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Erechim

Biblioteca Pública oferece livros em braille; procura, porém, ainda é pequena

Acervo inclusivo da Biblioteca Municipal precisa ser melhor divulgado pelo executivo municipal
Por Salus Loch
Foto Salus Loch

A Biblioteca Pública Municipal Gladstone Osório Mársico recebeu no mês de abril 26 livros em braille, após solicitação feita ao Instituto Benjamin Constant, com sede no Rio de Janeiro. O acervo, que não teve custo aos cofres do executivo, soma-se a 11 títulos, também em braile, que já eram disponibilizadas ao público infantil.

A medida, que merece aplausos pelo caráter inclusivo (tão necessário na sociedade atual), contudo, ainda não chegou – de fato – às mãos dos deficientes visuais da cidade e região associados à Biblioteca local.

Conforme o bibliotecário Thiago Menezes Cairo, nenhum exemplar dos 26 novos livros foi retirado entre abril e a quarta-feira, 17 de julho. ‘Chegamos a divulgar na página da Biblioteca no Facebook e na Associação dos Deficientes Visuais de Erechim (Adeve), mas até o momento não houve procura’, revela Thiago, para quem a importância de oferecer um acervo inclusivo é fundamental. ‘Em conversa com a coordenadora da Biblioteca, Ana Mikulski, e o secretário de Cultura, Leandro Basso, vimos ser de grande importância disponibilizarmos livros em braille para as pessoas com deficiência visual, pois penso que todos temos direito ao acesso à cultura, educação e lazer. A biblioteca de Erechim está de portas abertas, garantindo a inclusão e permitindo que todos embarquem nessa viagem que é a leitura’, observa o bibliotecário – que espera que a divulgação das obras em jornais e rádios ajude a aumentar a procura.

Se os novos livros estão ‘encalhados’, em relação à retirada das publicações infantis, Thiago destaca que a maior procura se dá por parte de pessoas que não são cegas, pelo fato das histórias serem ‘atrativas’, com disposição em braille, além de textos e figuras. A Biblioteca de Erechim também possui audiobooks em formato CD-ROM, que igualmente são pouco procurados pelo público.

 

Adeve possui 174 livros físicos em seu acervo

Em entrevista ao Bom Dia, o presidente da Adeve, Cláudio Mokan, saúda a ação da prefeitura e diz que a associação deve realizar nos próximos dias uma visita à Biblioteca Municipal, a fim de estimular a procura pelos livros no local. Além disso, Mokan pontua que a entidade, fundada há sete anos, tem a sua própria biblioteca, com 174 livros físicos e 125 em CD´s, reunindo títulos diversos – da Bíblia à saga Crepúsculo.

O acervo está disponível aos 30 associados da Adeve, que também têm aulas de braile todas as terças-feiras. A classe é ministrada pela professora Angela Malicheski. Hoje, cerca de 20% dos membros da instituição sabem ler em braile, entre aqueles com baixa visão e cegos totais (sendo que estes últimos têm mais facilidade para a aprendizagem em razão da sensibilidade nas mãos).

Para se associar à Adeve basta se dirigir à sede, localizada na Rua Gaurama, 191, em frente ao Centro Cultural 25 de Julho, em Erechim, munido de documentação pessoal e atestado médico que comprove o tipo de deficiência visual. Atualmente, há sócios dos quatro até a casa dos 70 anos. Moradores de outros municípios também são aceitos. Mais informações podem ser obtidas pelo fone: 54 99118-9337.

 

Saiba mais

Conforme a página do Instituto Benjamin Constant na internet , o braille é um sistema de escrita e leitura tátil para as pessoas com deficiência visual e foi inventado pelo francês Louis Braille, em 1825. Ele consta do arranjo de seis pontos em relevo, dispostos na vertical em duas colunas de três pontos cada, no que se convencionou chamar de "cela braille". A combinação dos pontos forma 63 caracteres em relevo, com representação de letras, números, símbolos científicos, notas musicais, fonética e informática.

