Durante quase meia hora, o deputado federal Sanderson (PSL), conversou com o Jornal Bom Dia em entrevista exclusiva. Falou das reformas que o país precisa e que não quer ser um político tradicional. Ele é contra as emendas parlamentares. É natural de Erechim, mas saiu daqui com dois anos e quer abraçar o Alto Uruguai, mas sem pirotecnia, sem mentiras. Diz não acreditar em políticos tradicionais e de carreira, e que está na hora de pensar o país tecnicamente, para as reformas necessárias para colocar o país nos eixos.
Com declarações fortes, na edição de ontem, foi publicado a dificuldade e a possibilidade real de demorar muito tempo para a região conseguir a tão sonhada obra da Transbrasiliana. Hoje, o assunto é segurança pública, onde a ‘metralhadora’ pegou forte. Não sobrou para ninguém. Veja os principais trechos e nas próximas edições tópicos sobre o posicionamento do deputado em outras áreas
O que Erechim ou o Alto Uruguai pode esperar do Sanderson como deputado federal?
Sanderson: O RS como um todo sofreu nos últimos 20 anos um decréscimo na sua envergadura política nacional. E fazer essa retomada é um compromisso que tenho junto com outros deputados novos. Então sendo um erechinense com laços indeléveis com a Capital da Amizade já consegui trazer projetos para cá e continuarei me empenhando para isso.
E o novo presídio de Erechim, pode ser um deles?
Sanderson: Como Coordenador da Frente de Segurança Pública para o RS eu quero ter a honra de capitanear um projeto para a construção de um presídio novo em Erechim. Tenho a informação que depois do Presídio Central, Erechim é o pior do RS.
Mas o que se ouve é a falta de recursos para todas as áreas?
Sanderson: Temos a noção das dificuldades orçamentárias que o país enfrenta, mas segurança pública, justiça criminal e polícia é algo essencial do Estado e tem que ter prioridade de fato e de direito. Só discursar como políticos irresponsáveis fizeram nos últimos anos não nos interessa. Nós podemos repassar a saúde, educação e infraestrutura para a iniciativa privada, já a segurança não é possível.
Como fazer segurança pública com escassez de investimentos?
Sanderson: Se temos um cobertor curto, é necessário fazer um contingenciamento, mas isso não pode afetar a segurança pública. Não dá para aceitar dizerem que não há recursos para a construção de presídios, para recursos humanos para a Brigada Militar. O governante que vier com a balela, com o estelionato que não há recursos para a segurança pública e digo na frente de quem quiser é um mentiroso. Todo o governador que vier com essa conversa é um mentiroso e estelionatário. Sem polícia não temos economia, não temos liberdade para as crianças irem à escola.
É uma declaração forte. Então de acordo com sua ótica tivemos vários governos no RS mentirosos?
Sanderson: Vários mentirosos. No RS e no Brasil. Vimos um assalto no aeroporto de Guarulhos onde 700 quilos de ouro foram roubados, com uma quadrilha altamente equipada, armada, que teria investido em torno de R$1 milhão só para executar o plano de assalto. Só para ver, que fazer segurança pública não custa barato, e nem pode. É um investimento imperioso ao Brasil, como é imperioso a qualquer país do mundo.
Todos falharam então, desde a eleição de Tancredo Neves que acabou morrendo antes de assumir até Michel Temer?
Sanderson: Todos os presidentes que passaram pós redemocratização não investiram em segurança como se deveria. Estamos com deficiência na arrecadação, estamos com a economia desaquecida, mas não podemos cortar recursos da segurança pública. Que se corte em outras áreas. Conviver com 60 mil homicídios por ano, é inaceitável. Não dá para aceitar que o Presídio de Erechim possa ser ruído com uma colher. Presos fazem buracos com uma colher para sair para o lado de fora e colocam uma comunidade inteira em temor.
Deputado, tu achas que essa questão da segurança pública está sendo tratada como prioridade no RS?
Sanderson: Parece-me que no RS não está sendo tratada a segurança como prioridade. Vou lançar um desafio para o governador Eduardo Leite, que é um guri inteligente, preparado. Se fosse prioridade para o RS, o vice-governador que é um delegado qualificadíssimo, digno e honesto é o secretário de Segurança Pública. Não temos nenhum sujeito para ser o secretário de Segurança do RS? Obvio que tem. Não está priorizando coisa nenhuma o governador.
Pode ser um conchavo político essa escolha do vice-governador?
Sanderson: Não existe mais espaço para isso e o presidente Bolsonaro está provando isso. Não tem mais espaço só para políticos nos governos. Tem que ter políticos e técnicos. Não tem um técnico no RS para ser secretário de Segurança Pública? Tem que o vice-governador acumular? Isso é prova que a segurança não é prioridade e o que tem se dito por aí é balela de políticos, que ao meu ver, são velhos disfarçados de novos. E isso me preocupa muito.