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Rural

Uva simboliza união e desenvolvimento da agricultura familiar

Aberta oficialmente a safra em Erechim, evento foi realizado na tarde de ontem na propriedade de Leomar Ogliari na Linha América

Abertura da safra na tarde de quarta-feira
Prefeito destaca a importância desse momento “mágico” que só acontece uma vez por ano
Grupo Avanti fez um resgate da cultura italiana
Presença de um grande público e autoridades
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

A chuva, tão importante e necessária para a agricultura, quase atrapalhou a abertura oficial da safra da uva, na tarde de ontem, na Linha América em Erechim. Foi por pouco. Mas o suficiente para fazer um belíssimo evento na propriedade de Leomar Ogliari com a presença de um grande público e autoridades. Após os pronunciamentos, o Grupo Avanti fez uma encenação resgatando a cultura italiana.

Muito emocionado o produtor, Leomar Ogliari, agradeceu a presença de todos, disse que desde criança se dedica a produção de uva e é apaixonado por parreira. “A uva é um símbolo da agricultura familiar, não se pode destruir os parreirais”, disse. E, acrescenta, “quem tem um pedacinho de terra deve plantar uva, que é uma cultura muito boa”.

Grupos italianos

O representante dos grupos italianos, coordenador das etnias e presidente do Grupo Avanti, Charles Oldoni, disse que os grupos italianos há 18 anos preservam e cultuam a cultura italiana trazida pelos imigrantes.

“Quando se fala em vinho, uva se fala no resgate da cultura italiana. Os primeiros ramos de videira vieram para a nossa região, para o Brasil pelos italianos. Nos anos de 1940 e 1950 éramos um dos maiores produtores de uva e vinho do Rio Grande do Sul, enviávamos muita uva e vinho para São Paulo e Rio de Janeiro. Tínhamos parreirais enormes na nossa região”, afirma.

Oldoni saudou todos os grupos étnicos e culturais, e disse que Erechim tem um diferencial muito grande porque tem vários grupos étnicos que cultivam a cultura de várias etnias. “Esses grupos são muito unidos e fazem a diferença na nossa região. Trabalham com crianças, jovens adultos, para termos um futuro e uma cidade muito mais promissora e melhor”, destaca.

Emater

O gerente regional da Emater/Ascar, Gilberto Tonello, ressalta que organizar um evento como a abertura da safra da uva requer muito cuidado e dedicação. Ele agradeceu a família Ogliari pela receptividade, pela bonita propriedade e cumprimentou todos os agricultores e agricultoras. “Temos uma preocupação bastante grande com relação à diminuição de área dos parreirais, dessa cultura milenar, que está no nosso sangue, mas não somente do italiano, hoje, de todas etnias e raças”, disse. E, destaca, “que todos nós apreciamos uma boa uva e um bom vinho, e nossos vales da região tem relevo propício para desenvolver a parreira”.   

Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Agricultura

“Essa é uma área de 25 hectares e em que se utiliza 3,2 hectares para cultivar uva. Essa propriedade tem 150 anos de história, era da família Menegolla, que residia aqui e tinha parreirais, e hoje continua a produção. Admiro muito essas pequenas propriedades que sobrevivem da uva e, principalmente, da agricultura familiar”, disse o secretário de Desenvolvimento Econômico e Agricultura, Altemir Barp.

Segundo Barp os produtores de uva da região têm muita qualidade no seu trabalho e na produção da uva. “Temos que ser incentivadores desses produtores cada vez mais para buscar o desenvolvimento e o crescimento de nossa região”, diz.

Ele cita como exemplo alguns produtores de Floriano Peixoto, “município pequeno”, mas que vem se destacando na produção de uva e vem plantando cinco hectares por ano de parreirais. “É uma meta que vem seguindo e crescendo na produção de uva com bastante qualidade e tecnologia”, afirma.

E acrescenta, “não precisamos ter grande quantidade de área plantada de uva, mas sim qualidade, em pequenas propriedades se consegue desenvolver e agregar valor”. E isso será muito importante para os produtores fortalecer suas famílias e conseguir manter os filhos na propriedade.

“Se compramos essa uva na cidade é porque existe um produtor. 33% do PIB do Rio Grande do Sul vem do agronegócio. Hoje dá para se perceber a importância que tem o produtor rural e, principalmente, os pequenos agricultores para subsistência das famílias, e, também, para produção de alimentos que irão para as nossas mesas todo dia”.

Ele destaca que haverá cinco finais de semana para venda da uva e espera realmente que o produtor consiga comercializar sua produção e trazer de volta o dinheiro para sua propriedade para ser novamente investido. “Estamos tentando levar sempre o melhor para o nosso produtor rural”, diz.

Câmara de Vereadores

Representando a Câmara de Vereadores de Erechim, o vereador Alessandro Dal Zotto ressalta que o poder legislativo é sempre parceiro das atividades voltadas à agricultura familiar. Segundo ele, o poder público tem que investir nesse setor, envolvendo comunidade, produtor e poder público, esse é um dos caminhos para gerar desenvolvimento. “Assim, vamos conseguir avançar e manter o jovem no campo”, diz.

Dal Zotto ressalta a importância dos grupos étnicos na parte cultural, que fazem um grande trabalho e unindo tudo isso é que se vai fazer com que a comunidade se fortalece, a festa da uva progrida e todos colham os frutos.

Além disso, é necessário criar alternativas com investimentos em outras culturas como estímulo e suporte para manter as pessoas na agricultura.

Prefeito de Erechim

O prefeito de Erechim Luiz Francisco Schmidt foi o último a se pronunciar e fez uma brincadeira em relação a isso. Ele saudou o produtor Leomar Ogliari, “nosso anfitrião”, e todos os presentes. “Estamos aqui para ver se conseguimos todos dar um passinho adiante e crescer um pouco mais. A parreira é o símbolo da união da família”, disse. Schmidt enfatiza a importância da manutenção da família, e a videira consegue fazer isso, manter ela vinculada a terra.

“Esse é um momento para celebrar a vida e o início da colheita. Sabemos que esse é um período mágico, já que acontece só uma vez por ano. É um momento, que a família Ogliari nos recebe, para que tenhamos um pouco mais da visão humana que envolve o cultivo e o plantio da uva. Obrigado Ogliari por nos receber”, conclui.

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