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Pastagens: outono requer atenção redobrada com alimentação do rebanho

A menor qualidade nutricional das forrageiras requer que os animais recebam um volume diário maior de alimentos conservados como silagens e fenos; e, concentrados, como rações comerciais, grãos, farelos, sal mineral, diz Vilmar

Deficiências nutricionais afetam volume de leite produzido e qualidade
. “No outono, não existe uma base forrageira consistente”
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Os 32 municípios da região Alto Uruguai produzem 316 milhões de litros de leite por ano. Existem 6.200 produtores e um rebanho de 84.855 vacas leiteiras, segundo dados da Emater. O período de outono se caracteriza por baixa oferta de forrageiras, o que pode gerar deficiências nutricionais, diminuir a quantidade e qualidade do leite, afetando também a reprodução do rebanho, afirma o doutor, Vilmar Fruscalso, ATR Sistemas de Produção Animal da Emater/RS. Como resposta é necessário aumentar o uso diário de alimentos conservados e concentrados, o que pode impactar nos custos de produção.

Segundo Vilmar, trata-se de um período no qual as forrageiras de verão estão em final de ciclo e as forrageiras de inverno ainda não se estabeleceram. “No outono, não existe uma base forrageira consistente”, afirma.

Ele explica que esse cenário se deve ao fato de nos meses de março a maio o clima ser inconstante, as temperaturas serem reduzidas em relação ao verão, as noites frias e a luminosidade diminuir. “Estas mudanças climáticas naturais dos climas subtropicais, aliado à idade das plantas forrageiras, causa a senescência das plantas. As plantas forrageiras de verão normalmente são implantadas nos meses de setembro/outubro. Além da baixa taxa de crescimento, as plantas perdem muito em qualidade, teor de açúcares solúveis, proteína e digestibilidade”, comenta.

Efeitos

Conforme Vilmar, a menor qualidade nutricional das forrageiras requer que os animais recebam um volume diário maior de alimentos conservados como silagens e fenos; e, concentrados, como rações comerciais, grãos, farelos, sal mineral. “Ao fornecer quantidades maiores destes alimentos os custos com alimentação se elevam, visto que esses alimentos são mais caros, especialmente, os concentrados. Portanto, durante o outono o custo de produção de leite e da carne se elevam”, observa.

Por outro lado, acrescenta, “devido a menor oferta e ao maior consumo, o preço do leite é maior nos meses do outono. Hoje, pratica-se na região valores entre R$ 1 e R$ 1,60 o litro, dependendo da quantidade e da qualidade do leite produzido”.

Bovinocultura de corte

De acordo com Vilmar, em relação à bovinocultura de corte, a baixa qualidade dos pastos leva a subnutrição dos animais, especialmente em granjas onde não há suplementação com minerais proteinados, silagens e concentrados. “Em virtude do maior preço destes alimentos, a maioria dos produtores de carne da região não suplementa, o que causa perda de peso dos animais, especialmente em vacas com bezerro ao pé. Uma boa estratégia para os criadores é desmamar e vender os bezerros antes do início do inverno”, afirma.

Segundo Vilmar, outra alternativa seria implantar pastagens de inverno com aveia e azevém. “Em relação ao campo nativo, melhorias podem ser realizadas como calagem, adubação e sobressemeadura de aveia, azevém e trevo no período do inverno. A melhoria do campo nativo é uma prática raramente usada na região do Alto Uruguai. Municípios da encosta do Rio Uruguai, como Itatiba, Erval Grande e Aratiba possuem um microclima mais quente o que favorece a produção de pastagens, mesmo no período do outono/inverno”, observa.

Confinamento 

Os sistemas confinados para produção de leite, realidade já presente na região Alto Uruguai, evitam a oscilação dos custos de produção e de volume de leite produzido. “Isso se deve ao fato que, nesse sistema, os animais recebem toda a dieta no cocho, de forma constante, em quantidade e qualidade, durante os 12 meses do ano. Por outro lado, os investimentos nos sistemas confinados são maiores, o que requer uma maior capacidade gerencial por parte do agricultor e a produção de um volume de leite maior para diluir os custos das instalações”, explica.

Deficiências nutricionais

O doutor afirma que as deficiências nutricionais, que historicamente ocorrem na região no outono, afetam não apenas o volume de leite produzido, mas sua qualidade e estabilidade ao alizarol (álcool etílico misturado com alizarina, um indicador, para testar a estabilidade do leite), além da reprodução do rebanho.

Conforme Vilmar, é comum nesse período o surgimento de um número maior de casos de LINA (leite instável não ácido), cuja causa principal é o desequilíbrio nutricional. A reprodução também é afetada porque vacas mal alimentadas não entram em cio. “E, se entram em cio, o índice de prenhez é menor. Se emprenham podem mais facilmente abortar. Enfim, o resultado final é menos partos por ano, aumentando o intervalo entre partos e, consequentemente, o número de crias e o volume de leite produzido”, diz.

Clima

Segundo o observador meteorológico da Embrapa Trigo de Passo Fundo, Ivegdonei Sampaio, o El Nino fraco vem se confirmando desde janeiro, o que significa está ocorrendo chuvas um pouco acima ou dentro da média. O prognóstico confirma, ainda, atuação do El Nino pelos meses de maio e junho.

Sampaio afirma que no final de maio, pode ocorrer as primeiras geadas. “Mas o que se está prevendo é que não vai ter grandes mudanças de temperatura, principalmente na região norte do estado, ou seja, vamos ter temperatura normal para a época. Julho e agosto a média das mínimas chega a 8,9ºC, no norte do estado”, diz.

Ele acrescenta que não tem uma previsão ainda de inverno rigoroso. “Quando se tem indicativo de El Nino no inverno a probabilidade é ter dias com mais chuvas, que podem chegar de 12 a 14 dias de chuvas por mês”, afirma.

No fim de semana do Dia das Mães vai ter a primeira incidência de ar frio e seco de origem Polar que pode levar a temperatura a 6ºC. “A semana que vem vai ser fria e seca, o que não é nenhuma anormalidade porque estamos na transição do outono para o inverno. Deve entrar no domingo, mas sentindo a diminuição da temperatura sábado à noite, véspera do Dia das Mães”, observa.    

Conforme Sampaio, o indicativo do prognóstico do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) aponta para a região norte um pouco mais frio no mês de junho do que julho. “Com a possibilidade de ocorrer temperaturas negativas no mês de junho, antes do início do inverno, o que não é frequente”, diz.

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