O  braille é empregado por extenso, isto é, escrevendo-se a palavra, letra por letra, ou de forma abreviada, adotando-se códigos especiais de abreviaturas para cada língua ou grupo linguístico. O braille por extenso é denominado grau 1; já o grau 2 é a forma abreviada, empregada para representar as conjunções, preposições, pronomes, prefixos, sufixos, grupos de letras que são comumente encontradas nas palavras de uso corrente. O principal objetivo do emprego do braille grau 2 é reduzir o volume dos livros impressos nesse sistema, permitindo o maior rendimento na leitura e escrita. Uma série de abreviaturas mais complexas forma o grau 3, que necessita de um conhecimento profundo da língua,  boa memória e sensibilidade tátil muito desenvolvida por parte do leitor cego.

 

O braille no Brasil

O sistema foi utilizado no país, em sua forma original, até a década de 1940, quando sofreu modificações impostas pela reforma Ortográfica da Língua Portuguesa, ocorrida na época.  A falta de uma definição governamental fez com que as alterações ocorridas posteriormente ficassem à mercê dos professores e técnicos especializados das instituições ligadas à educação de cegos e à produção de livros em braille. Tais profissionais procuraram manter o sistema acessível e atualizado até a última década do século XX, quando o governo brasileiro decidiu adotar uma política de diretrizes e normas para o uso, ensino, produção e difusão do braille em todas as suas modalidades de aplicação, compreendendo principalmente a Língua Portuguesa.

Assim, em 1999, foi criada a Comissão Brasileira do Braille,  que passaria a partir do ano seguinte a trabalhar em conjunto com uma comissão portuguesa criada com o mesmo objetivo.  O trabalho foi concluído em 2002 e a Grafia Braille para  a Língua Portuguesa passou a ser adotada em todos os territórios brasileiros e portugueses, conforme a recomendação da União Mundial de Cegos e da Unesco.

 

Em áudio

O Bom Dia entrou em contato com algumas gráficas e instituições de ensino de Erechim a fim de veicular na edição impressa de hoje (18) a reprodução em braille deste texto. Infelizmente, por questões técnicas e de logística, não foi possível. Desta forma, a alternativa encontrada – buscando tornar o conteúdo acessível também aos deficientes visuais (o que, convenhamos, deveria ser regra) foi reproduzir a reportagem em áudio no ‘jornal impresso digital’, no endereço www.jornalbomdia.com.br.

 

Os novos livros disponíveis na Biblioteca Pública

- Nunca desista de seus sonhos, autor Augusto Cury;

- Para sempre, autor Kim Carpenter;

- A culpa é das estrelas, autor John Green;

- Cidades de papel, autor John Green;

- A garota que eu quero, autor Markus Zusak;

- Contos, autor Machado de Assis;

- Várias histórias, autor Machado de Assis;

- Era uma vez minha primeira vez, autora Thalita Rebouças;

- O alquimista, autor Paulo Coelho;

- Helena, autor Machado de Assis;

- O futuro da humanidade, autor Augusto Cury;

- A mão e a luva, autor Machado de Assis;

- Memórias Póstumas de Brás Cubas, autor Machado de Assis;

- Como eu era antes de você, autora Jojo Moye;

- A breve segunda de vida de Bree Tanner, autora Stephenie Meyer;

- Os instrumentos mortais: cidade dos ossos, autora Cassandra Clare;

- O lado bom da vida, autor Matthew Quick;

- A cabana, autor William P. Young;

- O melhor de mim, autor Nicholas Sparks;

- Água para elefantes, autora Sara Gruen;

- Ensaio sobre a cegueira, autor José Saramago;

- Auto da barca do inferno, autor Gil Vicente;

- A graça da coisa, autor Martha Medeiros;

- Conversando com os espíritos, autor James Van Praagh;

- Nosso Lar: a vida no mundo espiritual, autor André Luiz;

- O poder do agora: uma guia para a iluminação espiritual, autor Eckhart Tolle.

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