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Segurança

Cinco horas sob a mira de criminosos

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Residências eram escolhidas no interior dos municípios pela distância e isolamento, o que facilitava
Por Alan Dias
Foto Alan Dias

Reportagem do jornal Bom Dia conversou com familiar de um casal que no final de 2018 foi rendido dentro de casa por cinco assaltantes e permaneceu cinco horas sob o poder dos criminosos, que o tempo todo manteve as vítimas sob a mira de armas e ameaças. As vítimas residem no interior de Erechim e foi solicitado para que a não tivessem os nomes e nem a localidade onde residem divulgados.

No mês de setembro do ano passado, o morador acabara de sair do banho e conversava com a esposa na cozinha quando foi surpreendido por cinco indivíduos armados, encapuzados e usando luvas, que subitamente entraram na casa e renderam o casal.

Ao olharem para a mesa do jantar, notaram que havia três pratos e questionaram quem era a terceira pessoa que estava na residência. Tratava-se do caseiro, que estava em sua moradia, distante alguns metros da casa principal. O grupo se dividiu e parte dele foi buscar o funcionário, enquanto o outro manteve o casal sob a mira das armas.

Quando os bandidos voltaram com o caseiro, as três vítimas foram amarradas e obrigadas a deitar no piso da cozinha. Os ladrões então passaram a vasculhar e revirar a casa.

Levaram tudo

“Eles levaram tudo de valor que encontraram. Celulares, dinheiro, joias, roupas, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, utensílios de cozinha, alimentos. Até os papagaios de estimação e as codornas que tinha lá foram levadas”, relata o familiar.

Entre os alimentos levados, a quadrilha juntou tudo que havia na despensa, além de aproximadamente 60 peças de salame, que seriam comercializadas, e 60 litros de vinho, que já estavam vendidos e aguardavam a vinda do comprador.

Tendo juntado em um local só tudo aquilo que encontraram de valor, os criminosos passaram então a vasculhar a propriedade e encontraram um galpão com um caminhão, uma Van e o carro da família. “Eles levaram a Van até a casa e realizaram duas viagens com ela, carregando tudo que roubaram. Saíam e voltavam cerca de meia-hora depois. Dois iam no carro e os outros ficavam vigiando minha família, que o tempo todo era ameaçada e tinha armas apontadas para eles. Eles continuavam amarrados e deitados no chão. Acho que só não usaram o caminhão para levar tudo porque não sabiam manobrar”.

Estão traumatizados

O familiar relata que os criminosos permaneceram no local por cerca de cinco horas. “Após a segunda viagem, eles abandonaram a Van e fugiram no carro, que foi encontrado abandonado no dia seguinte. Do caminhão e da Van, levaram as chaves”.

O casal e o caseiro foram deixados amarrados e após conseguirem se libertar, o proprietário foi a pé até a casa de um irmão, a quase um quilômetro de distância, conseguiu pedir ajuda e acionar a polícia.

Ele conta ainda que a propriedade é toda cercada e possui sistema de videomonitoramento, mas os bandidos “não cortaram, soltaram parte da cerca e entraram por ali. Quando fugiram, levaram as câmeras e a central”.

“Apesar de todo o prejuízo, no final a gente acaba agradecendo porque não feriram ninguém, mas estão traumatizados. Sentem medo de ficar no local, não dormem direito. Agora foram colocados vários cachorros para cuidar a propriedade”.

Operação Cravo

O familiar não tem certeza, mas acredita que o crime tenha sido cometido pela quadrilha presa na manhã de terça-feira (19) durante a Operação Cravo, desencadeada pela Polícia Civil em Erechim para desmantelar um grupo apontado como responsável por realizar pelo menos 12 assaltos em cidades do Alto Uruguai, todos semelhantes ao relatado na reportagem. Os crimes ocorreram no interior dos municípios de Erechim, Quatro Irmãos, Aratiba, Campinas do Sul, Paulo Bento, Ponte Preta, Três Arroios e Getúlio Vargas.

A ação foi desencadeada após cerca de um ano de investigações e envolveu 35 policiais. Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão e seis pessoas foram presas preventivamente.

De acordo com o delegado titular da Delegacia de Polícia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), Gustavo Ceccon, a maioria da quadrilha seria integrante de uma mesma família e usava um depósito no bairro Presidente Vargas, para revender parte dos produtos roubados, principalmente os alimentos. Uma grande quantidade de materiais levados nos assaltos foi recuperada pelos agentes, que também resgataram dois filhotes de cães e um de gato, encontrados em situação de abandono, próximos das casas onde foram cumpridos os mandados.

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