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Rural

Abertura da safra da uva será em propriedade centenária

Evento ocorre amanhã (16) na Linha América na casa de Leomar Ogliari, local tem longa tradição na produção de uva e vinhos

Lemar mostra parreira centenária
Casa com parte da antiga estrutrura para fazer vinho, hoje desativada
Máquina utilizada na fabricação de vinho
Pipa que era utilizada para fazer vinho
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

A abertura da safra da uva 2019 de Erechim será amanhã (16), a partir das 16h, na Linha América, na propriedade de Leomar Ogliari. O evento é uma promoção das secretarias da Agricultura, Abastecimento e Segurança Alimentar e Cultura, Esporte e Turismo do município. A comercialização acontece nos dias 20 e 27 de janeiro e 3, 10 e 17 de fevereiro, das 14h às 19h na Feira do Produtor. A Festa de São Brás ocorre no dia 3 de fevereiro às 10h.

O produtor de uva Leomar Ogliari, 54, da Linha América em Erechim, está satisfeito com a produção de uva desse ano. “Estou muito contente porque a safra está muito boa. Nunca colhi um cacho de Isabel desse tamanho, ela está bem bonita e com produção muito boa”, afirma.

No momento, Leomar está colhendo a variedade Niágara Rosa e Branca, mas produz também a uva Isabel. Em 3,2 hectares de parreiral, ele colheu o ano passado entre 50 e 55 toneladas por hectare (ha), a expectativa para essa safra é chegar as 60 toneladas por hectare.   

No entanto, ele enfatiza que a uva Izabel está atrasada uns 25 dias, provavelmente em função das interferências climáticas. Ele também está preocupado com as chuvas dos últimos dias, que já está estragando parte da produção.

A propriedade onde Leomar trabalha e produz uva é arrendada. Ele comenta que a casa onde mora e o parreiral já têm mais de 100 anos. A reponsabilidade pelo parreiral e a produção é dele, em determinados momentos, conta com a colaboração de ajudantes.

Ao longo de sua vida tem se dedicado à fruticultura. Natural de São Valentim, o primeiro contato com o parreiral foi com apenas oito anos de idade. De lá para cá foi intercalando a sal rotina com outras atividades, mas sempre pensava em voltar a lidar com a uva. Há quatro anos está se dedicando integralmente ao cultivo e comercialização da uva. “Estou muito contente, a parreira está bem podada, carregada, bem caprichada esse ano”, destaca.

Segundo Leomar, a propriedade tem uma longa tradição na produção de uva e vinhos, já que os primeiros donos da terra, a família Menegola, e depois Dacanal, produziam além de uva, vinho. Durante muito tempo o porão da casa abrigou a vinícola, sendo toda estrutura projetada para essa finalidade. No local ainda tem máquinas antigas, parte da tubulação que levava o suco de uva para ser fermentado e pipas utilizadas para fazer vinho.

O produtor conta uma curiosidade, os muros do porão, em que a casa de madeira está construída, são de pedra dupla. Elas têm o formato em vê e são encaixadas de fora para dentro e outra de dentro para fora, formando uma parede dupla. As pedras foram produzidas manualmente no local com talhadeira e martelo.

Avaliação técnica

Conforme o engenheiro agrônomo, Luiz Angelo Polleto, assistente técnico regional em Produção Vegetal da Emater/RS-Ascar, a colheita da uva já iniciou na região em municípios como Erechim, São Valentin, Erval Grande, Aratiba e Mariano Moro, principalmente a variedade Niágara.  

O ano passado a média de produção de uva foi de 18 toneladas por hectare, e apesar de se ter verificado perdas nos parreirais, a expectativa para a safra atual é colher um pouco mais que a anterior. Polleto afirma que dos 560 hectares de parreirais na região, uma grande parte é para uva de mesa, mas também há variedades de uvas viníferas.  

Ele ressalta que, de um modo geral, a qualidade da uva está boa e as chuvas desses últimos podem ter prejudicado a produção. “O que pode ocasionar é a fruta perder qualidade, ficar mais aguada, não fica tão doce”, afirma.

No estágio de amadurecimento, a uva requer tempo mais seco, com isso fica mais doce. “Na maturação quanto menos chuva melhor para a qualidade da fruta”, destaca.

O preço na região está variando de R$3 a R$5 o quilo da uva de mesa. A colheita das uvas viníferas inicia a partir do dia 20 de janeiro em adiante. “Esse ano os preços estão um pouco mais elevados do que ano passado, provavelmente se deve a redução de produtividade na safra da serra e a procura regional”, diz.

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