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“Compreender a importância e os benefícios das árvores requer assumir uma nova postura ética e moral: da sustentabilidade”, diz engenheiro florestal

De 21 a 27 de setembro se comemora a Semana da Árvore

“Se todos, governos e sociedade, souberem cuidar desta extraordinária riqueza, e compreender sua mag
Por Assessoria de Comunicação
Foto Divulgação

“Árvores que fiam a vida, árvores que trazem desenvolvimento”, assim define a importância desse patrimônio o engenheiro florestal, Roberto Ferron, membro da Sociedade dos Engenheiros Florestais do Rio Grande do Sul, já que de 21 a 27 de setembro se comemora no Brasil a Semana da Árvore. “O nome do nosso país, chamado de Brasil, é originário de uma espécie florestal, o famoso Pau-Brasil”, diz.

Segundo ele, a árvore símbolo do Brasil é o Ipê Amarelo e do Rio Grande do Sul a erva-mate. “As árvores são cidadãos vegetais habitantes das florestas e as ‘fiadoras da vida’, pois proporcionam muitos benefícios a fauna, ao solo, ao clima, e ao próprio homem. Por isso, devem ser cultivadas, plantadas, homenageadas e reverenciadas, a fim de manter a biodiversidade sobre o planeta”, explica.

Ferron comenta que as árvores formam as florestas, que pelas suas múltiplas funções prestam relevantes serviços ambientais a sociedade, fornecendo abrigo (madeiras para construção civil), calor (lenha e carvão), alimentos (frutos, sementes, raízes), remédios (folhas, frutos, sementes, raízes), e na atividade econômica, denominada silvicultura, geram milhares de emprego, renda e impostos, pela produção de materiais de bens e consumo (papel, papelão, absorventes, cadernos, formulários, entre outros). Além de propiciarem as populações recreação e lazer.

“São filtradoras e sequestradoras de carbono (CO2), um dos grandes poluentes da atmosfera, e causador do efeito estufa e de mudanças climáticas. Os ecossistemas florestais são os responsáveis pelo armazenamento e fornecimento de água doce do planeta. São como esponjas, absorvem a água das chuvas, liberando-a gradativamente aos mananciais de água.  Não é por acaso, que o Brasil detém 12% da água doce da terra”, observa.

O engenheiro florestal comenta que a madeira é o mais renovável e sustentável de todos os materiais utilizados por “nossa cultura”. Isso porque, a madeira é constituída por 99% de ar e água, sendo 50% de carbono da atmosfera e 49% de hidrogênio e oxigênio da água, da energia do sol e de uma pitada de substâncias minerais retiradas da crosta da terra. “Esses quatro elementos: terra, ar, sol e água são básicos na constituição da madeira, que se forma por si mesmo nas árvores das florestas, através ao processo da fotossíntese em suas folhas”, diz.

A cada dia, os habitantes da terra usam 1,5 kg de madeira, sendo 50% para produção de energia; 35% para produção de madeira sólida; e 15% para produção de papel e celulose. Segundo a ONU, as florestas são o lar para 300 milhões de seres humanos e nelas encontra-se 80% da biodiversidade terrestre. Por isso, são um dos mais fantásticos ecossistemas terrestres. No planeta, 1,6 bilhão de pessoas dependem diretamente delas para sobreviver. No Brasil, 70% da população vive na área original da Mata Atlântica.

As florestas nativas somam apenas 36% do total de área de florestas em todo o mundo, já 57% são classificadas como áreas florestais regeneradas, e 7% são áreas reflorestadas (264 milhões de hectares). “A biodiversidade, que significa a diversidade de espécies vivas, como animais, aves, vegetais, fungos, algas e microorganismos é imensa e riquíssima. Acredita-se que existam nas florestas tropicais quase a metade de todas as espécies animais e vegetais, cerca de um terço das aves e uma grande parte dos insetos e microrganismos existentes na terra”, afirma.

Os países com maior área de floresta do mundo são Rússia, Brasil, Canadá, Estados Unidos e China, que juntos somam mais de 50%. Dos 233 países pesquisados, 10 países não possuem florestas, e outros 54 possuem menos de 10%.

Conforme Ferron, o Brasil é um país florestal, pois detém 14,5% das florestas do mundo e 63% de seu território é ocupado por florestas. “Nossa área territorial corresponde a 851 milhões de hectares, sendo 528 milhões de hectares (62%) de florestas nativas. Nossos Biomas são representados pela Amazônia com 417 milhões de hectares (49%), o Cerrado com 200 milhões de hectares (23,5%), a Mata Atlântica com 110 milhões de hectares (13,0%), Caatinga com 85 milhões de hectares (10%), o Pampa com 23 milhões de hectares (2%), e o Pantanal com 15 milhões de hectares (1,7%)”, diz.

E, acrescenta, “temos uma imensa riqueza florestal natural que é Floresta Amazônica (62% do território brasileiro), uma das maiores do planeta. No entanto, continua sendo alvo de exploração predatória e ilegal, ameaçando sua conservação e manutenção. Em plena era tecnológica, sua vocação natural é desconsiderada, continua-se implantando atividades do ponto de vista econômico insustentável na Amazônia, com a criação de gado e o cultivo da soja. A floresta continua sendo vista como um empecilho ao desenvolvimento econômico”.

O engenheiro florestal afirma que desde a pré-história o homem se associou definitivamente a madeira, especialmente quando passou a dominar o fogo. “Há um refrão que diz: ‘a madeira acompanha o homem desde o berço até o caixão’. Compreender a importância e os benefícios das árvores requer assumir uma nova postura ética e moral: da sustentabilidade”, salienta.

Conforme Ferron, “ainda permanecem escondidas e desprezadas nas florestas brasileiras, nosso maior tesouro, a biodiversidade, salvaguarda para as futuras gerações. Se todos, governos e sociedade, souberem cuidar desta extraordinária riqueza, e compreender sua magnitude, teremos à nossa disposição, da nação brasileira, e de seu povo, um novo ‘pré-sal verde’”.

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