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Adoções: gestos de amor e carinho vencem a pandemia

Em menos de um mês, foram concedidas nove guardas com fins de adoção e seis colocações em famílias extensas

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Foram seguidas as mesmas regras, com uma agilidade mais expressiva, em razão da pandemia
Juiz Samuel Borges
Por Izabel Seehaber * Colaborou: Salus Loch
Foto Divulgação

Em plena pandemia causada pelo novo coronavírus, onde muitas atividades e serviços sofrem os efeitos do isolamento domiciliar e restrições de contato, um fato positivo envolveu crianças e adolescentes que estavam no Lar da Criança em Erechim. Isso porque, em menos de um mês, foram concedidas nove guardas com fins de adoção e seis colocações em famílias extensas.

Nada melhor que abordar esse tema, após ser celebrado ontem (25), o Dia Nacional da Adoção.

O juiz da 3ª Vara Cível, Especializada em Família, Sucessões, Infância e Juventude, Samuel Borges, comenta que, tanto o processo de adoção como o de colocação em família extensa (aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal, formada por parentes próximos com os quais a criança ou o adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade), seguem cuidados rígidos. “Nesse caso, seguiram-se as mesmas regras e medidas com o diferencial da agilidade mais expressiva, que foi possível em razão da pandemia. É algo que não podemos errar, pois causa toda uma expectativa na criança ou adolescente que aguarda a possibilidade de uma família acolhê-la”, reforça.

Instituição de acolhimento

Conforme o magistrado, a criança ou adolescente é acolhida em uma instituição em situações muito graves, quando não se vislumbra a manutenção dele no meio da família biológica. “Antes de qualquer medida de acolhimento, se esgotam todas as tentativas administrativas. Contudo, há problemas que não tem como aguardar, tais como abuso, por exemplo. Diante disso é preciso buscar uma alternativa de imediato”, salienta.

Ao ser acolhida, é feito um acompanhamento, seja por parte da rede como também por parte da equipe técnica da instituição, que no caso de Erechim é o Lar da Criança. É realizada, ainda, uma avaliação da família e se há possibilidade de encaminhamento da criança a um familiar, que tenha vínculo de afinidade e afetividade.

Se não houver essa possibilidade, é optado pela outra alternativa, que é a adoção por uma família substituta. Vale destacar que a criança ou adolescente só é colocado para adoção em alguma família, após a sentença do juiz. Diante disso, há possibilidade, ainda, de recurso por parte dos pais.

Adaptações

Considerando os trâmites informatizados e uma série de outras ações que envolvem o processo de adoção, a psicóloga e coordenadora técnica do Lar da Criança de Erechim, Adriana Regina Secchi, explica que em alguns processos, houve finalização com a sentença de destituição do poder familiar e outros vinha sendo realizado o trabalho de busca por familiares. “Quando iniciou a pandemia, tudo paralisou por uns dias até que tentamos encontrar soluções que não colocassem em risco a equipe e os acolhidos. A busca por família extensa, que é feita pela equipe técnica da instituição, precisou ser adaptada aos novos recursos. Ao invés de uma visita domiciliar, onde a equipe vai até a casa da família, os contatos precisaram ser virtuais, do mesmo modo que as entrevistas. A família mostrava a casa por vídeo chamada. Pelo mesmo modo, as crianças e adolescentes acolhidos falavam com seus familiares”, relata.

Já as adoções, estas feitas por adotantes habilitados no Cadastro Nacional de Adoção, foram realizadas pelo Juizado. “Em quatro situações os adotantes foram chamados e a aproximação se deu da mesma forma, com contatos diários. Uma das adoções contou com o apoio do Instituto Amigos de Lucas de Porto Alegre que possui grande experiência nesta área da busca ativa e que colocou uma família pretendente em contato conosco”, comenta, pontuando que dois casais são da comarca de Erechim, dois de Porto Alegre e Estância Velha. “Durante a aproximação virtual, fomos conversando e mantendo o juizado e o Ministério Público informados. Até que o grande dia chegou: os adotantes vieram buscá-los. Foi emocionante, diferente das outras vezes pelos cuidados, mas uma ocasião que proporcionou muitas lágrimas de alegria. Foi o dia que o vírus perdeu para a adoção, para o amor”, reitera Adriana.

Atividades promovidas no Lar

De acordo com a psicóloga, neste momento em que as aulas estão suspensas, todas as demais atividades do Lar, precisaram ser readaptadas. “Elaboramos um protocolo conforme as orientações do Ministério da Saúde, da Assistência Social e da Justiça. O documento foi apresentado ao Ministério Público e Juizado e os contatos familiares são feitos por vídeo chamada. As audiências são virtuais e, felizmente, até o momento, não tivemos intercorrências. As medidas de distanciamento social e isolamento estão sendo seguidas à risca, bem como a disponibilização de EPIs aos funcionários que mantiveram as atividades”, reforça.

Adriana salienta que a instituição realiza um serviço que não pode fechar, então, tudo foi feito para proteger os acolhidos e os funcionários. “O afastamento dos voluntários que fazem parte do grupo de risco também foi necessário. Ao mesmo tempo, procuramos realizar atividades diversificadas e as crianças e adolescentes participam de aulas on-line. Com o auxílio do município, que desenvolve um projeto conosco foi possível a compra de tablets”, cita.

Atualmente 31 crianças e adolescentes estão acolhidas no Lar da Criança de Erechim.

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