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Alto Uruguai: maior safra de milho e soja da história

“Nunca tivemos uma safra dessas, juntando as duas culturas, milho e soja, a região produziu cerca de 21 milhões de sacas”, afirma Poletto

O grande problema que os produtores estão enfrentando nessa safra é o preço baixo do soja, que está
“Esse ano o produtor investiu mais na lavoura em insumos e tecnologia, mas vai lucrar menos por caus
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Igor Dalla Rosa Müller e Prefeitura de Quatro Irmãos

Com a colheita praticamente encerrada das culturas de verão, os números mostram que a safra 2018/2019 do milho e da soja foi a maior da história da região, com a melhor produtividade já registrada, sendo a média de 63,33 sacos por hectare de soja e de 149,30 sacos por hectare de milho. Em alguns municípios a produtividade chegou a 70 sacas por hectare. 

“Nunca tivemos uma safra dessas, juntando as duas culturas, milho e soja, a região produziu cerca de 21 milhões de sacas”, afirma o engenheiro agrônomo, Luiz Angelo Poletto, assistente técnico regional em Produção Vegetal da Emater/RS-Ascar.

Desse total foram em torno de 6 milhões de sacas de milho e 15 milhões de sacas de soja. Conforme ele, isso resulta em R$ 1 bilhão injetados na economia regional pela cultura da soja e mais de R$ 200 milhões pela cultura do milho.

Segundo Poletto, a colheita está praticamente no final faltando 8% da lavoura de milho parar ser colhida, e em torno de 1% da lavoura de soja. A área cultivada da soja foi de 233.070 hectares e 42.030 hectares de milho. 

Baixo preço da soja

O grande problema que os produtores estão enfrentando nessa safra é o preço baixo do soja, que está girando em torno de R$ 70 a R$ 71 a saca. “Esse ano o produtor investiu mais na lavoura em insumos e tecnologia, mas vai lucrar menos por causa do preço da soja. No ano passado, nessa época, a saca da soja estava na faixa de R$ 80 a R$ 81. O produtor gastou mais e o preço da soja baixou. Mas ainda assim é uma cultura rentável. Apesar de ser a maior safra da história vai ter menos lucratividade que ano passado”, explica.

De acordo com Poletto, entre os motivos para a diminuição do preço da saca da soja estão a oscilação do dólar, o acordo entre EUA e China e a superssafra da soja, que faz com que os preços caiam. “De 70% a 80% da soja brasileira ia para China, e esse ano isso não vai acontecer, estamos tendo dificuldade de exportar para os chineses, porque os EUA querem vender a safra deles que deu cheia”, comenta.

Custo de produção

Conforme Poletto, o custo de produção das lavouras vêm aumentado nos últimos anos, e o produtor tem investido mais nas culturas para obter melhores resultados. Nesse ano, o custo de produção da soja ficou em torno de R$ 2,4 mil por hectares e R$ 2,8 mil por hectare do milho. Apesar de diminuir a lucratividade da soja em função do preço, a cultura ainda traz resultados. “O custo de produção de soja gira em torno de 35 sacos por hectare, assim sobram de 27 a 28 sacos de lucro”, diz.

Aumento de produtividade

Segundo o engenheiro agrônomo, os municípios que mais têm tradição no plantio da soja são os que tem aumentado os índices de produtividade. “Tem puxado a produtividade para cima, e em alguns casos a produtividade chega a 70 sacos por hectare”, diz. A média desse ano chegou a 63,33 sacos por hectare, resultado superior a safra anterior que foi de 61 sacos por hectare.

Ele cita o exemplo de Ipiranga do Sul e Quatro Irmãos em que a média de produtividade da soja chegou a 70 sacas por hectare; Sertão com 68,13 sacas por hectare e Campinas do Sul com 66 sacas por hectare. “São municípios com histórico na atividade e em que o produtor se especializou na cultura” afirma.

Conforme Poletto, as regiões produtoras mais novas, com pouca área de plantio, não estão com “produtividade estacionada”, e cita o exemplo de Marcelino Ramos, Mariano Moro, Severiano de Almeida, Barra do Rio Azul, Erval Grande, Itatiba do Sul, que plantam soja a pouco tempo e ainda não se especializaram na cultura. “Aí, por exemplo, os produtores deixam de fazer algum tratamento necessário, que causa redução e perdas na lavoura”, afirma.

Expansão de área

Ele afirma que não há mais áreas na região para expandir as lavouras. Cálculos estimam que somente haja de 10 mil a 20 mil hectares em geral de áreas de pastagens que poderiam virar lavouras. Assim, será necessário aumentar a produtividade para produzir mais.

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