O Tenente Coronel da Brigada Militar e Comandante do Batalhão de Aviação da BM, Luiz Henrique Genro, é daqueles profissionais que tem orgulho do que faz – e, também por isso, preza pela qualidade de sua liderança. Em entrevista ao Bom Dia, Genro, que tem relação direta com Erechim, explica como funciona o serviço, revela curiosidades a respeito do Batalhão e antecipa alguns desafios de sua área. Confira.
Com que sentimento, recém empossado no cargo, desempenha a função de comandante do Batalhão de Aviação do Estado?
É de imensa satisfação, pois falamos de uma Unidade que iniciou sua história em 1923, na Revolução Assisista. Em 1924, em virtude de custos de manutenção e de um acidente, o serviço foi interrompido, sendo retomado em 1989. Desde então, vem avançando na busca pela excelência.
No que consiste o trabalho do Batalhão? Quem pode solicitar o serviço?
Todo o nosso aparato de recursos humanos e materiais está à disposição da sociedade gaúcha para atendimentos que vão desde salvamentos até apoio em operações policiais. Na recente ocorrência de Três Arroios (assalto a banco), estivemos presentes, assim como na quase totalidade de situações similares. Em regra, o acionamento é simples e se dá em duas modalidades: eventos programados, através dos Comandos Regionais para o gabinete do Sub Comandante Geral da BM; ou, em casos de ocorrências de salvamento, buscas a desaparecidos e apoio aos OPM. O contato direto da Unidade se dá pelos números (51) 3341-0591 e (51) 3373-2850.
Qual é o perfil do profissional requerido?
É preciso estar muito bem treinado e preparado, pois o serviço exige mão de obra altamente especializada. Os Oficiais, do Comandante ao Capitão, desempenham as funções de “pilotos de aeronaves”, em paralelo com seus encargos administrativos, tal qual como nas outras Unidades da BM. Inclusive, um dos Oficiais que hoje é piloto de helicóptero é natural de Erechim, o Major Robson Camargo, que conheci no 13 BPM. Posso afirmar, com certeza, que contamos com uma equipe diferenciada. Já os sargentos e soldados são os chamados “Operadores Aerotáticos”. Eles precisam passar por seleção duríssima – treinados ao extremo para aprimorar habilidades essenciais, o que os torna um dos mais valiosos recursos que a BM dispõe. São exímios atiradores, dominam técnicas de atendimento pré-hospitalar, são especialistas no salvamento em altura, em terra e água. Também possuem treinamento de técnicas de sobrevivência em área rural e mata. Como Comandante, conheço bem cada um, e lhes digo que podem atender aos cidadãos com cortesia, assim como enfrentar qualquer combate armado com destreza e destemor.
Que fatos pitorescos poderia listar nessa sua caminhada?
Em 2010, por exemplo, passamos um baita susto: o trem de pouso de nosso avião não baixou e pousamos de barriga na pista da Base Aérea de Santa Maria. N ano de 2013, estávamos no casamento de um dos pilotos quando fomos acionados para uma das maiores tragédias do RS: o incêndio da Boate Kiss, também em Santa Maria, onde voamos dias a fio, transportando médicos, enfermeiros, equipamentos e vítimas. Por várias vezes fomos, e ainda somos, acionados para transporte de órgãos vitais e de enfermos. Temos um convênio fixado entre SSP (Brigada Militar) e SES (SAMU) que tem feito a diferença na vida de muitas pessoas – como exemplo no último dia 12, em Erechim, quando fomos os responsáveis pelo transporte das equipes médicas responsáveis pela captação de órgãos realizada no Hospital de Caridade. Se me permite, lembro de um transporte de coração de Navegantes/SC para PoA. Na oportunidade, retornamos no amanhecer de um sábado. Lembro que no final do dia recebi uma mensagem pelo WhatsApp do médico em questão, que encaminhava, a pedido do paciente, uma foto dele fazendo sinal de positivo. Isso fez valer o ano, pois este simples gesto é a maior das recompensas. Me emociono sempre que lembro disto e deixo claro aos meus comandados a mensagem: “estamos aqui para fazer o bem sem interessar a quem”.
Por que escolheu essa carreira? Como foi o passo a passo?
Minha carreira, enquanto policial militar, tem origem em casa, pois admirava demais ver o trabalho do meu pai. Depois de sair da Academia, comecei a trabalhar em Unidades de policiamento (11° BPM e Batalhão de Polícia de Choque, ambos em PoA). Mais tarde, migrei para Erechim, onde trabalhei no 13° BPM por alguns anos, de onde guardo ótimas lembranças. Durante este tempo, tive meu primeiro contato com a aviação, no Aeroclube de Erechim. Fiz curso teórico de piloto privado de avião, e iniciei as primeiras horas práticas de voo. Logo, a BM abriu edital de concurso para a aviação. Então pensei: por que não conciliar o trabalho com o gosto pela aviação? Deu certo. Mas o caminho foi e é árduo. Exige estudo, foco e dedicação. Hoje, digo que valeu a pena.
Que dicas daria aos jovens que buscam seguir semelhante trajetória?
Para os jovens, se pudesse dar qualquer conselho, seria o que sempre dou ao meu filho: escolha algo que te faça feliz, em primeiro lugar, pois dinheiro não é tudo. E complemento dizendo que independentemente da escolha, o tamanho do nosso sonho é delimitado apenas por nós mesmos. O melhor caminho a seguir, sempre, será o de ter determinação nos estudos. Não existe milagre.
Qual é sua relação com Erechim?
Minha relação com Erechim é muito estreita. Vim para a cidade com 14 anos. Participei de invernadas artísticas do CTG Galpão Campeiro e Sentinela da Querência. Minha família, originária de Santa Maria, adotou Erechim e hoje digo sempre que sou "erechinense de coração". Trabalhei de 1997 a 2005 no 13 BPM, Unidade pela qual tenho carinho muito especial, pois meu pai foi um dos comandantes. Nesta época, também fui aluno de Direito da URI, me formando em 2003. Minha esposa Lenara e meu filho Pedro Henrique são erechinenses. Sempre que possível, pegamos a estrada e corremos para Erechim, onde tenho a oportunidade de viver momentos agradáveis, reencontrando amigos e familiares. Resumiria minha relação com a cidade em poucas palavras: admiração, respeito, carinho e gratidão.
Quais desafios que estão no seu radar pessoal?
Meu próximo desafio será frequentar o curso de Especialização em Gestão de Segurança Pública, ofertado pela Corporação e que nos habilita à promoção ao último posto da carreira, o de Coronel. Enquanto gestor de uma Unidade Especial da BM, os compromissos são muitos, mas tenho dedicado atenção especial para a boa administração dos recursos humanos, que é o que temos de mais valioso, além da implementação de sistemas tecnológicos, tais com o Imageador Térmico (que já é uma realidade), um esquadrão de veículos aéreos não tripulados, e um sistema de gestão informatizado que possibilite ganho de tempo e qualidade nas questões voltadas ao RH, Logística e Orçamento, Operações e Manutenção de Aeronaves, pois essas são as bases do Batalhão de Aviação da BM.