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Esportes

Erechinenses superam 500 km e entram 2019 pedalando

Grupo de sete ciclistas foi de Erechim a Torres, no litoral gaúcho

O desafio de Torres foi vencido. Ciclistas, porém, garantem que o Kombike não para por aí. Qual será
O desafio de Torres foi vencido. Ciclistas, porém, garantem que o Kombike não para por aí. Qual será
Por Salus Loch
Foto Divulgação

A maior parte dos sete integrantes do grupo Kombike tem vínculos de amizade, trabalho e ação social que vem de longe. O espírito de aventura, preocupação com a saúde e o desejo por suplantar desafios são características comuns a todos. Soma-se a isso o gosto por pedalar e temos uma galera que embarcou numa resolução de ‘fim de ano’ que rendeu aprendizados e boas memórias.

Para entender melhor esta história, o Bom Dia entrou em contato com os sete amigos do Kombike: Carlos Samojedem (Bibi), Claudio Samojedem (Kadi), Evandro Facina, Eric Facina, Jorge Psidonik, Eduardo Psidonik e Volnei Zaleski (Polaco), que percorreram 500 km entre Erechim e Torres, no litoral norte do RS, no crepúsculo de 2018.

 

Rumo ao mar

Foram cinco dias de pedal por estradas de chão e asfalto cruzando boa parte do Estado com destino ao ‘mar’. Pelo caminho, dor, calor, cansaço, superação, boas comidas (e outras nem tanto), cachoeiras, cânions, piadas, músicas de violão e na caixa de som JBL da ‘magrela’ do Bibi.

Especialmente por isso, o evento foi um sucesso – ainda mais se considerarmos o conjunto da obra, afinal, nenhum dos sete participa de grupos de treinamento intensivo e suas bikes estão longe das consideradas ‘tops’ do mercado. Mas, sobretudo, o que valeu foi o desafio vencido. Os 500 km que ficaram para trás, ou melhor, no coração de cada um.

Embora a travessia até Torres não tenha sido o primeiro ‘tiro’ de longa distância do Kombike (os preceptores da ideia de extensos trajetos foram Bibi e Jorge), ela foi especial pelo simbolismo (unindo gerações), caminho percorrido e a data escolhida (a única que permitia a integração dos membros, em razão das ocupações e compromissos de cada um).

De quebra, graças a um eficaz planejamento e boa vontade de todos, foi possível, ainda, reunir a família dos ciclistas no momento da ‘virada do ano’, em Cambará do Sul – com direito a café colonial (em substituição à lentilha), pedidos de paz e novos planos.

 

Google Maps

O percurso definido foi o indicado pelo Google Maps. ‘O aplicativo traça um caminho específico para se fazer de bicicleta’, explica Jorge Psidonik. Desta forma, o grupo saiu de Erechim pelo Distrito Industrial e seguiu rumo a Centenário. Depois, Carlos Gomes, Paim Filho, Cacique Doble, São José do Ouro, Lagoa Vermelha, Vacaria, Bom Jesus, São José dos Ausentes, Cambará do Sul, Praia Grande e Torres.

Falando assim, parece que foi fácil. Mas, espere um pouco.

Definido o itinerário, era preciso organizar a logística. As esposas de dois membros do grupo, Sonia e Giovana, ao lado de Bibi, procuraram restaurantes, hotéis e pousadas pelo caminho. Aos desafiantes foi dada a missão de realizar treinos periódicos coletivos e individuais. No entanto, nem todos seguiram a risca o sugerido.

Foi decidido também que Sonia e Giovana iriam acompanhando de carro a viagem, como apoio logístico, embora os encontros acontecessem nos finais de tarde nos hotéis e eventualmente ao longo da estrada. As demais famílias se juntaram ao grupo em Cambará do Sul, no dia 31.

 

Primeira vez

Seis membros do Kombike já haviam participado de viagens com trechos mais longos. O mesmo, porém, não pode ser dito de Eduardo Psidonik, que se juntou à patota pela primeira vez no ‘desafio de Torres’. O pouco tempo de pedal havia colocado em dúvida o sucesso da tentativa. Ledo engano. O jovem foi, viu e venceu.

 

Transformados

A chegada em Torres foi na tarde do dia 1º de janeiro de 2019. Deu, até, para pegar uma praia na Guarita. O retorno a Erechim se deu no dia 2 de janeiro de 2019.

A Transformação estava na cara. No peito. Na alma. Lado a lado havia duas gerações compartilhando o tempo, trocando experiências, visões de mundo... aprendendo a superar-se e a motivar o outro.

 

Lembranças

Ao longo da viagem o grupo percebeu, também, que não basta ter apenas ‘amigos legais’. É preciso reunir outras qualidades para que se possa pedalar (caminhar) juntos. Confiança e honestidade, por exemplo, são fundamentais.

Quando alguém grita: Carro!!!, você se joga pro acostamento.

Quando alguém se lamuria: Não aguento mais!, o companheiro de pedal (e na vida) deve ser solidário e se jogar na grama contigo ou te servir água, carbo gel. Quiça barrinha de cereal. Ou ainda, chegar antes no hotel e colocar as malas nos armários e água para gelar... ou largar a bike e começar a concertar o seu pneu furado.

O amigo deve ser responsável quando o assunto é segurança. Tipo: Vamos pelo asfalto mesmo que seja na BR 101... E você escuta o amigo líder dizer firme: Não! Vamos pelo chão que é mais seguro.

Mas ele também tem que ser divertido, bem humorado... claro que não precisaria tirar foto de tudo, né? Principalmente quando se inventa andar tal qual o "motoqueiro fantasma". Mas pode cantar, mesmo que desafinado, com o violão ou com a JBL.

É preciso, de igual sorte, ter espírito de aventura e driblar a preguiça. Topar loucuras como montar em uma bike e pedalar meio milhar de quilômetros até o mar, sem ser atleta de alto rendimento.

Enfim, ter capacidade de entender os limites uns dos outros, mesmo em situação extrema, e conviver como num Big Brother Itinerante por sete dias sem eliminar ninguém. Ao contrário, zelar para que todos permaneçam e sejam premiados, surpreendidos com uma medalha de chegada personalizada da viagem.

Para eles, o caminho de Torres nunca mais será o mesmo, porque aqueles sete ‘atletas’ não são os mesmos.

Segundo Psidonik, que ajudou a construir este texto, a viagem mostrou que o ser humano é capaz de superar limites, alcançando o inatingível ou inacessível para a maioria. Basta espírito de aventura aliado a um planejamento responsável e algum treino.

Inspire-se.

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