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Segurança

Caso Bernardo: Começa o júri do crime que chocou o país

Pai de Bernardo, Leandro Boldrini, chegou ao fórum sob forte esquema de segurança
Por Redação
Foto Mauro Schaefer/Correio do Povo

No dia 04 de abril de 2014, o menino Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, foi dado como desaparecido no município de Três Passos. A Polícia iniciou as buscas pelo garoto e seu corpo foi encontrado no dia 14 do mesmo mês, enterrado em um matagal, à beira de um rio, no interior da cidade de Frederico Westphalen. A partir de então veio à tona uma série de negligências as quais a criança vinha sendo submetida.

A investigação policial apontou que Bernardo havia sido morto por superdosagem de substância sedativa.

Após quase cinco anos do caso que chocou o Brasil, às 9h30min desta segunda-feira (11), iniciou no Fórum de Três Passos o júri que pode dar um desfecho para o crime.

 

O crime

De acordo com a polícia, no dia 4 de abril, uma sexta-feira, a madrasta de Bernardo, a enfermeira Graciele Ugulini, foi multada por excesso de velocidade em uma rodovia quando se deslocava para Frederico Westphalen. Ao policial rodoviário disse que estava indo ao município comprar um aparelho de televisão. No carro, estava acompanhada pela amiga Edelvânia Wirganovicz, e o garoto aparentemente dormia no banco de trás.

Após Graciele retornar da viagem, o pai de Bernardo, o médico Leandro Boldrini, alegou que o menino teria dito que passaria o final de semana na casa de um amigo e como não retornou no domingo, o médico foi buscá-lo, mas foi informado de que Bernardo não estava lá e nem teria aparecido nos dias anteriores. O médico então registrou ocorrência do desaparecimento.

A polícia passou a investigar o caso e na noite de 14 de abril, o corpo do menino foi encontrado dentro de um saco plástico e enterrado às margens do Rio Mico, na localidade de Linha São Francisco, interior de Frederico Westphalen.

Segundo a Polícia Civil, Bernardo teria sido dopado antes de ser morto com uma injeção letal ainda no dia 4. No dia 14, foram presos Leandro Boldrini, Graciele Ugulini e Edelvânia Wirganovicz. Um mês depois foi preso o irmão de Edelvânia, Evandro Wirganovicz.

 

A investigação

No mesmo dia em que a polícia encontrou a cova rasa onde Bernardo foi enterrado, seu pai e a madrasta do menino foram presos pela polícia.

Em maio, a Polícia Civil realizou coletiva de imprensa para apresentar os motivos que levaram ao indiciamento do casal, de Edelvânia Wirganovicz, e mais tarde, do irmão dela, Evandro Wirganovicz, por homicídio e ocultação de cadáver.

Para a polícia, Leandro atuou como mentor do crime e forneceu a receita azul para compra do medicamento que seria usado no menino. A madrasta teria elaborado o plano do homicídio com ele e o álibi que seria usado.

Antes das prisões, os investigadores ouviram depoimentos de familiares e testemunhas, identificaram contradições e passaram a realizar o passo a passo que teria levado até o planejamento e execução do menino.

Já Edelvânia teria aceitado participar do homicídio e da ocultação do cadáver em troca de uma quantia em dinheiro e pagamento das prestações de seu apartamento, o irmão dela, dias antes do crime, teria ajudado a abrir a cova onde o garoto foi enterrado.

 

O júri

Iniciou às 9h30min de hoje, no Fórum de Três Passos o júri do crime. A previsão é de que o julgamento se estenda por toda a semana e nesta manhã acontecerá o sorteio que escolherá os sete jurados, entre 25 moradores da Comarca de Três Passos - que abrange também os municípios de Bom Progresso, Tiradentes do Sul e Esperança do Sul.

No período, o grupo só poderá se comunicar com os 15 oficiais de Justiça, que acompanharão os jurados e testemunhas por tempo integral. Eles não poderão ter acesso nem a aparelhos telefônicos, internet, televisão, rádio ou jornal. A desobediência acarreta multa de um a 10 salários mínimos e exclusão da lista geral de jurados.

Dezoito testemunhas devem prestar depoimento, sendo cinco ligadas pela acusação, nove pela defesa de Leandro Boldrini e quatro pela defesa de Graciele Ugulini. Os outros réus não indicaram testemunhas. Após os depoimentos, haverá o interrogatório dos acusados e na sequência iniciam os debates.

Na acusação, atuará o promotor de Justiça Bruno Bonamente. Em entrevista para o site G1, ele disse não ter “dúvidas da responsabilização dos quatro envolvidos".

"A linha sustentada é a mesma linha que foi proposta na denúncia. O pai como mandante, a madrasta como articuladora, sempre com o auxílio do pai, e essa terceira pessoa, a amiga que ela conseguiu em Frederico junto com o irmão dela, para auxiliar nos atos executórios", afirmou o promotor na entrevista.

Também em entrevista para o G1, o advogado de Edelvânia, Jean Severo informou que sua cliente foi "coagida a fazer a cova e enterrar o menino".

"O menino caiu morto nos pés dela. Por obra da madrasta. Essa é a participação da Edelvânia. Coagida. A madrasta ameaçou a Edelvânia de morte, falou que tinha poder financeiro e que ela não ia suportar isso, que a única que ia sair presa dessa situação era a Edelvânia. Foi ameaçada a mãe da Edelvânia, que é a pessoa mais importante da vida dela. E Edelvânia acabou sucumbindo, erroneamente, é o que nós vamos sustentar em plenário".

O outro advogado de Edelvânia, Gustavo Nagelstein afirmou ao G1 que, diante dos jurados, "ela vai pedir perdão pelo ato que ela cometeu, que foi omitir, ocultar o cadáver desse menino, que com certeza é um fato gravíssimo, mas que os jurados também tenham clemência com ela em relação ao crime de homicídio" que, segundo ele, ela não cometeu.

Os advogados de Leandro, Graciele e Evandro informaram que não vão se manifestar sobre o assunto.

O julgamento será conduzido pela juíza Sucilene Engler. O processo que apura a morte de Bernardo tem cerca de nove mil páginas, distribuídas em 44 volumes.

 

Segurança

O 7° Batalhão da Polícia Militar recebeu apoio do efetivo do Batalhão de Polícia de Choque de Santa Maria, realizará o controle de trânsito e o policiamento ostensivo em torno do fórum. Durante os dias do julgamento, a calçada em frente e na lateral do prédio será isolada. Será proibida aglomeração de pessoas no local e também o uso de caixas e veículos de som, para evitar a perturbação dos trabalhos, conforme pedido do Poder Judiciário.

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