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Ensino

Dia do Professor: desvalorização marca cenário do exercício docente

Para sociólogo Thiago Ingrassia Pereira, contexto se justifica pois há uma contradição na imagem pública da Educação

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Há cinco anos, professor Vinícius de Oliveira atua no ensino básica da rede estadual
Sociólogo e professor da UFFS, Thiago Ingrassia Pereira
Por Amanda Mendes
Foto ArquivoBD/Divulgação

A profissão que certamente esteve na lista de todas as pessoas, celebra hoje (15), o Dia dos Professores. Contudo, atualmente, seu prestígio reduziu drasticamente e sofre para conquistar o interesse dos jovens.

Para o sociólogo e professor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – campus Erechim, Thiago Ingrassia Pereira, esse cenário se justifica pois há uma contradição na imagem pública da Educação. “Existe um discurso de apoio pelo seu valor formativo nas dimensões cultural e profissional, mas na prática, encontramos desvalorização do exercício docente”. Além disso, frente à sociedade, Pereira argumenta que o senso comum tem disseminado alguns equívocos sobre a profissão. “Hoje em dia se acredita em algumas falácias, tais como, doutrinação ou que professores universitários trabalham pouco. E, enquanto as pessoas não despertarem para o contexto absurdo que vivenciamos será difícil falarmos em valorização dos professores”, acrescentou. Em 2019, o docente completou 16 anos de atuação, destes, nove foram na UFFS, e o sonho de lecionar estava presente desde o ensino médio. “Atualmente tenho 40 horas semanais com dedicação exclusiva. Isso significa que além das atividades de ensino na graduação e pós-graduação, atuo em projetos de pesquisa e extensão, bem como na gestão universitária - atualmente sou coordenador do Programa de Pós-Graduação Pro
fissional em Educação (PPGPE). Fora isso, sou orientador de trabalhos de conclusão de curso de graduação e de pesquisas de mestrados, participo de bancas da graduação ao doutorado em várias universidades, escrevo livros e artigos científicos, bem como organizo e participo de eventos acadêmicos. Também atuo na formação continuada de professores, ministrando palestras e cursos. Sou o atual presidente da Associação Brasileira de Ensino de Ciências Sociais (Abecs). Via de regra, trabalho entre 8 e 12h semanais em sala de aula, sendo o restante da carga horária distribuída nas diversas atividades mencionadas acima.  Isso sem contar a participação em espaços da mídia, como em rádios, jornais e portais de notícias, e a atuação junto a movimentos de defesa da educação pública e sindicato da minha categoria”, contou. Nesse sentido, a sociedade não percebe e, com isso, não valoriza as atividades que são realizadas fora da sala de aula. “O quadro não é simples, pois o apoio discursivo não se materializa em ações concretas de valorização dos profissionais da educação. Essa valorização passa e vai além da questão salarial, algo historicamente não resolvido em nosso país e isso tem contribuído para a relativamente 
baixa procura dos cursos de licenciatura. Como qualquer profissional, nós precisamos ser bem remunerados e ter condições adequadas para nosso exercício profissional. Incrivelmente, nossos governos atuais acreditam que com menos investimento, arrocho salarial e desmonte das carreiras, as contas públicas podem melhorar. É um tipo de pensamento que enxerga educação como gasto, não como investimento e condena nossos jovens a um futuro sombrio e nosso país a ser dependente da ciência e tecnologia produzidas em outros 
lugares”, argumentou Pereira. Com isso, ele acredita que o desenvolvimento do país passa pelo melhor reconhecimento dos professores. “Ser professor não é vocação, mas é uma forma de ser e estar no e com o mundo. Requer formação científica e sensibilidade social. Fora isso, não sairemos do lugar e seguiremos acreditando em um ‘remédio’ que está matando o paciente: afinal, baixo investimento em educação é bom para quem?”, questiona. A sensação de que falta estímulos concretos à educação é compartilhada pelo professor de ensino básico da rede estadual, Vinícius de Oliveira. “Atuo desde 2014, quando ainda estava cursando História na UFFS, campus Erechim, por meio dos contratos emergenciais do estado do Rio Grande do Sul, os primeiros anos foram os mais difíceis, como geralmente acontece em qualquer profissão. Com o tempo, aprendi a lidar com diversas situações dentro e fora da sala de aula, agir sob pressão e estresse, por exemplo. Nesse período, muita coisa mu
dou e percebo que a cada ano, a educação pública piora. E embora a sociedade argumenta que quer uma educação melhor, a realidade é bem diferente”. Para ele, a sociedade atribui um significado desacertado sobre o que é a escola. “Muitos enxergam esse espaço como um mero lugar para deixar seus filhos enquanto estão trabalhando. E, por isso, somos julgados quando buscamos por condições melhores. Estamos há cinco anos sem aumento ou reposição inflacionária, mas quem se importa? Sobre esse assunto, a sociedade civil silencia. Pior que isso, algumas pessoas avaliam isso de maneira positiva, pois se está ‘cortando gastos’. No entanto, a educação é investimento, nenhuma nação prosperou sem pesados investimentos na ciência e tecnologia”. Esse cenário traz frustração, mas Vinícius segue confirmando dia a dia sua escolha profissional. “Apesar de tudo, não me arrependo. A educação é uma bandeira que vale a pena lutar e dá significado a minha vida”, concluiu. 

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