O réu Amauri Borba Schorn, de 33 anos, foi condenado a 44 anos de reclusão pelos assassinatos da ex-companheira Fabíola Tluczc, de 24 anos, e da ex-sogra Geneci Tluszc, de 49 anos, em 2017, no Bairro Castelo Branco, em Erechim. As mulheres foram mortas a tiros, na frente da filha de Amauri e Fabíola, na época com seis anos de idade.
Por cada um dos homicídios o réu foi sentenciado a 18 anos de prisão e foi aumentada por três agravantes: motivo torpe, recurso que dificultou a defesa das vítimas e reincidência no crime de homicídio e também por se tratar de feminicídio.
O júri foi realizado nesta quinta-feira (25), no Fórum de Erechim e se estendeu por seis horas. A sessão foi presidida pelo juiz Marcos Luis Agostini.
De acordo com o Ministério Público, representado pela promotora Stela Bordin, no final da tarde do dia 24 de setembro de 2017, Amauri invadiu a casa onde as vítimas moravam, no Bairro Castelo Branco, e atirou contra as duas. Fabíola morreu na hora. Geneci chegou a ser socorrida, mas não resistiu ao ferimento.
O réu foi representado pela Defensoria Pública, que diante dos fatos e da confissão de Amauri, não teve muitas opções de defesa e tentou a redução da pena analisando questões técnicas.
O crime
Durante o júri a promotora relatou, que a mulher que namorava Amauri na época, costumava conversar com Fabíola sobre Amauri e que a ex a alertava sobre a violência do namorado, falando sobre as agressões e as ameaças, que continuavam mesmo após o término do relacionamento. Dias antes do crime, Amauri teria usado o facebook da companheira e descobriu que Fabíola havia registrado ocorrência policial contra ele e solicitado medida protetiva. Após, as duas voltaram a conversar, Fabíola descobriu que havia sido enganada por Amauri e convidou a namorada dele para ir até a sua casa para conversarem sobre ele.
A namorada foi com seu carro até a residência e outros familiares que estavam na casa, deixaram o local, acreditando não haver perigo, já que as duas mulheres estavam conversando amigavelmente. Cerca de 10 minutos após os parentes deixarem o local, Amauri chegou a pé e armado, estourou o portão da propriedade, entrou na moradia e atirou contra Fabíola e Geneci.
Conforme depoimento da namorada de Amauri, ela teria tentado interceder e disse “não faz isso Neco (apelido do réu)”. O homem apontou a arma para ela e ameaçou “tu vai me ajudar, tu é para morrer também”. O autor e a namorada foram para o carro dela e a filha de Amauri, que presenciou o crime, perguntou “você vai me deixar aqui, pai?”. Ele então levou a filha e disse a ela que os estampidos ouvidos pela menina eram “bombinhas”. A criança foi deixada mais tarde na casa de parentes.
Pouco após o crime, a polícia iniciou as buscas pelo suspeito e a namorada, já que na data, relatos apontavam que ela teria ido com ele de carro ao local e dado fuga. A mulher foi presa dias depois e em seu carro foram encontradas roupas de Amauri e o recibo de um mercado em São Leopoldo, município onde ele foi preso.
No depoimento da namorada para a polícia, ela contou ainda que “fiquei escondida com ele por medo. Ele me vigiava até no banheiro”.