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Segurança

Moradores da região criam grupos de WhatsApp para ajudar na segurança dos municípios

Rede informa sobre presença de suspeitos e Brigada Militar realiza averiguação.jpg
Por Alan Dias
Foto Fernando Genro

Grupos de WhatsApp focados na segurança de comunidades se espalham pelo Brasil e já são realidade no Alto Uruguai. O funcionamento é simples, mas eficiente e tem auxiliado a Brigada Militar.

Entre os benefícios proporcionados pelos grupos estão o estreitamento de laços entre os moradores e o de servirem como uma maneira de proporcionar que a polícia localize pessoas e veículos suspeitos com maior rapidez.

Uma das maiores redes virtuais focada na segurança do Alto Uruguai, nasceu em 2017, no município de São Valentim, e atualmente conta com 110 pessoas. Em entrevista para o Bom Dia, o empresário no ramo funerário, Bombeiro Voluntário e idealizador do grupo, Vanderlei Maziero, conta que a ideia surgiu um dia após um amigo ter sido vítima de roubo no município e permanecer por horas trancado em casa.

“Em 22 de novembro de 2017, um conhecido estava entrando com sua caminhonete na garagem de casa e foi surpreendido por dois indivíduos armados. Eles invadiram a casa, amarraram ele no banheiro, roubaram vários pertences e fugiram levando a caminhonete, que até hoje não foi encontrada.

Ele ficou um longo tempo no banheiro pedindo por ajuda, mas ninguém ouviu. Até que conseguiu se soltar, pulou a janela e buscou socorro. A sorte é que a esposa e a filha recém-nascida não estavam em casa.

No outro dia resolvi juntar os amigos e criar esse grupo para comunicação, para o caso de a gente ver alguma coisa diferente ou suspeita, carro ou pessoa que a gente não conheça, que não seja da nossa comunidade. A gente vai se comunicando, vai saindo de casa com nossos carros e ajudando a Brigada Militar com informações”, conta Maziero.

 

Regras

O Bombeiro Voluntário explica que “é um grupo fechado. Muitas vezes a gente recebe no particular mensagens de pessoas que estão no grupo e querem que outras pessoas participem. Antes de a gente aceitar, faz uma verificação para ver a idoneidade da pessoa, o comportamento dela na comunidade. A gente não quer discriminar ninguém, desmerecer ninguém e nem levantar falsa suspeita, mas analisamos muito antes de colocar qualquer pessoa no grupo. Nele só é permitido postagens relacionadas à segurança do município, da comunidade. Nada de política, correntes, religião, bom dia, boa tarde, boa noite, nada disso é permitido”.

 

Abrangência

Hoje no grupo temos pessoas em todos os bairros e em comunidades como Vista Alegre, São João, Linha Canarinho e até Monte Alegre, que pertence a Barão de Cotegipe.

Muitas abordagens feitas pela Brigada Militar ocorreram devido a denúncias do grupo. Carros, motocicletas, ciclistas e até pedestres. O grupo auxiliou até na questão paz, do sossego público, pois quando temos uma pessoa incomodando com o carro, com a moto, a gente vai se comunicando com a Brigada Militar e eles fazem a abordagem. Eles (policiais) têm feito um trabalho excelente aqui na nossa comunidade. Estão de parabéns”!

 

Ponte Preta

Moradores de Ponte Preta tiveram a mesma iniciativa e também criaram um grupo para auxiliar na segurança, mas tendo como foco principal as comunidades do interior. E apesar de mais recente, a rede também já vem colhendo bons frutos

Um dos responsáveis pela organização e criação do grupo, o Gestor Público, Acácio Rodrigo Mentz, conta que a ideia surgiu no início de março deste ano, devido a “assaltos e roubos em residências na região, e pela dificuldade de comunicação entre os moradores e a Brigada Militar”.

Em oito meses de funcionamento, o grupo conta com 22 pessoas, entre eles o prefeito do município e o comandante da Brigada Militar de Ponte Preta, também mantém regras rígidas quanto a aceitar novos membros e não permite assuntos que não envolvam a segurança.

“Temos membros nas localidades de Linha 5 Canarinho, Linha 5 São José e Linha 4, abrangendo partes dos municípios de Paulo Bento e Ponte Preta. Todos possuem vínculo familiar ou são residentes nestes locais.

Ao serem incluídos, são repassadas informações necessárias para a participação bem como o conteúdo que pode ser postado. Após isso, os participantes são orientados para que ao perceberem algo suspeito, seja imediatamente postado no grupo, com as características do indivíduo ou do veículo suspeito e tudo é repassado aos demais e aos órgãos de segurança”, explica Mentz.

 

Resultados

O gestor Público conta que após o grupo começar a funcionar “tivemos uma redução significativa nas ocorrências, mas ainda acontecem alguns roubos. O trabalho realizado pela Brigada Militar após as denúncias, com abordagens e identificação de suspeitos, sem dúvidas, tem sido um fator importante na prevenção.

Como as localidades nem sempre possuem sinal telefônico, mas com a internet já disponível no meio rural, o trabalho de prevenção tranquiliza um pouco os moradores e traz maior segurança”.

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