Das 113 instituições de ensino da rede estadual da região, 20 já passaram pela iniciativa e hoje contam com espaços organizados e informatizados
Muitas vezes considerada ‘o coração da escola’, a biblioteca escolar é local de conhecimento, sendo capaz de proporcionar – através de seus variados livros - a ampliação de horizontes de quem a visita. Levando em conta esta premissa, esses espaços vêm ganhando atenção especial em uma iniciativa idealizada pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc): o projeto de revitalização das bibliotecas escolares.
Na 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) a iniciativa deverá atender a todas as 113 escolas estaduais da região. Desenvolvido pela coordenadoria pedagógica, desde março do ano passado o projeto já atendeu 20 instituições de ensino, que tiveram suas bibliotecas totalmente reorganizadas e informatizadas. A responsável pelo trabalho é a assessora de bibliotecas, Clairê Bresolin, que visita as instituições para promover a revitalização e orientar os responsáveis pelo setor em cada escola.
Antes de o projeto começar ser aplicado, a Seduc promoveu uma formação aos responsáveis pelo trabalho para que então estes aplicassem nas bibliotecas. “Além das orientações, nos deram um guia que explica o que podemos ou não fazer com os livros e como organizar as bibliotecas, bem como informatizá-las. A partir disto, fizemos encontros com os responsáveis por estes espaços nas escolas e então começamos a aplicá-lo. Regularmente fazemos novos encontros para apresentarmos os resultados”, pontua Clairê.
A coordenadora pedagógica da 15ª CRE, Katia Rossi, destaca que o principal objetivo do projeto é tornar as bibliotecas espaços mais atrativos e funcionais à comunidade escolar. “A ideia central é facilitar a vida dos professores e alunos para que eles possam ter melhor acesso aos acervos bem como possam ter controle sobre empréstimos, devoluções e, ainda, que saibam como são os procedimentos corretos de descarte das obras que não são mais utilizadas”, explica.
Clairê comenta ainda que inicialmente teve algumas resistências para intervir nas bibliotecas dentro das escolas em razão do receio de alguns professores em se desfazer de algumas obras. “Tínhamos livros didáticos antigos que já não havia mais necessidade de uso e que precisariam ser descartados, mas que os professores ficaram receosos. Por outro lado, durante a organização pudemos descobrir obras importantíssimas que nem mesmo as escolas sabiam onde estavam”, diz.
A assessora relata que para realizar o trabalho, é necessário um dia inteiro. “É um processo bem cuidadoso, todos os livros são catalogados, identificados e organizados. Demora, mas no final vale a pena. Depois de concluída a reorganização, são repassadas as informações ao responsável pelo setor em cada escola, pois será esta a pessoa que dará continuidade ao trabalho”, completa Clairê.
A coordenadora pedagógica enfatiza que a projeção é concluir a revitalização em todas as escolas, mas que todo o processo leva certo tempo já que envolve a questão de recursos humanos. “Na 15ª CRE escolhemos este projeto como prioridade, portanto, ele está acontecendo de maneira efetiva. Mas ainda assim, é um processo demorado, pois temos escolas em 41 municípios da região, sendo alguns mais distantes”, diz.
Biblioteca mais atrativa
Kátia salienta a proposta de tornar as bibliotecas mais atrativas aos estudantes. “Se a biblioteca não estiver organizada, o estudante não se sente estimulado a visitá-la, a escolher um livro para ler. Ele precisa ser instigado e, para isso, é preciso organizar os acervos por áreas de conhecimento, por literaturas para que tanto o aluno quanto o responsável pela biblioteca possam se encontrar. Assim, o estudante chega e já é direcionado às obras que lhe interessam”, pondera.
O Colégio professor Mantovani, de Erechim, é um dos que já passou pelo projeto, tendo sua biblioteca revitalizada. De acordo com o diretor, Roberto Bagatini, desde que o espaço foi reorganizado e informatizado, a escola já colhe bons resultados. “Agora tudo é muito mais funcional. Com a nossa biblioteca informatizada e online, os estudantes podem consultar nosso acervo de casa mesmo, o que se torna um atrativo para eles que estão sempre conectados. Além disso, podemos ter um controle geral de todas as obras, pois o sistema nos permite gerenciar os empréstimos, atrasos, devoluções. Desta forma, até mesmo os estudantes se sentem mais responsáveis pelos livros que pegam”, ponderou. Ele ressaltou ainda que a funcionalidade tem atraído os estudantes. “Isto é consequência também dos diversos projetos internos voltados ao incentivo à leitura que desenvolvemos na instituição”, completa.
15ª CRE: única do Estado com biblioteca
A 15ª CRE é a única coordenadoria do Estado que conta com uma biblioteca. Com um acervo de mais de mil obras, o setor busca incentivar a leitura entre os funcionários e professores da rede estadual. Também informatizada, conta com obras de Literatura Brasileira, Infantil, Infanto-juvenil, Educação, Pedagogia, Psicologia, Etnias entre outros periódicos. O espaço é aberto para os professores estudantes da rede estadual.