No próximo dia 3 de janeiro de 2020, completa um ano, que parte de um muro interno do Presídio Estadual de Erechim desabou. A obra de reconstrução demorou para iniciar, e a empresa que executa a reforma, solicitou à Susepe um aditivo no contrato para concluir a edificação.
A informação obtida pelo Jornal Bom Dia é de que a obra tinha sido paralisada em função desse pedido. Em contato com a Assessoria de Comunicação da Susepe em Porto Alegre, o órgão respondeu que “conforme contato com a secretaria de Obras e com a empresa, informamos que a obra no Presídio de Erechim não está paralisada, inclusive hoje (27 de dezembro) estão trabalhando no local. Além disso, já está em trâmite a formalização de um aditivo de serviço para a conclusão”.
Em tempo
O novo Presídio Estadual de Erechim, está sendo discutido entre o Executivo e técnicos da Susepe que estiveram recentemente na área que o município, irá desapropriar, após ter a garantia dos projetos e dos recursos para execução. A expectativa é de que em março ou abril do ano que vem, seja apresentado o projeto ao município.
Queda do muro: quase um ano
A queda de um muro na parte interna do Presídio Estadual de Erechim ocorreu no fim da madrugada do dia 3 de janeiro deste ano. Ninguém ficou ferido e nenhuma cela foi atingida, porém um corredor foi interditado e os apenados precisaram ficar alguns dias sem acesso ao pátio, até que os entulhos fossem retirados. As celas 01 a 10 da Galeria "A" passaram a demonstrar risco de desabamento em razão das rachaduras que surgiram.
Vistoria
Na época, a Defesa Civil Municipal realizou vistoria no local e em laudo, informou que a ruptura ocorreu devido a um “colapso na estrutura de alvenaria na qual foram fixadas as telas de proteção, sendo que também sofreu danos o telhado da instituição prisional”.
O laudo dizia ainda que, devido ao desmoronamento, o telhado da instituição prisional foi deslocado e “ainda está apresentando fissuras e partes soltas onde não sofreu colapso, que se encontra em eminência de risco da estrutura entrar em colapso e queda”.
No começo de fevereiro, atendendo solicitação do Ministério Público, a Vara de Execuções Criminais Regional de Passo Fundo determinou a interdição parcial do regime fechado do presídio, em razão de risco de desabamento da estrutura predial da Galeria "A".
Fuga
Na madrugada de 17 de fevereiro, 13 apenados conseguiram escapar do presídio. Pela manhã, a Susepe divulgou nota informando que a fuga “se deu pela fragilidade estrutural do Presídio”. Quatro detentos foram presos minutos depois, mas as buscas pelos outros nove se estenderam por vários dias. No período, em 21 de fevereiro, o foragido Bruno Maximo de Campos, de 21 anos, assaltou a loja Soccol Barbieri Peças, na Rua Valentim Zambonatto, centro, e na fuga matou com um tiro o empresário Rogério Paulo Soccol, 54 anos. O fugitivo também rendeu um cidadão e roubou seu carro para fugir. Ele foi preso cerca de duas horas depois, após cerco no Bairro Aldo Arioli.
Superlotação e transferência de detentos
O presídio, que possui capacidade para 230 apenados, na data da fuga estava comportando cerca de 600, e como medida para atenuar a superlotação, a justiça determinou a transferência de 213 detentos, sendo que 60 foram remanejados para outras celas no local. A população carcerária reduziu para 447 presos e atualmente já estaria com aproximadamente 500.
Nova vistoria
No final de fevereiro, uma nova vistoria foi realizada e autoridades chegaram a pedir interdição total da penitenciária, devido à precariedade e fragilidade da construção, o que não aconteceu. Na data, o delegado da 4ª Delegacia Penitenciária Regional, Marco Antonio Abreu do Couto, disse que “o presídio de Erechim tem suas deficiências, mas tem uma ala que é muito boa. Com certeza, nós temos no estado e no país, cadeias com maiores dificuldades”.
Reconstrução
Após cinco meses da queda do muro, no dia 10 de junho, o secretário de Administração Penitenciária, Cesar Faccioli, esteve em Erechim e confirmou que a reforma do local começaria nas próximas semanas.
Durante a visita ao município, Faccioli participou de uma reunião com o Ministério Público, representantes do judiciário, prefeito de Erechim e lideranças da região. No encontro, que aconteceu nas dependências do Fórum, o secretário explicou que uma empresa foi contratada de maneira emergencial para realizar a obra e que após a assinatura do contrato, teria prazo de 60 dias para concluir os trabalhos.
Mais uma fuga
Na tarde de domingo do dia 03 de novembro, o detento, Caion Mikael de Camargo, usou o muro que estava em reforma para fugir do presídio. De acordo com informações da Susepe, por volta das 16h28min, Caion, que é apenado do regime fechado, invadiu a área de segurança próxima ao local das obras, escalou o telhado e pulou para a rua.
Na sequência, ele correu e escondeu-se no mato do Parque Longines Malinowski. A Brigada Militar cercou a área e as buscas prosseguem.
Desde 2009
Desde 2009 que autoridades e entidades de Erechim se mobilizam para construir um novo presídio na cidade. Aposentar o antigo prédio que hoje serve como penitenciária é uma necessidade.
Com o passar do tempo e sem investimentos significativos, o local ficou em ruínas, superlotado, chegou a ter duas alas interditadas e os órgãos de segurança trabalham com efetivo abaixo do necessário. A estrutura é tão precária que, em alguns pontos basta uma colher para escavar paredes.
Ações
No dia 28 de fevereiro deste ano, após a morte do empresário Rogério Paulo Soccol, entidades representativas, comunitárias, empresários e comunidade em geral se uniram e fecharam as portas dos seus estabelecimentos para participar de um ato público na Praça da Bandeira. A intenção era lembrar o sétimo dia do trágico acontecimento que vitimou Soccol e pedir a construção de um novo presídio em Erechim.
Na época, além do ato público e diversas reuniões com representantes do Estado, outras duas ações foram elaboradas:
1 - Uma Moção de Apoio à construção do novo presídio, por parte dos vereadores e buscando agregar o maior número possível de Câmaras Municipais da região da AMAU;
2- Abaixo-Assinado público envolvendo a população erechinense e regional.