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"Corram o risco a primeira vez, a segunda e a terceira serão mais fáceis"

Conselho é do psiquiatra erechinense, Josue Bacaltchuk, responsável pela área médica da divisão da Johnson & Johnson de Miami, nos EUA

Josue Bacaltchuk, o Lelo, defende que o Brasil exerça um papel internacional mais relevante
Por Salus Loch
Foto Divulgação

O erechinense Josue Bacaltchuk  saiu da Capital da Amizade em 1974 para construir uma trajetória repleta de experiências, aprendizados e conquistas. Depois de visitar mais de 60 países, o médico com doutorado em psiquiatria mora em Miami, nos EUA, onde é responsável pela área médica da divisão local da Johnson & Johnson.
Na entrevista a seguir, realizada via Whatsapp - e que integra o Projeto 'Por onde andas?' do jornal Bom Dia - 'Lelo' (como é chamado por familiares e amigos) traz à tona lembranças inusitadas, como 'capotar um balão'; assegura que viajar e conhecer novas culturas virou "prioridade"; evita avaliar o governo Trump; e afirma: "o antissemitismo é uma ameaça à humanidade". 
Inicialmente seria importante falarmos um pouco de sua trajetória. O Sr. morou em Erechim até que idade? E quando saiu daqui, foi para onde? O que faz hoje?
Nasci em Erechim em 1960, filho de Guilherme e Rita Bacaltchuk. Saí de Erechim com 14 anos para estudar em Passo Fundo e, depois, Porto Alegre onde cursei Medicina na UFRGS. Na sequencia, fui morar em Paris, França, onde fiz a especialização e mestrado em psiquiatria e posteriormente o doutorado em São Paulo. Depois de algum tempo como psiquiatra clínico, entrei na área de pesquisa de novos medicamentos na Janssen Farmacêutica onde estou ate hoje. No momento, moro em Miami, EUA, e sou responsável pela área médica desta divisão da Johnson & Johnson na América Latina.
Segundo seu sobrinho, o também médico Juliano Arenzon, da Europa o Sr passou a desbravar o mundo. Que sentimento te movia/move?
Conhecer coisas novas, novas culturas. Conhecer lugares, seu povo e sua história. Aprendi com os europeus que viajar e visitar novas regiões tem um valor inestimável. Virou uma prioridade para mim.
Quantos países já visitou? E qual deles mais lhe chamou a atenção e por quê?
Acho que cerca de 60 países, por enquanto. Não conto o número de países, pois o que me importa é poder ter uma experiência profunda de conhecimento de cada um deles nos curtos períodos de tempo que duram as visitas. Por isso sempre prefiro ficar mais tempo do que visitar de forma rápida e superficial muitos lugares. Cada país tem seu encanto particular. Poderia citar rapidamente a Síria antes da guerra com sua história riquíssima, a França com seu charme, os países do sudeste asiático que eu adoro e são para mim inesquecíveis com seu povo simpático, sua fé e sua comida deliciosa.
Poderia citar uma história inusitada vivida em alguma parte do mundo?
Posso citar duas experiências com passeio de balão: uma maravilhosa no vale dos reis, no Egito, onde vi o mais lindo nascer do sol num dia 1º de janeiro de madrugada. A outra na Capadócia, Turquia, onde o passeio foi tenso pelos fortes ventos e acabou em capotagem do balão. Felizmente sem feridos graves, mas um belo susto.
 
Como avalia a qualidade de vida na Terra do Tio Sam?
Miami é um híbrido com o melhor dos Estados Unidos e o melhor da América Latina. Não creio que seja um bom retrato dos USA. A qualidade de vida é surpreendentemente boa. A vida é simples e descomplicada. Eles são muito práticos. Mas como qualquer lugar existem muitas coisas boas e outras 'menos' boas.
 
Qual sua opinião a respeito do governo Trump? Aprova a metodologia de trabalho do presidente?
Uma das coisas que aprendi por aqui foi não discutir política em público, principalmente sendo estrangeiro e tendo sido bem recebido aqui.
 
Que dica daria para as pessoas, os jovens em especial, que querem romper amarras a fim de conhecer o mundo (para trabalhar, estudar, viajar) e não o fazem com medo de sair de sua zona de conforto?
Corram o risco a primeira vez, a segunda e a terceira serão mais fáceis. O prazer de conhecer novas culturas, novos lugares, novas pessoas torna-se então aditivo (viciante).
 
Tem visitado Erechim? Com que frequência?
Sim. Menos do que deveria, uma ou duas vezes por ano, no máximo.
 
Como percebe o desenvolvimento de Erechim?
Na verdade meu foco quando estou aí é ficar com a família.
 
Qual é a imagem do Brasil perante o mundo e particularmente em relação aos EUA, uma vez que o presidente eleito Bolsonaro flerta com Trump a fim de uma aproximação ideológica e comercial?
O Brasil tem potencial para ter um papel internacional muito mais relevante do que tem hoje. Temos perdido relevância.
 
Como encara a questão do antissemitismo nos EUA e no restante do mundo? De alguma forma se sente ameaçado?
O antissemitismo, como qualquer forma de discriminação, é altamente condenável e seu crescimento preocupa. Nunca tive nenhuma experiência pessoal que me fizesse sentir ameaçado. Considero-o uma ameaça à humanidade.

 

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