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Geral

Almas gêmeas: casal se conhece em curso de noivos e estão juntos há quase meio século

Renato repete o gesto que perdeu a conta de quantas vezes fez. Escreveu no espelho: “Marlene, você é
Um amor verdadeiro que resiste há décadas
Por Rodrigo Finardi
Foto Rodrigo Finardi

Um amor verdadeiro. Quantas pessoas buscam a vida toda e não encontram. E de repente numa situação inusitada, inesperada, do nada, bate o olho e frente a frente sua alma gêmea. Seu espelho. Alguém com quem quer dividir sua vida. E nada melhor que contar essa impressionante história no Dia dos Namorados, 12 de junho.

O coração dos apaixonados

Talvez demore para ter esse entendimento, mas ele – o amor - vem travestido de várias formas, e preenche o coração dos apaixonados, com sinais dos mais diversos. Pode ser num restaurante, num teatro, numa balada, na padaria, no mercado, numa rede social (atualmente) ou num curso de noivos. Num curso de noivos, como assim?

Essa é a história de Marlene Michelin Voss e Renato José Voss, ambos com 70 anos e que se conheceram num curso de noivos, onde os pares, eram outros. Os deveres do casamento, durante o curto foi ministrado pelo advogado Tobias Pereira Sobrinho.   

Alegria presente em cada momento

O amor eterno, transparente e cumplicidade onde a alegria está presente em cada momento brotou de um simples cafezinho, num intervalo do curso de noivos. E essa paixão arrebatadora dura 46 anos, sem jamais perder a ternura, o respeito. E desta união nasceu Rafael Antônio Voss, 43 anos, que hoje mora em Itapema no litoral catarinense

O começo

Tudo começou em 1969, quando Renato que residia em Santa Cruz do Sul se mudou para Erechim. Sempre trabalhou com mecânica e teve uma oportunidade de exercer a profissão que tanto gosta (só menos que sua esposa) na Retífica Mocellin.  Marilene sempre trabalhou no comércio. Era vendedora na Barbarella Modas.

O cavalheiro lhe serviu um café

Conheceram-se num curso de noivos no Colégio Medianeira. Renato era noivo de uma moça de Santa Cruz do Sul e Marlene noiva de um rapaz de Porto Alegre. No primeiro dia do curso, no intervalo, o cavalheiro Renato serviu um café para Marilene. Os olhares se cruzaram e a partir daquele momento os dois souberam que um nasceu para o outro: “Somos almas gêmeas”, comenta Marlene.

Menos de 100 metros e não se conheciam

Renato morava no Hotel Internacional (na Avenida Maurício Cardoso), onde hoje tem o Durli Business Center. O proprietário era Plínio Ronchetti, falecido recentemente.

Marlene residia na primeira quadra da Rua JB Cabral, menos de 100 metros do hotel e os dois nunca tinha se visto: “Depois que nos conhecemos, era setembro, o Renato começou a frequentar minha casa, e meu pai gostou muito dele e começou até a fazer churrasco para a família”, conta Marlene.

O desejo de ficar juntos

Diante de tanto amor, e o desejo de permanecerem juntos para o resto de suas vidas, fez com que ambos terminassem seus noivados e começassem uma história de amor baseada no companheirismo, no respeito, no querer bem. Foram dois anos de namoro até o casamento.

A sensibilidade de Renato

Marlene lembra de uma viagem que fizeram, quando já tinha completado 20 anos de casados e uma mulher lhe perguntou: “você é a segunda mulher dele? “. E ela respondeu: “não sou a primeira”. Foi quando recebeu a seguinte respostas: “ele te trata tão bem, que achei que fossem um casal novo”.

Ela conta essa história para mostrar que “a nossa vida sempre foi assim. Nos damos bem, de forma incondicional. Lógico que tiveram momentos difíceis, mas sempre um apoio e acompanhou o outro. Jamais perdemos o respeito, a alegria e a ternura. E isso nos mantém com o mesmo amor, mesmo com o passar dos anos”,

Algo mágico, o amor é como uma flor

Renato relata que essa história de amor vivida pelos dois é algo mágico: “ não dá para definir o que acontece de tantos sentimentos envolvidos. Desse encontro, num local inusitado (curso de noivos) onde encontrei o amor da minha vida”.

Lembra Marlene, que a loja onde trabalhava era próximo a Rádio Difusão e o Hotel Parenti e cada vez que ela e Renato passava pela avenida, Helly Parenti e Idílio Segundo Badalotti (ambos falecidos) falavam em tom de brincadeira: “não vão fazer que nem aqueles dois que se conheceram no curso de noivados”.

A história teve muito repercussão na época, e os dois contam como um troféu, pela vida linda que tiveram: “o amor é como uma flor. Tem que regar a cada dia, senão ele morre”, conta Renato, que é o mais romântico do casal. Palavras de sua esposa Marlene.

 

A família do marido

No desenrolar da conversa, Marlene conta que conheceu a família de seu marido só depois de casados: “prepararam uma festa para me conhecerem em Santa Cruz. Mas todos falavam só alemão, daí o Renato traduzia para mim”.

 

Sempre juntos, não importa aonde

A esposa sempre acompanhou o marido. Já com o filho Rafael, se mudaram em 1979 para Pato Branco (PR) onde ficaram por três anos e retornaram para Erechim três anos depois em 1982.

Em 1994 foram morar em Ribeirão Preto, interior de São Paulo onde ficaram até 2007. De uma cidade de 600 mil habitantes, foram para Pontal de Parapanema, com 20 mil habitantes, também em São Paulo: “uma mudança drástica, porém quando tem amor, tudo dar certo”, revela Marlene.

“Sempre me coloca em 1º lugar”

Em 2013, retornaram para Erechim, já aposentados, mas tanto Renato como Marlene contam que a cada dia o amor só cresce e jamais esmorece: “tudo que ele faz, me coloca em primeiro lugar. Sempre me tratou como uma rainha. Somos parceiros em tudo. Cansei de acordar e ter uma declaração de amor escrito com batom no espelho do banheiro ou da sala. E isso acontece até hoje.

 

Adaptação, virtudes, defeitos e respeito

Renato acredita que o casamento é uma adaptação, que todos têm suas virtudes e seus defeitos: “é preciso ceder, se respeitar e com o tempo nos conhecemos só de nos olharmos. Se um está bem, ou o outro não. Hoje somos um só”, conta.

Como a matéria já trouxe, Marlene disse que Renato é o mais romântico do casal: “ele não esquece de uma data sempre vem com flores, presentes. Um verdadeiro gentleman em tudo que faz”.

 

Segredo da felicidade

E para ela o segredo da felicidade vem da alegria: “sem a alegria nada funciona. Estamos felizes e alegres todos os dias. Quando acordo primeiro que ele e faço café entro no quarto cantando para         que ele desperte com essa felicidade”.

Desafiado, Renato pegou um batom e repetiu o gesto que fez não sabe quantas vezes em sua vida para expressar seu amor e escreveu no espelho da sala: “Marlene, você é meu grande amor”.

 

O amor nos pequenos gestos

Uma história comovente, que mostra na prática que a felicidade está nos pequenos gestos, na maneira de lidar com os problemas, e que acima de tudo, o respeito precisa prevalecer para que o amor brote com uma força gigantesca e quem nenhum temporal possa derrubar pela solidez da construção.

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