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Geral

A ‘pegada’ do Pedro Baidek

Pais ‘corujas’ e orgulhosos, Neiva e Agostinho, com o filho após a conquista da medalha de prata no
Pedro tem um mantra – e ele vem de Mahatma Gandhi: " Estou convencido de minhas próprias limitações
Por Salus Loch
Foto Divulgação

Começo esta matéria contando como ela terminou.

No caso, no chão - onde fui parar após o hippon que o judoca Pedro Henrique Baidek me aplicou no fim da tarde de terça-feira (19), quando fui entrevistá-lo para produzir o conteúdo a seguir falando do Dia Internacional da Síndrome de Down, que se comemora hoje, 21 de março.

Antes de entrar no conteúdo, vale três esclarecimentos:

1 - A ‘luta’ foi consensual, do tipo demonstração, na presença de estudantes do ensino básico da URI que aguardavam o início da aula de judô que o grupo teria com o professor Giuliano Liotto e Pedro, seu auxiliar.

2 - A pegada do Pedro (espécie de aproximação no judô) é de uma força descomunal.

3 - Pedro Henrique Baidek tem Síndrome de Down, mas leva uma vida mais disciplinada e focado em seus objetivos do que muita gente que conheço por aí (e por aqui, inclusive).

 

Um erechinense de Passo Fundo

Pedro Baidek completa 22 anos no próximo dia 19 de abril. Nascido em Passo Fundo (por circunstâncias da vida), ele é daqueles erechinenses de faca, quer dizer, de ‘faixa’ na bota. Faixa, aliás, que deve mudar de cor no fim de 2019, trocando o marrom pelo preto - conferido àqueles que chegam ao ápice das graduações nas lutas marciais depois de muito suor.

Assim é Pedro. Um vencedor que não conhece limites nem teme adversários em busca dos seus sonhos. Entre eles, estão coisas simples, como manter uma boa dieta alimentar, até planos mais audaciosos: da conquista de seu primeiro título mundial de ‘judô para todos’ (categoria especial criada para pessoas com deficiência) até a abertura de sua própria academia de ginástica - com direito a duas piscinas térmicas e, claro, um tatame padrão olímpico, onde pretende disseminar o esporte que já lhe fez tão bem - e rendeu quase uma dezena de conquistas em âmbito nacional.

 

Próxima parada, Suíça

Em relação ao mundial, Pedro bateu com as costas no chão em 2018, quando ficou com o vice-campeonato disputado na Holanda. Em junho deste ano, seu destino é a Suíça - e ele não vê a hora de ir à terra do chocolates, lagos, queijos e relógios para fazer história, trazendo a medalha de ouro inédita a Erechim.

Perguntado sobre o que faltou para chegar ao lugar mais alto do pódio em Amsterdan, o judoca é certeiro na resposta: ‘Treinar mais’. Para o mundial suíço – a ser disputado em Uster, falta de treino (e preparação física/mental, que faz questão de pagar com o ordenado que recebe da URI, onde atua como monitor das turmas da Educação Básica) não deve ser problema.

 

Carinho, amor e exemplo

Sobre a academia, o primeiro passo será dado ao final de 2019 com a formatura no curso de Educação Física da Universidade Regional Integrada. O resto deve vir com trabalho e o auxílio dos avós maternos, tios e, especialmente dos pais, Neiva e Agostinho Baidek - presenças constante na vida do filho.

Aliás, o casal é exemplo no trato dispensado ao pequeno e a temida Síndrome de Down. Enquanto muitos progenitores - em tempos nem tão distantes - optavam (optam) por esconder os rebentos que nascem com a chamada trissomia 21, Neiva e Agostinho, do parto até hoje, jamais tiraram o pé no sentido de propiciar a inclusão de Pedro, seja em sala de aula, no mercado de trabalho ou no mundo dos esportes (antes do judô, o rapagote tentou o futebol).

Pedro Henrique Baidek sabe como derrubar os adversários, mas, acima, de tudo, também sabe como se manter em pé.

 

Curiosidades

# Até as primeiras vitórias e medalhas, Pedro ralou muito nos tatames, literalmente. Foram pelo menos de três a quatro anos (entre os dez e os 14) sem conquistas significativas. No entanto, tudo mudou como uma vitória épica, em Bento Gonçalves/RS, quando o judoca - então faixa azul - derrotou pela primeira vez um atleta faixa preta, Yves Dupont - da Sogipa, de POA. Dali em diante, a maré virou, conta o pai, Agostinho.

# Conforme Giuliano Liotto, judoca e professor que ensinou os primeiros golpes e movimentos a Pedro, o rapaz é, hoje, seu melhor atleta - dotado de uma vontade sem precedentes, disciplina e espírito vencedor. ‘Verdadeiro exemplo a todos’, diz o mestre.

# No entanto, não é apenas Liotto que enche a bola do sobrinho do ex-zagueiro do Grêmio, Baidekão (irmão de Agostinho, e hoje empresário do futebol). O técnico da seleção brasileira de ‘judô para todos’ já teria dito que Pedro é, em sua modalidade, o atleta com a melhor técnica do país.

# A atuação na monitoria da URI (auxiliando os professores de educação física em suas atividades, durante 20 horas semanais) é desenvolvida dentro de um programa que a instituição oferece a estudantes com algum tipo de deficiência e rendeu a Pedro a sua primeira carteira de trabalho, assinada em 2018.

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