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Rural

Laranja: setor consolidado e em pleno crescimento na região

A colheita da laranja iniciou na região com queda no preço da tonelada, que deve ficar entre R$ 230 e R$ 300, valor inferior ao recebido pelo produtor na safra passada. Alto Uruguai tem 1700 citricultores numa área aproximada de 3200 hectares, 60% da produção vai para a indústria de suco. A maioria dos produtores é da agricultura familiar

o produtor de Marcelino Ramos, Cleovane Mazzuti
Colheita
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

A colheita da safra da laranja iniciou no Alto Uruguai. A citricultura é um dos setores produtivos rurais mais importantes da região, com mais de três mil hectares de pomares, sendo 80% dessa área cultivada com a variedade valência. A cadeia da laranja está em transformação, ampliando área e aumentando a produtividade por hectare. Tem muito o que se fazer, no entanto, seus efeitos são inquestionáveis na realidade local, gera emprego e renda para milhares de famílias de agricultores, movimenta a indústria e contribui diretamente para sobrevivência dos municípios da região. A cada dia, a laranja do Alto Uruguai ganha mais o mercado brasileiro. A abertura da safra da laranja vai ocorrer no município de Três Arroios no dia 16 de agosto.

Produtor   

Segundo o produtor de Marcelino Ramos, Cleovane Mazzuti, o preço da fruta está menor nesse ano se comparado a safra anterior. Ele explica que isso se deu em função da diminuição das exportações, e, também, devido à redução do consumo do suco no mundo.  

Mazzuti afirma que as indústrias do sul, que vendem para São Paulo, estão com os estoques cheios, e isso contribuiu para diminuir um pouco o preço do suco. “Hoje está girando em torno de R$ 250 a R$ 300 a tonelada da laranja”, diz. Ele ressalta que se não fosse a safra menor desse ano o preço seria bom. No ano passado o produtor recebeu entre R$ 320 e R$ 350 a tonelada da fruta.

Ele acredita que o acordo do Mercosul com o mercado europeu deve ser positivo para a cultura da laranja, e a tendência é ter um preço melhor da fruta para o produtor, porque 70% do suco brasileiro vai para a Europa. “Essa é uma grande vantagem para nós, o leite talvez abaixe o preço, mas os alimentos que são exportados a tendência é aumentar o valor, essa é a vantagem para quem trabalha com cítricos”, afirma.  

Região 

Segundo o instrutor de Citricultura do Cetre de Erechim, Ivonir Antônio Biesek, que também atua na Emater de Erval Grande, a colheita da safra está iniciando agora, com exceção das variedades precoces que já foram colhidas, e tiveram um pouco de perdas em função do ataque da mosca das frutas.

“A gente estima uma boa safra, não dá para afirmar se haverá perdas de produtividade, tem pomares com boa produção, inclusive, mais alta que em anos anteriores. Porém, tem pomares com perdas, principalmente, em função das chuvas no período da floração, que prejudicou a eficiência dos tratamentos”, afirma. Ele acrescenta que alguns pomares sofreram também em função do aspecto nutricional, porque os produtores não fizeram as adubações de acordo refletindo na redução da produção. “Ainda não dá para estimar as perdas, é muito cedo”, diz.

Conforme Biesek, a produtividade média regional vai ficar entre 30 e 35 toneladas por hectare, com citricultores colhendo muito mais do que isso, porque adotaram melhores tecnologias de produção. A área cultivada na região chega a mais de três mil hectares de pomares nos 32 municípios do Alto Uruguai, sendo 80% dessa área cultivada com a variedade valência, depois folha-murcha, iapar, rubi e o restante laranjas de umbigo.

Destino da produção

Biesek comenta que 60% da produção vai para a indústria de suco do estado, principalmente, a região da Serra, Vale do Caí e Liberato Salzano, outra parte para mercados e consumo in natura.

Preço

O preço da tonelada da laranja praticado até o momento é inferior a safra anterior, está girando entre R$ 230 e R$ 260 a tonelada da fruta. No entanto, isso é uma característica da atividade, que inicia a colheita com menor preço.

Qualidade da fruta

De maneira geral, o aspecto sanitário da fruta está bom, teve um breve surto de mosca das frutas, que ocasionou pequenas perdas nas variedades precoces, mas que agora está controlado em função do frio e do manejo, afirma. “O que preocupa um pouco são doenças de flor”, diz. Por isso, para reduzir as perdas é fundamental o citricultor realizar um bom manejo fitossanitário.

Agricultura familiar

A maior parte dos produtores da região são pequenos produtores, há alguns casos de investidores pontuais. “A grande maioria são agricultores familiares”, diz.

Produtividade

O instrutor de citricultura afirma que a cadeia da laranja tem ainda que crescer na questão de produtividade por área, e esse tem sido o foco do trabalho realizado pela Emater. “O incentivo maior é aumentar a produtividade”, afirma.

Rentabilidade

“As famílias conseguem viver plenamente com essa cultura, produtores que tem um bom manejo sanitário, nutricional e tem a atividade como fonte importante de geração de renda, conseguem viver da produção de laranja, tranquilamente”, afirma.

Setor importante

De acordo com Biesek, a citricultura é uma atividade importante porque gera renda, fixa as famílias no campo e contribui com o desenvolvimento local e regional.

Qualificação

Ele lembra que no ano passado foram 18 cursos de qualificação da cadeia produtiva da laranja e, nesse ano, devem passar de 20 cursos nos municípios da região. “A Emater vem incentivando e profissionalizando a atividade há 20 anos do plantio à comercialização”, observa.

Políticas públicas

De acordo com o engenheiro agrônomo, Luiz Angelo Poletto, assistente técnico regional em Sistemas de Produção Vegetal da Emater/RS-Ascar, a região tem muitos projetos de incentivos à cadeia da citricultura, que está crescendo em área e produtividade, e há uma tendência de ampliar ainda mais. Poletto afirma que no ano passado foram plantados 340 hectares de novas áreas, e, nesse ano, mais 380 hectares em toda a região.

Mariano Moro, Severiano de Almeida, Aratiba, Barra do Rio Azul, Itatiba do Sul, Erval Grande, Centenário, Carlos Gomes e Três Arroios estão entre os municípios que implantaram novas áreas de citricultura. Hoje, estima-se que há 1700 citricultores no Alto Uruguai numa área aproximada de 3200 hectares.

Ele comenta que normalmente a fruta é vendida para suco, no entanto, está crescendo na região a venda para o consumo in natura, o que agrega mais valor à produção. “Existem empresas que compram a laranja diretamente dos produtores e comercializam em diversos mercados do país, por exemplo, Paraná, Santa Catarina, Camboriú, levando a nossa fruta para ser vendida no litoral”, afirma.  

Poletto ressalta que a citricultura do Alto Uruguai se desenvolveu bem nos últimos anos se comparada a região de Santa Catarina, que tem o mesmo clima, e que também iniciou o cultivo da fruta há 30 anos. “A região do Vale do Rio Uruguai chega a quase sete mil hectares da fruta e eles não tem mil hectares”, diz.

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