“O Natal foi um período muito difícil da minha infância, de muitas dificuldades”, lembra o pedreiro, Luis Carlos dos Santos, quando o abordei e aceitou dar o seu relato de Natal para o caderno especial do Jornal Bom Dia.
“Antigamente, era bem diferente de hoje, éramos cinco irmãos, a mãe e o pai tinham que fazer muito esforço para colocar comida na mesa. Não tinha presente”, lembra.
E, acrescenta, “no meu tempo não tinha Natal, não tenho vergonha de dizer isso, porque era muita pobreza. Eu ajudava os meus pais na roça, não comemorava o Natal, trabalhava direto. A gente passou muita dificuldade”.
Luis comenta que chegou a ir ao colégio com chinelo de dedo, um de cada tipo, levando o caderno num saquinho de arroz. “Se fizer isso hoje as crianças não vão na escola”, disse.
Hoje em dia, Luis faz um enorme esforço para conseguir presentear os filhos. “O que eu puder dar para eles eu dou, mas sempre transmito o que eu passei na infância. E, que é preciso ralar muito pra ter o que se tem hoje. Eu sempre explico para os meus cinco filhos como era o meu modo de vida antigamente. Tento passar isso pra eles”, diz.
Apesar das dificuldades, e não ter vivido o Natal, Luis faz questão de comemorar essa data com a família. “Hoje, eu comemoro e fiz do Natal uma data especial para minha família. Mostro como é importante a família estar unida, mas, também, como é difícil ter as coisas. É isso que tento passar aos meus filhos”, afirma.