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Rural

Pandemia gera impactos à rotina da cidade e do campo

Enquanto muitas famílias do meio urbano estão em suas casas e vários estabelecimentos suspenderam as atividades, no meio rural os produtores temem perdas de produção

Muitos produtores intensificam seus esforços e estão focados na colheita da soja
Por Izabel Seehaber
Foto Lidio Cuff

Ao considerar esse momento de tensão e incertezas, em meio a uma situação de pandemia, em que muitas pessoas do meio urbano estão em suas casas e vários estabelecimentos suspenderam suas atividades, no campo a realidade é diferente. Muitos produtores intensificam seus esforços e estão focados na colheita da soja, a qual deve prosseguir, pelo menos até o fim do mês.

De acordo com o presidente do Sindicato Unificado dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Alto Uruguai - Sutraf, Douglas Cenci, esse é um momento onde o trabalhador do meio rural, não tem condições de parar. “Embora seja mais fácil de tomar os cuidados preconizados, pois não há aglomeração, as dicas e cuidados também são intensificados para garantir a prevenção ao novo coronavirus”, pontua.

Além do setor de grãos, o cenário também é semelhante em outras atividades agrícolas. “Os animais precisam ser alimentados, as vacas ordenhadas, enfim, as práticas não podem parar. Contudo, a rotina está diferente no que se refere às preocupações. Procuramos orientar as famílias sobre todas as medidas de higiene e pedimos para que evitem ao máximo a ida até a cidade. Ao mesmo tempo, toda a produção continua a ser feita, pois muitas famílias do meio urbano também precisam desses alimentos”, relata o presidente da entidade.

Atendimentos prosseguem, mas à distância

Douglas comenta que o Sindicato suspendeu os atendimentos presenciais por tempo indeterminado e prossegue os trabalhos via telefone e whatsApp. “Precisamos continuar, tanto no sentido de orientar, como também de atender algumas demandas, como é o caso de muitos produtores de hortaliças da região, por exemplo. Eles atuavam na feira ou no comércio de porta em porta, ou ainda, as pessoas iam até às propriedades para adquirir os produtos, e agora tiveram a comercialização interrompida. Isso gera uma preocupação, pois é uma perda econômica, além do desperdício dos itens”, explica.

Alguns produtores estão dispostos a doar parte da produção e está fazendo um debate para viabilizar uma alternativa de diminuir os prejuízos.  “Atualmente, várias categorias estão com os trabalhos suspensos e a preocupação maior é com os autônomos. Afinal, como essas pessoas poderão se alimentar em meio a uma situação delicada como essa? De que forma o poder público pode organizar uma sistemática? Acredito que é possível construir um canal onde as pessoas consigam adquirir, talvez por um preço menor, ou ainda, que os produtos possam ser entregues para quem está em uma situação mais complicada do ponto de vista financeiro”, declara.

Segundo Douglas, entre as alterativas pensadas está a organização de cestas ou conseguir, via governo do Estado, mais um suporte por meio do Programa de Aquisição de Alimentos - PAA, pelo qual seria possível abrir uma chamada para que o governo possa comprar esses alimentos dos produtores e doar para quem tem mais necessidade. “Temos consciência de que as consequências econômicas irão se refletir nos próximos meses. Nesse sentido, é preciso nos organizar para conseguir atender a essas demandas no próximo período também”, destaca, citando, ainda: “O mundo irá vivenciar tempos difíceis no sentido econômico. Nossa preocupação maior diz respeito ao poder aquisitivo das famílias, afinal, as pessoas precisam de dinheiro para comprar os alimentos. Se o governo brasileiro, desde o âmbito municipal até o federal, não conceder um aporte de recursos e possibilitar que elas reestabeleçam seu poder de consumo, isso irá impactar ainda mais o setor agrícola”, acrescenta.

Para Douglas, ao passo que existe a clareza de que a saúde está em primeiro lugar, em paralelo há essa preocupação coletiva em fazer com que esse alimento que continua a ser produzido, chegue à mesa da população, sem chegar prejuízo para quem tem menos condições.

 

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