Acusado pela morte de Valdir Alves da Costa será julgado em nova pelo Tribunal do Júri da Comarca de Erechim
O Tribunal do Júri da Comarca de Erechim vai se reunir na próxima sexta-feira (15), às 9h20, para julgar Giovanni da Silva Soares (21 anos), conhecido por "Djover". O crime de homicídio qualificado ocorreu na madrugada do dia 19 de agosto de 2014, na Rua São Gerônimo, Bairro Progresso, em Erechim. Segundo as investigações da Polícia Civil e a acusação do Ministério Público, a morte da vítima foi provocada por motivo considerado fútil. A vítima teria gerado um prejuízo financeiro ao réu, que motivado pelo desejo de vingança, chamou Valdir para ir até um bar. Quando os dois se encontraram o réu disparou tiros de revólver contra a vítima e fugiu.
Soares foi preso por agentes da Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec), 32 dias após o crime. Desde então aguarda julgamento no Presídio Estadual de Erechim.
Motivo do Crime
As investigações da Polícia Civil que foram apontadas na denúncia do Ministério Público, concluíram que a motivação do crime girou em torno de um desacordo comercial. Dias antes da morte a vítima teria vendido para Giovanni, um jogo de rodas de um carro que seria roubado. Na sequência o proprietário das rodas reconheceu as mesmas circulando e um outro veículo. A polícia foi acionada e montou uma blitz, apreendeu o veículo, o condutor e outros homens que estavam junto no momento do flagrante. Todos foram presos e indiciados por receptação. Naquele dia, Giovanni compareceu na delegacia para pagar a fiança e liberar os suspeitos.
Segundo o delegado Gustavo Vilasbôas Ceccon, responsável pelas investigações, o veículo era utilizado por Giovanni e outros comparsas para cometer furtos na região. "Naquele período, Giovanni, juntamente com esses outros indivíduos que foram presos, praticava diversos furtos em diversas cidades do Alto Uruguai. Tanto que em 30 dias ele foi preso duas vezes em flagrante, sendo uma por receptação em Severiano de Almeida e outra por furto qualificado em outra cidade aqui do interior. E então eles usavam muito esse veículo justamente para ir até outros municípios, local onde praticavam furtos e outros delitos" relatou o delegado.
Apesar do veículo não estar no nome do réu, as investigações apontaram que ele utilizava o carro com ajuda de um motorista, pois não tinha carteira de habilitação, segundo o Ceccon. "Constatamos que o verdadeiro proprietário daquele veículo era o Giovanni, e por isso ele fez o pagamento da fiança. Tiago, preso naquele dia circulava muito com esse veículo na companhia dele", afirmou o titular da Defrec.
Réu nega ter cometido o crime
Na fase processual o réu negou a prática do crime denunciado. Giovanni atribuiu o crime a uma pessoa não identificada, que estaria dentro de um carro. A mesma versão é contada por ele desde início do processo, conforme transcrição original do depoimento. "Quando o Valdir apareceu lá, chegou e logo em seguida chegou o "Pajé", a gente tava conversando. O pessoal foi indo embora, ficou eu, o João e o Valdir, por esse horário (1h) no momento que nós saímos de perto, encostou um carro e começou a dar tiro. O João tinha entrado no bar, eu e ele tava no lado de fora. O cara começou a atirar, eu saí correndo. Eu só vi que desceu um cara do banco de trás do carro e foi correndo pro nosso lado", destacou o acusado no depoimento em juízo.
A sentença de pronúncia apresenta o depoimento de uma testemunha conhecida como "João Torá". Segundo os relatos, ele apontou que Giovanni teria cometido o crime, mas depois negou ter visto quem o assassinou a vítima. Segundo o delegado Gustavo Vilasbôas Ceccon, ele estava sendo ameaçado por Giovanni que é considerado um homem perigoso na região em que mora. "Eu acredito que ele deve ter sofrido alguma ameaça, porque quando ele foi prestar depoimento, ele estava com muito medo, pois ele já tinha sido ameaçado. A testemunha comentou que o réu o encontrou um dia e falou que era melhor não ter visto nada se não sobraria para ele também. Então ele tava com muito medo de dizer a verdade", destacou o policial
Antecedentes Criminais
Tanto o réu, quanto a vítima, são suspeitos de antes do crime integrarem uma quadrilha acusada de cometer furtos de veículos em Erechim e região. Além destes crimes, Giovanni também foi investigado por um homicídio em 2013, cuja autoria acabou sendo assumida por um menor de idade. Em sua ficha criminal constam ainda diversas outras ocorrências, como disparos de arma de fogo, desacato e resistência à prisão. A vítima também tinha uma extensa ficha criminal. Valdir Alves da Costa, conhecido como "Tigrão", possuía passagens por estelionato, tráfico de entorpecente, ameaça violência doméstica, desobediência, furto de veículo, homicídio tentado, lesão corporal e roubo.
A defesa
Durante o júri a defesa será feita pelos advogados Ramiro Kunze e João Cristovan Zanin Zanella. Segundo Kunze o pedido de absolvição do réu será baseado no depoimento de Giovanni e em outras versões que apareceram durantes as investigações. "Uma delas é que um carro teria parado e disparado contra o Tigrão", antecipou o defensor. O advogado relatou que réu não esteve na delegacia pagando fiança no episódio do carro e que ele e a vítima eram amigos. "Eles se conheciam eram amigos os dois", destacou.
O júri
O processo que foi analisado pela 1° Vara Criminal da Comarca de Erechim, terá sua sessão de júri popular presidida pelo juiz Marcos Luis Agostini. A acusação estará a cargo do promotor Gustavo Burgos de Oliveira.