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Um Brasil de "Marias" e "Josés"... Um Erechim de uma variedade de nomes

IBGE apresentou levantamento dos nomes mais frequentes no país e a reportagem do Bom Dia foi averiguar essa realidade em Erechim

Antônio Grzybowski
Foto: Izabel Seehaber
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Por Izabel Seehaber

IBGE apresentou levantamento dos nomes mais frequentes no país e a reportagem do Bom Dia foi averiguar essa realidade em Erechim

A escolha do nome do bebê nem sempre é uma tarefa simples. Além da preferência dos pais, outro aspecto interessante é que muitos nomes possuem uma história, um significado especial ao ser definido.

Pensando nisso e buscando identificar os nomes mais frequentes no Brasil, o IBGE apresentou na terça-feira (27), um levantamento inédito organizado pelo Censo Demográfico 2010. Ao todo foram observados 130.348 nomes diferentes na população brasileira, 63.456 masculinos e 72.814 femininos, sendo que há nomes comuns aos dois sexos e apenas o primeiro nome foi considerado. Para as mulheres, o nome preferido é Maria, com frequência de 11,7 milhões de pessoas. Já para os homens, o mais comum é José, com 5,7 milhões de pessoas.

As informações disponibilizadas estão organizadas por sexo, para Brasil, unidades da federação e municípios. O levantamento também aponta os nomes mais frequentes até 1929 e por década de nascimento a partir de 1930, possibilitando identificar nomes que entraram e saíram de moda e aqueles que aparecem de maneira mais constante.

O projeto "Nomes no Brasil" tem por base as listas de moradores dos domicílios em 31 de julho de 2010, data de referência do Censo 2010. Foram registrados obrigatoriamente o primeiro nome e o último sobrenome de todos os moradores do domicílio e, havendo mais de um morador com primeiro e último nomes iguais, foram registrados os outros nomes que permitissem distingui-los.

Tendências

Para o sexo feminino, Maria e Ana se mantêm estáveis em primeiro e segundo lugar, respectivamente, para todas as décadas. Na terceira posição, Francisca aparece até a década de 1950, Marcia nos anos 1960, Adriana na década de 1970, Juliana na década de 1980, Jessica na década de 1990 e Vitoria nos anos 2000.

Para o sexo masculino, José e Antônio aparecem em primeiro e segundo lugar, respectivamente, até a década de 1980. Na década de 1990, Lucas subiu à primeira posição e Jose caiu para a segunda. Já nos anos 2000, Joao ficou em primeiro e Gabriel apareceu na segunda posição. Até os anos 1960 e na década de 1990, Joao aparece na terceira posição, que foi ocupada por Francisco, na década de 1970 e 1980, e Lucas, nos anos 2000. O estudo permite ainda identificar nomes comuns até a década de 1930 que caíram em desuso nos anos 2000. O nome Alzira, que antes de 1930 aparecia 8.132 vezes, só apareceu 288 vezes nos anos 2000. Para o sexo masculino, Oswaldo aparecia 1.335 vezes até 1930, caindo para uma frequência de 235 registros nos anos 2000. Outros nomes como Geralda, Severina, Avelino e Waldemar apresentaram comportamento semelhante. Já em relação à década de 1950, deixaram de ser utilizados nomes como Terezinha, que caiu de 84.879 para 768 registros nos anos 2000; e Neusa, que aparecia 36.327 vezes na década de 1950 e caiu para 243 registros nos anos 2000.

Para os homens, caíram em desuso os nomes Benedito, que possuía 54.451 registros nos anos 1950 e caiu para uma frequência de 2.560 nos anos 2000; e Severino, que passou de 39.475 na década de 1950 para 1.373 nos anos 2000. Por outro lado, ganharam popularidade nos anos 2000 nomes como Cauã, Rian, Enzo, Kailane e Sophia. Em relação à década anterior, foram registradas 81.184 pessoas a mais com o nome Cauã; 69.347 pessoas a mais com o nome Rian; 41.968 registros a mais para Enzo; 22.420 para Kailane e 19.226 para Sophia. É interessante observar o comportamento de nomes de pessoas famosas e personagens que marcaram época. O nome Dara, por exemplo, personagem de uma novela nos anos 1990, cresceu 4.592% nessa década. Nos anos 2000, o nome Cauã cresceu 3.924%, provavelmente influenciado por um ator famoso. Dentre os esportistas, o nome Romário explodiu na década de 1980, quando cresceu 402%, aumentando, ainda, 278% na década de 1990. Ayrton foi bastante utilizado na década de 1990, crescendo 269% nesse período. Zico teve seu auge de registros nos anos 1980, quando nomeou 300 pessoas. Já o nome Pele apresentou 35 registros nos anos 1960, aparecendo ainda nas décadas de 1970 e 1980.

