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Dedicação compartilhada: de atletas ao exercício da paternidade

Gessé é pai de Lucas, Miguel e Sophia
Por Kaliandra Alves Dias
Foto Arquivo pessoal

Aos 21 anos, o pivô Gessé, do Atlântico, e o goleiro Deivity, do Ypiranga, davam os seus primeiros passos na carreira de jogador profissional. Mas o destino também fez com que este início tivesse um momento especial, com a chegada da paternidade.

Enquanto Gessé distribui dribles e faz a rede balançar na quadra do Caldeirão do Galo. Nas arquibancadas estão Lucas, Miguel e Sophia que acompanham o pai nos jogos do Atlântico. Os olhares atentos à quadra também se misturam com as brincadeiras de criança, e a bola é um dos objetos que também faz parte do cotidiano dos três filhos do pivô.

Há nove anos, o mineiro se emocionou quando recebeu a notícia de que seria pai pela primeira vez. A novidade veio pouco tempo após o casamento com Juliane, que na época tinha 19 anos. “Foi meio engraçado a forma que recebi (a notícia). Ela estava trabalhando e sentindo alguns sintomas e não me contou. Ela fez um exame de sangue escondido e me mandou uma mensagem dizendo que teria uma surpresa. Estava indo pro treino, e quando recebi a mensagem até pensei que poderia ser, mas não tinha convicção. Pensei que poderia ser um jantar especial. Quando ela me mostrou o exame, não contive as lágrimas e chorei. Ficamos muito felizes”.

Após quatro anos, Gessé e Juliane, enfrentaram o momento da perda. “Estava indo disputar o Mundial de Clubes nos Estados Unidos. Ela descobriu que estava grávida e com pouco mais de um mês de gestação infelizmente acabou sofrendo um aborto. Foi um momento muito difícil, e de apoio mútuo. E depois, ela engravidou novamente, e veio o Miguel que hoje tem cinco anos”.

A família sempre esteve em primeiro lugar, e jogando profissionalmente há mais de 13 anos, Gessé conta com o apoio dos filhos e esposa. “Já tive propostas de times do exterior. Mas a minha família sempre esteve à frente de tudo. Eles sempre me acompanharam e isso é muito gratificante. Agradeço todos os dias por estarem ao meu lado. Eles me inspiram a cada dia ser melhor”.

Um mundo cor de rosa

Pai de dois meninos, o pivô sempre teve o sonho de conhecer o “mundo cor de rosa”. E há dois anos, Sophia trouxe muitas novidades ao casal. “Queria ter a sensação de ser pai de uma menina. A gente quer conhecer o lado feminino. O pessoal sempre fala que as meninas são mais grudadas com o pai e queria ter essa experiência”.

A vinda de mais um filho veio enquanto Gessé defendia a camisa do Minas. “Recebi a notícia após saber que precisava passar por uma cirurgia. A minha esposa disse para eu não ficar triste, pois seria pai novamente. Fiquei ansioso para descobrir o sexo. É diferente ter uma filha. Sou muito grato a cada um deles”.

Mas não é apenas Gessé que nota as diferenças no comportamento dos filhos. O jogador também destaca que a esposa está aprendendo com a pequena Sophia. “A própria mãe acaba conhecendo esse lado. Às vezes ela diz que a Sophia acorda de bom humor, e no outro acorda com a pá virada (risos). Se não tivesse uma menina, ela não saberia disso, então ela também acaba conhecendo melhor esse lado”.

O goleiro Deivity também tem um mundo cor de rosa. Com a chegada de Antônia há seis anos, o camisa número 1 viu a sua vida ser transformada com a pequena. “Agradeço todos os dias pela chegada dela. Ser pai muda a nossa forma de pensar não apenas profissionalmente, mas pessoalmente. Isso reflete no dia a dia, inclusive na nossa carreira. Desde o nascimento dela amadureci muito e isso veio para mudar o caminho que estava tendo”.

A notícia da paternidade trouxe medo e ao mesmo tempo motivação. “No momento fiquei assustado quando soube que seria pai. Eu e a Marília estávamos namorando há pouco mais de dois anos. Éramos novos e eu ainda não estava atuando”, destaca o goleiro.

Emocionado, Deivity relembra o dia em que Antônia o chamou de pai, e que a partir desse momento, passou a entender tudo o que seus pais fizeram por ele. “É um misto de emoções quando ouvi ela me chamar de papai. Tive um preparador físico que sempre fazia analogias em relação ao futuro dela. E a comparação fazia com que se refletisse em determinação e empenho. Tem dias que o cansaço tá maior que a vontade, e eu penso nela e na minha esposa e busco essa força dentro de mim”, ressalta.

As viagens a trabalho e a personalidade de cada filho

Todo pai sabe que os seus filhos são diferentes. Cada um com a sua personalidade os torna único. E Gessé conhece muito bem Lucas, Miguel e Sophia. “O Lucas sempre foi tranquilo em relação a minha profissão. Ele sempre entendeu que preciso viajar porque tem os jogos. Já o Miguel é mais sentimental. Me “corta o coração” quando aviso que vou viajar. Ele fala todo emocionado ‘nossa pai, tu vai sentir muita saudade de nós’. Ele demonstra mais os sentimentos. Já a Sophia é muito pequena e ainda não entende. Mas ela é muito carinhosa, sempre gosta de dar beijos e de fazer um carinho. Quando viajo conversamos muito em chamada por vídeo. Tentamos controlar a saudade assim. Fiquei no máximo três semanas longe deles”.

Já Deivity destaca o anseio de Antônia pelo seu retorno. “Quando vamos viajar ela sempre me pergunta quantos dias vou ficar ausente. E durante as conversas por chamadas de vídeo ela sempre comenta que faltam tantos dias para retornar. Durante o nosso dia a dia juntos, sempre gosto de fazer com que ela participe de todos os momentos. Desde uma ida ao supermercado até o momento em que conto histórias bíblicas. A nossa família é cristã, então às vezes vejo ela comentar uma história que li pra mãe dela”.

A identificação com a profissão do pai

Lucas e Miguel são apaixonados por futsal, e assim como o pai, eles também praticam a modalidade. Apesar da pouca idade, os meninos também sonham em seguir os passos de Gessé. “Eles dizem que vão ser jogadores de futsal. Eles já fazem aulas na escolinha e não querem faltar. São muito interessados, mas independente de eles seguirem ou não a carreira, eu fico muito feliz por estarem praticando o esporte. Isso me deixa muito feliz, ainda mais porque eu amo o futsal”.

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