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Do campo para as salas de aula

Erechim é o primeiro município do RS a utilizar todo o recurso do governo federal na aquisição de produtos para alimentação escolar

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Foto: Izabel Seehaber
Por Izabel Seehaber - izabel@jornalbomdia.com.br

Erechim é o primeiro município do RS a utilizar todo o recurso do governo federal na aquisição de produtos para alimentação escolar

O Programa nacional de alimentação escolar (Pnae) do governo federal prevê a qualidade dos alimentos para possibilitar o desenvolvimento dos estudantes e o diferencial na aprendizagem. Na região do Alto Uruguai, várias instituições de ensino integram o projeto.

Erechim, conforme a prefeitura municipal é o primeiro município do RS a utilizar todo o recurso do governo federal na aquisição de produtos para alimentação escolar.

O secretário de Educação, Alderi Antônio Oldra, acredita que o município está no caminho certo, mas ainda há o que melhorar. “São 17 escolas a serem atendidas. Mais de 25 “pequenos restaurantes” no sistema municipal de ensino”, pontua.

Segundo Oldra também são investidos recursos da administração municipal. “Existe uma legislação para atender com produtos de qualidade e manter o acompanhamento de nutricionistas, com cardápios organizados”, completa.

Reflexo das parcerias

O coordenador da equipe de cooperativismo da Emater, Cleumir Augusto Paris, a região é composta por inúmeras cooperativas e associações, as quais, facilitaram o processo de inserção dos produtores nesse mercado, pois, de maneira individual, afirma Paris, não conseguiriam obter êxito devido a fatores como baixa escala de produção e sazonalidade.

A Emater trabalha na articulação entre os produtores e entidades executoras, tais como a prefeitura (secretaria municipal de Educação e Coordenadora Regional de Educação, por exemplo). “Programa que vai além da comercialização, considera a gestão das cooperativas no desenvolvimento regional. Em Getúlio Vargas há a Copraf, considerada uma cooperativa destaque na região que atende mais de quatro mil alunos”, ressalta.

Cooperativa no mercado

A Emater realiza seminários, estudo da demanda, sensibilização para oferta dos alimentos, esclarecimentos sobre como serão os critérios de seleção, além de tratativas de intercooperação.

Atualmente são no mínimo 200 produtores que estão encaminhando produtos para a região. “Fomento da melhoria de renda para os que integram a agricultura familiar, para incentivar o trabalho e a permanência do jovem no campo”, declara o coordenador.

A extensionista rural social da Emater, Nádia Farina Rosa, salienta que a questão do alimento envolve diversos enfoque. “Alimentação saudável e adequada é um dos aspectos fundamentais e o objetivo central da lei que regulamenta a alimentação escolar e a venda da agricultura familiar. A nossa cultura alimentar é local e regionalizada que se adapta ao nosso paladar e à necessidade nutricional”, afirma.

Conforme Nádia, o papel da Emater está em toda a cadeia produtiva, desde a comercialização, criação de um sistema agroalimentar saudável, valorização da alimentação e produção local. Todo trabalho é integrado com as escolas e nutricionistas.
A extensionista diz ainda, que a entidade oferece para as merendeiras, cursos de boas práticas e processamento de farináceos com o intuito de melhor aproveitar a diversidade de alimentos.

Cooperativa Central

A Cooperativa central de comercialização da agricultura familiar de economia solidária (Cecafes) foi fundada em 2012. De acordo com presidente, Roberto Luis Balen, a fundação foi consequência de um trabalho de mais de 15 anos com o objetivo de mudar o sistema de produção da agricultura familiar, diversificar para que possa contribuir ainda mais no desenvolvimento da região e também possibilitar melhores condições para os agricultores se manterem no campo.

Na região, 17 cooperativas estão associadas à Cecafes. Atualmente também está sendo construída uma rede de cooperação no RS. São cooperativas de várias regiões, inclusive metropolitana de Porto Alegre, Santa Maria e Passo Fundo, reunidas para se tornar referência e fazer até mesmo uma “troca” de alimentos de acordo com as potencialidades de cada região.

Laranja, leite e derivados, entre outros alimentos (ao todo, cerca de 100 itens) são muito fortes no Alto Uruguai e estruturam a lista que é disponibilizada às entidades e consumidores de modo geral.

O princípio de tudo, no campo

Volnei e Marise Mariga resolveram investir na área de laticínio e na propriedade a preocupação inicia com a qualidade de produção da matéria prima, desde a alimentação e manejo dos bovinos até o leite industrializado.

Além do leite, que é comercializado em saquinhos, também são produzidos queijos e a bebida láctea, pensando especialmente na merenda escolar.

Volnei relata que a propriedade foi a primeira na região a ingressar na área de laticínios no processo da alimentação escolar em Erechim.

Hoje já são mais de 20 anos. “É muito importante. Recebemos os pedidos por e mail, preparamos o produto e já é comercializado, para evitar o desperdício”, salienta.

Volnei, a esposa e o filho defendem a ideia de melhorar constantemente a qualidade dos produtos. “É uma venda direta, garantida, o reconhecimento de nosso trabalho com o auxílio de várias máquinas”, pontua.

Atualmente são 40 animais na produção e o leite até ser ensacado tem um tempo que gira em torno de 15 a 20 segundos. O transporte é feito em um caminhão refrigerado.

Hortaliças

Na localidade de quilômetro 14, em Erechim, Rodrigo Strapazzon e a esposa Eliane atuam há cerca de 1 ano e meio no cultivo das hortaliças, tais como alface, agrião, rúcula e almeirão. As plantas são cultivadas através do método da hidroponia (técnica que não utiliza o solo e as raízes recebem uma solução nutritiva balanceada que contém água e todos os nutrientes), a qual adianta o ciclo da planta.

O casal comenta que a aposta no sistema se deve à diminuição da mão de obra e o aumento da produção. “Preferimos entregar os produtos nas escolas porque o uso de inseticidas e fungicidas cai muito, é praticamente zero”, destaca o agricultor.

Diante da qualidade dos produtos, quase toda a produção de hortaliças está sendo entregue em um supermercado de Erechim. Para suprir a demanda da alimentação escolar o casal investe em uma nova área de estufas para cultivo de hortaliças hidropônicas.

Nos refeitórios das escolas

Um dos destinos dos produtos que saem no campo são as cozinhas das instituições escolares. Diariamente é possível observar em muitas delas, os alimentos da agricultura familiar sendo consumidos por alunos de várias idades.
 
Confira a matéria completa na versão impressa da edição desta quarta-feira (23).

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