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Esportes

Reconhecimento ao trabalho de inclusão no esporte

Professor erechinense é destacado em homenagem do CREF2/RS

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Giuliano recebendo premiação do CREF2/RS
Trabalho de Giuliano no Judô ganhou reconhecimento
Por Edson Castro
Foto Divulgação

“Tanto no escolar quanto no competitivo, sempre atendi crianças especiais e até hoje atendo e eles são inseridos em turmas normais de Judô”. Esta frase é do professor e treinador Giuliano Liotto. Embora o trabalho dele não seja tão conhecido, o erechinense tem se destacado no Judô brasileiro, inclusive integrando a comissão técnica da Seleção Brasileira de Judô Para Todos.

O trabalho que também tem por objetivo a inclusão de todos no esporte, foi reconhecido recentemente pelo Conselho Regional de Educação Física do Rio Grande do Sul (CREF2/RS), em cerimônia de entrega do Troféu Destaque 2018. O prêmio, que chegou ao seu sétimo ano consecutivo, homenageou as pessoas e as empresas que mais de destacaram ao longo do último ano, em 17 categorias diferentes.

Uma delas é a de Giuliano, a de “Profissional de Paradesporto e Atividade Adaptada”. O erechinense não tem duvidas que o trabalho realizado por ele foi o principal motivo para o reconhecimento.

“Estudei por 15 anos em Porto Alegre e voltar até lá para receber essa distinção revendo velhos amigos foi realmente gratificante. Devo agradecer a todos os amigos e colegas que em votação pela internet me colocaram entre os três finalistas do estado nesta categoria. Ao mesmo tempo isso aumenta a responsabilidade em continuar desenvolvendo este trabalho em que ainda se há muito por fazer”, destaca ele.

Giuliano é especialista em Fisiologia do Exercício, mestre em Ciências do Movimento Humano e professor da URI – Erechim. É ainda presidente da Associação Erechim de Judô, membro da Special Needs Judo Union, entidade que rege o Judô Para Todos, além de técnico da Seleção Brasileira da modalidade. Desenvolveu o projeto Judô Para Todos Erechim, que atende diversas crianças com deficiência no Judô escolar.

O começo

Esta semana, Giuliano conversou com a reportagem do jornal Bom Dia. “Iniciei com o Judô escolar em Erechim há 15 anos, atendendo crianças e jovens nas escolas. Em 2012 fundamos a Associação Erechim de Judô, entidade que é filiada a Federação Gaúcha e a Confederação Brasileira. Desde 2010 além do Judô escolar participamos de competições. O trabalho com o Pedro Baidek tem se destacado desde que ele começou no Judô escolar, posteriormente nas primeiras competições estaduais. Em 2015 ele iniciou as participações em competições nacionais e em 2016 internacionais sendo medalhista nos mundiais duas vezes na Itália e duas vezes na Holanda”, destaca Giuliano.

Sobre Baidek, enfatiza que atualmente o atleta ele serve de inspiração para outras crianças com ou sem deficiências iniciarem no esporte e seguirem os seus passos. Desde 2016 Giuliano é um dos técnicos da Seleção Brasileira de Judô Para Todos tendo acompanhado a delegação já em três torneios mundiais.

“A premiação do CREF2/RS se refere a este trabalho de construção de uma possibilidade de vida esportiva para pessoas com necessidades especiais”, amplia o professor.

Como professor do curso de Educação Física da URI Erechim, Giuliano destaca o trabalho em prol do desenvolvimento de uma nova cultura esportiva na cidade e no Alto Uruguai. “Fui selecionado e agora sou bolsista do Curso Básico de Gestão de Treinadores da Academia Brasileira de Treinadores que faz parte do Instituto Olímpico do Brasil que é o braço educativo do Comitê Olímpico. O curso de formação traz tópicos relativos ao movimento olímpico, a gestão do esporte, a gestão de pessoas e organização e liderança no meio esportivo. O intuito é claro desenvolver ainda mais o meu esporte que é o Judô, mas também repassar esse conhecimento e discutir com demais professores e treinadores de nossa região além de desenvolver esses tópicos com os nossos acadêmicos e futuros professores de educação física e treinadores esportivos de nossa região”, explica o professor.

Entrevista

Jornal Bom Dia - O que o levou a fazer este trabalho com pessoas especiais?

Giuliano Liotto - Naturalmente tanto na escola quanto no esporte de rendimento alunos e atletas especiais apareceram no intuito de praticar o Judô. De mesma forma como encontro crianças com dificuldades motoras, sociais e cognitivas e tento atender a todas elas respeitando suas características pessoais, os alunos com deficiência tem que ter atendidas suas necessidades que também podem ser de questões físicas, sociais ou intelectuais. É um prazer e uma satisfação enorme poder gerar aprendizados nestes três aspectos e visualizar o desenvolvimento de todos como ser humano. Uma lição que eles, os alunos e atletas especiais, nos ensinam todo o dia. Eles não se preocupam com as suas limitações, mas sim em mostrar o seu enorme potencial.

JBD - O quanto importante é esta inclusão de todos no esporte, seja judo ou outra modalidade?

Giuliano - Uma questão de educação, de saúde e de cidadania. É direito de todos e obrigação da sociedade como um todo proporcional cada vez mais essa acessibilidade não só no esporte, mas também no trabalho e em outras esferas. Neste aspecto o Brasil ainda tem muito que progredir. Um exemplo que sempre uso foi um fato acontecido em Ravenna na Itália, onde ficamos surpresos ao ver mais de cinco mil pessoas no ginásio municipal, prestigiando um evento de Judô inclusivo. Foi uma grande festa em homenagem a vida destas pessoas e uma grande lição que aprendemos lá.

JBD - O quanto importante é estar inserido no COB e ser treinador da Seleção?

Giuliano - Poder fazer parte do que o próprio Comitê Olímpico do Brasil chama de família olímpica, é um sonho realizado. Poder participar de fóruns e debates com grandes nomes do esporte nacional é muito engrandecedor. Espero aproveitar ao máximo essa oportunidade e poder compartilhar com meus colegas de profissão e partes interessadas em desenvolver o desporto em nossa região. O convite para participar como técnico da Seleção Brasileira de Judô Para Todos partiu do Sensei, Ricardo Lúcio, do RJ. Ele coordena o Movimento Judô Para Todos Brasil e hoje temos representatividade em vários estados de nossa nação buscando promover o Judô inclusivo.

JBD - De que forma podemos trabalhar (governos, entidades, instituições, clubes, etc), para que haja cada vez mais inclusão no esporte?

Giuliano - Cooperação e vontade política é o que precisamos. Trabalhar em prol de um bem comum. Buscar tanto no poder público bem como na iniciativa privada pessoas e projetos que sejam desenvolvidos nesse intuito, o de sempre evoluir. Recursos aplicados em esporte são ao mesmo tempo aplicados na educação, na saúde e na segurança. Toda a sociedade ganha com isso.

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