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Ensino

"Eu só quero estudar"

Stefany Julia Siteneski conquistou uma vaga no curso de Direito de URI, mas está com dificuldades para encontrar transporte adaptado para cadeirantes

"Meu direito de ir e vir está garantido na Constituição mas a gente esbarra toda vez que o reivindic
Por Amanda Mendes e Leandro Zanotto
Foto Amanda Mendes

O sonho do ingresso no ensino superior tem diversas barreiras. A primeira delas, o vestibular. Para vencê-lo são muitas horas dedicadas ao estudo em sala de aula e no conforto do lar. Contudo, para algumas pessoas os impasses são mais significativos. Esse é o caso de Stefany Julia Siteneski, de 17 anos de idade, que conquistou uma vaga para o curso de Direito da Universidade Regional Integrada (URI). No entanto, Stefany está enfrentando um obstáculo maior: o deslocamento.

A estudante nasceu com paralisia cerebral, deficiência que implica na limitação de alguns movimentos, entre eles aqueles voltados aos membros inferiores. Com isso, seu deslocamento é realizado com apoio de cadeira de rodas.

Em sua trajetória escolar, Stefany contou com o transporte escolar disponibilizado pela Secretaria Municipal de Educação. Agora busca alternativas para chegar à universidade diariamente. No entanto, a legislação indica que o município só tem o dever de garantir o acesso à educação básica. "Eu sei que não tem amparo legal, mas não estou solicitando algo extraordinário ou que ninguém nunca fez. Talvez, considerando minhas condições eu seja uma das pioneiras nesta questão, no entanto, eu só quero estudar", enfatiza Stefany à reportagem do Jornal Bom Dia.

A estudante comentou que ao receber a notícia do ingresso na URI foi em busca do transporte junto à Secretaria, mas com o cenário desfavorável, buscou alternativas com empresas particulares. "Eles alegam que não tem espaço para a cadeira ou que não fazem a rota entre a minha casa e a instituição. Já mais de 20 'nãos' e acho que a melhor opção seria o apoio da prefeitura, até porque com o transporte público eu também estou sofrendo alguns empecilhos, pois tenho que atravessar ruas e minha residência fica longe da parada de ônibus", destaca.

Com todos esses processos e respostas negativas, Stefany comenta que o sentimento envolve perder direitos e o exercício da cidadania. "Meu direito de ir e vir está garantido na Constituição mas a gente esbarra toda vez que o reivindicamos", conclui.

Procurada pela reportagem do Bom Dia, a prefeitura emitiu uma nota ressaltando que o município tem a obrigatoriedade de atender a demanda de transporte especial para alunos dos ensinos fundamental e médio, o que o faz dentro das leis vigentes. No entanto, neste caso trata-se de estudante do ensino superior e no perímetro urbano, é ofertado aos usuários o transporte público coletivo adaptado.

O caso da jovem já chegou ao Ministério Público. Em contato com o órgão, a informação é de que o processo está tramitando e, até o momento, não há um posicionamento definido.

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