A realidade em Erechim

À nível local, a reportagem do Bom Dia foi verificar se há ou não, uma tendência na hora de registrar as crianças erechinenses.

De acordo com o oficial registrador substituto, Mateus Knob Voszyl, que atua desde 1996 no Cartório de registro civil, atualmente os pais optam, na maioria das vezes por nomes "mais modernos", mas ainda tem casos em que são feitas homenagens a familiares, por exemplo. Em uma pesquisa prévia, Mateus citou que os nomes do gênero feminino que são registrados com mais frequência são: Ana, Sophia, Alice, Gabriele, Julia. Já do masculino são: João, Lorenzo, Artur, Davi e Gabriel. Somente na terça-feira (27) foram feitos quatro registros com o nome de Lorenzo. Sobre as escolhas mais diferenciadas, o oficial salientou que não são muito comuns, considerando que muitas são inspiradas na mídia. "Há casos em que a família pensa em registrar a criança com o sobrenome de uma pessoa famosa, tais como Messi, por exemplo. Na semana passada teve um registro de Dhenevivi como segundo nome, mas isso é mais raro de acontecer", pontua. Mateus disse ainda, que a equipe do cartório sempre respeita a vontade dos pais no momento do registro, mas que também orienta no caso de algumas escolhas e a recusa só acontece nas situações em que o nome possa se tornar algo pejorativo à pessoa. Outro cuidado, enfatiza o oficial, é com os nomes que são usados para os dois gêneros, tais como Muriel, Darci, entre outros nomes.

Batizado

Até o final da década de 60 a igreja católica recomendava o uso do nome de um santo na hora do batizado. O padre Antoninho justificou que na visão da cristandade, o nome teria o propósito de lembrar algo da fé Cristã. "Atualmente a preocupação é acolher o nome que consta na certidão", ressaltou.

Troca ou alteração de nome

A oficial escrevente da direção do Foro de Erechim, Cátia Garcez Severo, explica que a retificação de registro civil é feita pelo encaminhamento de um processo judicial através de um advogado ou pela defensoria pública. "É reunida a documentação e expostos os motivos para correção de um nome ou inserção de mais um sobrenome, por exemplo. Isso sempre tem intervenção do Ministério Público e costuma ser rápido, em torno de 20 a 30 dias para ser emitido o parecer", citou, destacando que nos últimos tempos aumentaram significativamente as solicitações para inserção do sobrenome das mães nos registros. "São em torno de 10 ações por mês", completou.

A variedade de nomes

 

Fernanda Loureiro de Melo Motta, de 26 anos, reside em Itatiba do Sul e é mãe de Pedro Lucas. Ele nasceu prematuro, no dia 18 de março, e está internado com a mãe no hospital de Caridade de Erechim. Ela comentou à reportagem que a definição do nome foi difícil mas ao mesmo tempo, contemplou as ideias do casal e a escolha de nomes compostos. "O primeiro nome representa rocha, força, e o segundo sempre achamos um nome muito bonito", disse.

Já a mãe e técnica de enfermagem, Viviane Elize Pereira (29), está no hospital Santa Terezinha com o pequeno Arthur. Em conversa com a equipe do Bom Dia, ela relatou que a escolha do nome tem um significado ainda mais especial. "Há dois anos tentávamos engravidar e não conseguíamos, até que nas férias do ano passado, enquanto passeávamos com um casal de amigos, eu e meu marido Marcos Antônio conhecemos a imagem de Santa Albertina e fizemos uma promessa. Caso eu engravidasse de uma menina, ela ia levar o mesmo nome. Se fosse menino, se chamaria Arthur. Pouco tempo depois da viagem, obtive o resultado positivo do teste de gravidez", comentou emocionada.

No mesmo hospital, menos de duas horas após nascer de parto normal, a pequena Lavínea já encantava os pais Emanuelli e Mateus Basso. O casal erechinense comentou que a escolha do nome foi em razão de considerarem bonito e não muito comum. "Há um tempo ouvi esse nome na televisão e agora lembramos e resolvemos registrar", disseram.

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