”, pontua.

O prefeito de Aratiba, Guilherme Granzotto, citou que o problema está muito além da região. “Acredito que a solução deve ser buscada em âmbito estadual, com uma conversa direta com a concessionária. Sempre fomos muito bem tratados pela RGE, porém, é preciso encontrar formas de alinhar mudanças para que os investimentos que estão sendo feitos, principalmente na agricultura, não sejam prejudicados. Aratiba, por exemplo, investiu R$ 60 milhões em um ano e muitos produtores estão desanimados”, comentou.

A prefeita de Itatiba do Sul, Adriana Tozzo, salientou que no fim de semana esteve auxiliando a RGE no mapeamento dos postes caídos. “Acredito que são dois aspectos principais: um relacionado à questão de troca dessas estruturas e o outro diz respeito à organização das equipes quando ocorrem eventos dessa magnitude”.

Segundo ela, uma ação importante seria acionar o Ministério Público para auxiliar nesse processo.

Produtores relatam alternativas para amenizar prejuízos

O jovem produtor rural, Aliceu Mader, de Benjamin Constant do Sul, contou à reportagem que ficou quase seis dias sem luz. “Nos vizinhos retornou antes, mas na nossa propriedade, em razão da rede em mau estado, ficamos mais dias sem energia. Um transtorno muito grande, tivemos que buscar um gerador e gastamos bastante combustível para amenizar os prejuízos”.

Ele e a família atuam no ramo da atividade leiteira. “Tivemos que mudar os horários da ordenha (os animais já sentem essa diferença), sempre observando a questão do resfriamento para não perder a qualidade. Queimou uma placa na ordenhadeira e aguardamos uma nova, vinda de Chapecó. A lavagem dos equipamentos, para aquecer a água, teve que ser por meio de fogão à lenha, pois não é possível usar o gerador, então envolve muito tempo e trabalho. O gerador foi ligado à noite e pela manhã, antes da ordenha. Calculamos um prejuízo aproximado de R$ 150 por dia”, explicou.

Aliceu disse que a média de produção girava em torno de 450 litros/dia e com a falta de energia, diminuiu para 370 litros/ dia, com os mesmos animais. “A manutenção de um poste teria corrigido tudo isso. Começamos agora um tratamento para mastite, para prevenir que algum animal adoeça. Até o momento nenhum apresentou sintomas, mas é preocupante, eles sentem o impacto”, acrescentou.

Ademir Baldo reside na comunidade de São João, em São Valentim, localizada há seis quilômetros do centro do município. Ele também enfrentou desafios extras na jornada de trabalho com a agroindústria de queijo. “Ficamos dois dias e meio sem luz e na nossa região teve muito vento. Muitos postes registraram problemas e os vizinhos contabilizaram prejuízos. Temos um gerador de energia mas não podíamos deixar o equipamento ligado o tempo todo. Gastamos bastante gasolina para conseguir manter os produtos resfriados”, destacou.

 

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