21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Esportes

Dia do futebol: além das quatro linhas

Copa do Mundo de 1950 permitiu que disputas no âmbito cultural fossem tema do futebol

teste
Copa do Mundo de 1950 permitiu que disputas no âmbito cultural fossem tema também do futebol
Por Amanda Mendes e Kaliandra Alves Dias
Foto Divulgação

O futebol é uma paixão nacional e mundial, que atinge as crianças aos idosos. E nesta quinta-feira, 19 de julho, comemoramos o Dia do Futebol. A data foi escolhida para celebrarmos a existência deste amor. A atual Confederação Brasileira de Futebol (CBF) escolheu essa data, em 1976, para homenagear o time mais antigo do país em atividade, Sport Club Rio Grande, do Rio Grande do Sul, que teve a sua fundação no próprio dia 19 de julho, no ano de 1900.

Pai do futebol brasileiro, Charles Miller nos trouxe esse amor em forma de uma junção de campo, bola, jogadores e torcida. O paulistano completou seus estudos na Inglaterra e, ao voltar para o Brasil, em 1849, trouxe uma simples bola de futebol juntamente com toda a técnica desse esporte que nos encanta e que, com certeza, deve ter encantado Charles quando viu os ingleses chutando a bola de um lado para o outro, dando-o a brilhante ideia de compartilhar com os brasileiros.

A primeira partida oficial no Brasil foi realizada entre os times São Paulo Railway, de Charles Miller, e a Companhia de Gás. O jogo ocorreu em um campinho de várzea, onde a equipe dos ferroviários saiu vitoriosa.

“Não é só futebol”

A importância do esporte ultrapassa as quatro linhas do campo, não se limitando apenas as discussões técnicas e táticas. O historiador Gerson Fraga, comenta que a Copa do Mundo de 1950, sediada no Brasil, permitiu que disputas no âmbito cultural fossem tema também do futebol.

Fraga explica que o Brasil passava por construções discursivas acerca da identidade do brasileiro. Por um lado, intelectuais do início do século 20, apontavam a mestiçagem característica da história brasileira intrinsecamente nos levava ao atraso e fracasso enquanto nação. Já os modernistas, viam essa mistura como algo positivo, “que nos conferia uma identidade única”, ressalta o historiador.

Para Gerson “estas visões estão disputando espaço, portanto, não se tratava só de ganhar a Copa, mas de provar para nós mesmos que éramos um povo capaz de grandes realizações e conquistas. E talvez assim seja até hoje”.

O país do futebol

A apropriação da prática do futebol na cultura brasileira precisou de muitos esforços em diferentes âmbitos, para tornarmo-nos o país do futebol.

Gerson Fraga destaca a infraestrutura de transporte, haja vista as dimensões continentais do Brasil, para a implementação de campeonatos de clubes. E até mesmo na Copa de 1950, o historiador conta que a França que estava classificada, se recusou a participar, em função das distâncias entre um jogo e outro (Recife e Porto Alegre, por exemplo).

E não só os jogadores e as comissões técnicas precisavam se consolidar, mas a forma de transmitir as informações da modalidade ao público. Neste sentido, Fraga destaca a imprensa auxiliou na construção de um “estilo brasileiro” do futebol.

“A imprensa esportiva, que em 1950 ainda se consolidava enquanto área especializada. Mas é neste momento que, por exemplo, órgãos como a Rádio Nacional ou a Revista O Cruzeiro começam a abranger todo o país, criando a perspectiva de um ‘estilo brasileiro’ de jogar e mesmo de torcer que, na verdade, seria muito mais apropriado chamarmos de ‘estilo carioca’”.

A frequência das mulheres nos estádios de futebol

A presença das mulheres nos estádios de futebol também mudou. Em 1950, o maior evento futebolístico ainda era frequentado por homens. Após 68 anos, a Copa do Mundo da Rússia evidenciou a conquista pelo espaço que ainda é visto como masculino. De acordo com o historiador Gerson Fraga, essa mudança também está atribuída aos estádios, já que atualmente, eles possuem espaços elitizados. “Esses dois aspectos me levam a questionar se todas as mulheres têm conquistado tal acesso ou se (e é isto que me parece) estamos diante de um processo de transformação no perfil social do público que acessa as arquibancadas dos estádios”.

Publicidade

Publicidade

Blog dos Colunistas

;