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Rural

Trigo: por enquanto tudo normal, apesar do preço

A cultura do trigo está terminando de ser implantada na região Alto Uruguai e, por enquanto, o clima não trouxe prejuízos às lavouras que estão em fase de germinação e crescimento. A estimativa para essa safra na região é o plantio de 27.850 hectares, área parecida com safra anterior, com expectativa de produtividade de 3.300 quilos por hectare

O produtor de Sertão, Rubens Fontana, aumentou em 50% a área plantada de trigo do ano passado para c
A estimativa para essa safra na região é o plantio de 27.850 hectares, área parecida com safra anter
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

A cultura do trigo está terminando de ser implantada na região Alto Uruguai e, por enquanto, o clima não trouxe prejuízos às lavouras que estão em fase de germinação e crescimento. A estimativa para essa safra na região é o plantio de 27.850 hectares, área parecida com safra anterior, com expectativa de produtividade de 3.300 quilos por hectare, segundo o engenheiro agrônomo, Luiz Angelo Poletto, assistente técnico regional em Produção Vegetal da Emater/RS-Ascar.

Conforme o engenheiro agrônomo da Emater, o custo de produção do trigo vai girar em torno de R$2.084 por hectare esse ano. “Se o produtor colher 60 sacos por hectare, sobrará 10.4 sacos por hectare de lucro, ganhando R$ 42 por saco, o rendimento será de R$ 436 por hectare”, afirma.  

Poletto destaca que, na média, o rendimento do produtor é pequeno, tornando a cultura “praticamente inviável”. Ele acrescenta que em função disso, também, todas as áreas de trigo e cevada são financiadas, já que são culturas de alto risco e que sofrem muito a instabilidade do tempo.

Por outro lado, há produtores se especializando no plantio de trigo e que chegam a colher 80 até 90 sacos por hectare. “Se não houver mudança na questão de preço, o trigo tende a se tornar uma atividade de produtores especializados que irão buscar alta produtividade para obter retorno”, observa.

Clima, solo, plantio

O engenheiro agrônomo acrescenta, no entanto, que a cultura do trigo faz uma boa cobertura de solo e até o momento não tem prejuízos para a lavouras implantadas em função do clima e a estimativa é que falte 10% de área a ser plantada. “Daqui para frente vai precisar de frio, principalmente, na época de perfilhamento”, diz. Se o frio não vier nesse período pode haver comprometimento do perfilhamento gerando menos formação de espigas e grãos com reflexo negativo na produtividade. Em anos ruins, em que o trigo não tem qualidade, ele vai para alimentação animal.   

O período recomendado para o plantio no Alto Uruguai é até 10 de julho e a colheita se dá em outubro, novembro, conforme o período de plantio.   

Políticas pública e privada

Conforme o agrônomo da Emater, o trigo precisaria de incentivos, de um lado, política agrícola do governo federal, principalmente, incentivando a produção de trigo. De outro, por parte das empresas moageiras que compram o grão, melhorando o preço pago ao produtor conforme a qualidade da produção. “Hoje, a saca está entre R$ 41 e R$ 42 com PH 77 a PH 78, o que seria um trigo bom”, diz.

O Alto Uruguai tem 45 mil hectares de culturas de inverno implantadas sendo que no verão são 300 mil hectares de área cultivada. “É pouco, poderia ser mais”, afirma. 

Brasil

Segundo Poletto, o Brasil consome 12 milhões de toneladas de trigo, mas produz somente cinco milhões de toneladas, o resto vem da Argentina, que tem um custo de produção mais baixo que o brasileiro.

Ele acredita que se fosse utilizar as áreas ociosas de inverno do Rio Grande do Sul e Paraná se produziriam as sete milhões de toneladas de trigo que o Brasil importa.

Destaque regional  

O agrônomo da Emater ressalta que o destaque da região nas culturas de inverno é o município de Sertão. Dos 45 mil hectares plantados no Alto Uruguai, nessa época do ano, o município tem quatro mil hectares de trigo, dois mil hectares de cevada, 10.000 hectares de aveia preta e branca, totalizando 16.000 hectares de lavouras de inverno.

Produtor de Sertão

O produtor de Sertão, Rubens Fontana, aumentou em 50% a área plantada de trigo do ano passado para cá. Nessa safra o produtor plantou 83 hectares da cultura de inverno, mais 24,5 hectares de cevada e 10 hectares de aveia preta. Fontana afirma que a produtividade média dos últimos anos ficou em torno de 55 sacos a 60 sacos por hectare.

Segundo Fontana, a opção pelo cultivo de trigo é para fazer a rotação de cultura, porque o trigo produz boa palhada para cobertura do solo e, também, para evitar a instalação de pragas. O produtor comenta que quando dá uma boa produtividade é possível ainda obter um pouco de lucro da cultura de trigo.  

O engenheiro agrônomo da Emater de Sertão, Edgar Frank, observa que os produtores plantaram primeiro a cevada e depois o trigo. “O que tinha umidade no solo nasceu bem e com a chuva de 30 milímetros de outro dia agora vai emparelhar o crescimento que estava um pouco desparelho. O stand de plantas está excelente”, diz.

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